sexta-feira, 16 de março de 2018

THIAGO "MULTI HOMEM" MOREIRA


THIAGO MOREIRA é jornalista, radialista, produtor cultural, publicitário, perto de virar mestre cervejeiro, comanda o TENDA VIP, um dos blogs mais acessados de João Monlevade, é proprietário da agência Comunique MKT e do bem sucedido projeto APROVEITE MINAS que vai para o seu terceiro ano de realização. Ah...e foi responsável também pelo carnaval antecipado de João Monlevade em 2018, muito elogiado por todos. Esse moço tem mais de sete vidas. Tem mal gosto para time de futebol, mas nem tudo é perfeito. Mas vamos à entrevista
MEDIOPIRA - O que te influenciou para se tornar um homem de marketing? Qual era o seu sonho de infância?
Meu sonho de infância era ser jogador de futebol ou piloto de fórmula 1. Entrei no marketing meio por acaso. Fiz faculdade em Comunicação Social, depois fiz uma pós em marketing e fui convidado pelo profissional da área Márcio Passos para fazer um programa eleitoral para o candidato Railton Franklin, quando ele foi apoiado pelo grupo do Mauri. Tomei gosto.
MEDIOPIRA - Qual a influência de um Antônio Gonçalves em sua vida?
Antônio Gonçalves(avô), um exemplo.
Meu avô é um exemplo para toda a família. Quando eu era criança me perguntavam na escola qual era meu ídolo e eu escrevia o nome dele. Foi um político realizador, respeitador das diferenças. Hoje vive tranquilo, é bem vindo onde vai. Já passei horas e horas conversando com ele. É um grande homem, convicto de suas opiniões e ao mesmo tempo humilde.
MEDIOPIRA -Vc tem facilidade para transitar em várias áreas: promoção de eventos, jornalismo, política, marketing. Em qual área fica mais à vontade?
Nenhuma delas e todas elas. Todo dia é um aprendizado novo ou uma porrada nova, rs. Posso dizer que os eventos me trazem dinheiro, o jornalismo prazer, a política é uma cachaça e o marketing uma necessidade.
Juntando gastronomia e arte...
MEDIOPIRA -Vc parece ter mais afinidade com o gênero sertanejo. Qual a razão? Paixão mesmo pela música caipira ou é por que tem mais potencial de marketing nos dias de hoje?
Tenho mais afinidade com o MPB, samba e o rock. Meus eventos de gastronomia normalmente levam estes três ritmos e é o que mais escuto em casa e no carro. Mas, vejo que tudo tem momento e respeito demais o sertanejo. Já fiz grandes eventos de sertanejo em que fui muito feliz. 
MEDIOPIRA - Por que vc acha que outros gêneros como o Rock ou a MPB saíram de cena?
Faltou continuidade do trabalho e empenho no mercado, essa turma se acomodou. Os rockeiros e o pessoal da MPB parece ser mais preguiçosos. As bandas envelheceram e não renovam seus repertórios, foram perdendo espaço para o sertanejo e não reinvestiram. Observe que algumas bandas têm as mesmas músicas de sempre, nunca renovaram.  O pessoal que está à frente do mercado de sertanejo é muito mais profissional, aguerrido, eles arriscam, enquanto os roqueiros e o pessoal da MPB fica naquela de criticar os outros gêneros, mas sem se mover.  Apesar disso tem gente ainda aparecendo. Tiago Iorc, Tiê. Cícero, Alice Caymmi, Dônica, Ana Cañaa, enfim, basta procurar no YouTube que acha.
MEDIOPIRA - O que vc acha do Funk?
Como eu disse, quando se trata de música tem tempo para tudo. Sobre as letras, acredito que se perdeu. O funk brasileiro era capaz de compor melodias incríveis no passado como aquela música “era só mais um Silva”, entre outras. Hoje o sexo é a temática. Falar de sexo é legal, só que está meio escroto. Já o funk internacional tem muita gente mandando bem, o Bruno Mars é um exemplo.
MEDIOPIRA - O que você acha do mercado musical do Médio Piracicaba?
Mike Santos: qualidade no Médio Piracicaba
Tem muita gente boa. Tenho medo de citar nomes e deixar alguém zangado, mas vou falar assim mesmo e desculpe se esquecer alguém. Mas, o Mike Santos é um excelente cantor de MPB, no passado havia uma banda chamada Calk, que se você procurar no YouTube vai ver que tem músicas excelentes para baixar e ouvir no carro, gosto muito da Amanda Garcias no gênero do sertanejo e o Rômulo Rás é um grande compositor. Também temos o Aggeu, que é um  dos melhores covers do Beatles do Brasil e do Mundo. Agora também temos a Livvia Bicalho que pode aparecer para o país. A banda Soul do Samba também conseguiu notoriedade regional e o Samba Club manda muito bem. No samba raiz sou fã assumido do Dan e Duca.
MEDIOPIRA -Vc já pensou em empresariar artistas? Algum projeto nesse sentido?
Já e foi um fracasso as duas vezes que tentei. Uma vez peguei uma banda do nordeste que veio para Minas Gerais tentar a vida. Jovens sonhadores, uma penca deles. A banda chamava Cara de Boneca. Fizemos alguns shows, mas o dinheiro dava para comprar comida para eles e mais nada. Depois peguei uma dupla sertaneja que no primeiro show médio, o primeira voz ficou bêbado e eu rompi o contrato no dia seguinte.
MEDIOPIRA - Se você fosse empresariar ou contratar artistas, o que levaria em  consideração? Qualidade musical? Se a banda tem boas músicas autorais pra divulgar? Se toca covers de sucesso? Se tem boas fotos e apresentação pessoal? O que conta mais?
Quando contrato para os eventos observo as particularidades do evento e se o artista atende aquela demanda e me passa segurança. Se fosse empresariar, ou seja, cuidar da carreira de artistas agora, que estou mais experiente, olharia qualidade musical, carisma, disciplina é o que eu acho que observaria.  A parte de fotos e apresentação pessoal seria trabalhado no processo, seria mais um trabalho nosso para eles.
Marketing, gastronomia, música, tudo num mesmo pacote.
MEDIOPIRA - Seus eventos gastronômicos têm sido sucesso e você está exportando o APROVEITE MINAS para outras praças. Como vem sendo essa experiência? Como é a escolha dos grupos musicais para participar? O pessoal pode enviar seus portfolios para sua análise?
O festival Aproveite Minas tem três vertentes, gastronomia, cervejas especiais e música boa. Se o grupo musical se enquadra no último quesito claro que pode nos mandar seu portfólio. Sobre a experiência é um trabalho, que demanda responsabilidade com os participantes. São dezenas de fornecedores que você tem que atender no processo, antes de começar o evento e durante. Já tivemos eventos com 10 cervejarias e 12 restaurantes, ai tem o pessoal do som, tem a parte burocrática e legal, publicidade, estrutura de som, mesas para o público, ornamentação, palco, som, luz, bandas, banheiros, segurança, parte financeira, limpeza da via ou local que foi realizado o evento, pessoal para trabalhar, enfim, você tem que cuidar disso tudo. Este ano pretendemos realizar alguns, inclusive na região.
MEDIOPIRA - As pessoas estão ficando a cada dia mais caseiras, consumindo filmes e música confortavelmente em suas casas através das netflix e spotfys da vida. Acha que a adoção desse estilo de vida camisolão tem esvaziado os eventos?
Fez monlevade voltar a foliar.
As pessoas estão mais exigentes e cada vez mais individualistas. Querem consumir produtos de qualidade na hora que querem e quando querem com o mínimo esforço possível. Porém, todos querem ter experiências e o produtor de eventos tem que lhes proporcionar essas experiências. Se eles querem qualidade, apresente-lhes gostos diferenciados e individuais. Exemplo. Estamos investindo em cerveja artesanal e estamos trabalhando em algumas receitas que farão você se sentir na casa da sua avó. Já imaginou beber uma cerveja com seu sabor tradicional e depois que engole vem um sabor de goiabada, aí você tira gosto com queijo? É nisso que estamos trabalhando. Quando for ao evento nosso, em alguns deles, você terá uma experiência nova. Estes eventos diferenciados, focados em experiências individuais e sensoriais, com produtos de qualidade vão prevalecer.
MEDIOPIRA - As pessoas andam meio afastadas da Arte e cultura. Preferem festas  de diversão e entretenimento. Existe espaço para exposições de pinturas e artesanato e de outros gêneros musicais? Não deveria haver mais estímulo?
Em alguns dos nossos eventos apresentamos exposições de fotos e arte. O que falta é um espaço adequado para esse tipo de intervenção na nossa região. Não tem um lugar que reúna ao mesmo tempo, mercado potencial, já que não podemos esquecer que se trata de um negócio como qualquer outro, espaço para o evento e ainda para exposições. O estímulo também é algo gritante. Poucas empresas aproveitam o público selecionado que vai a estes locais para fazer um marketing direto e bem feito, são consumidores excelentes, aliás o melhor público para a maioria dos mercados. O setor público também prefere investir nas tradicionais cavalgadas. Ambos perdem oportunidades, porque as cavalgadas ficam lotadas de jovens de várias cidades e o volume de pessoas dá a sensação de que a população foi em peso, quando apenas 10 a 15% vai ao evento. No caso das festas de gastronomia, a família vai. É uma ótima oportunidade política e publicitária.
MEDIOPIRA - Quais são as suas próximas ações culturais?
Foco também nas cervejas
O que posso dizer é que o ano promete, mas tem um ditado que diz que se você quiser que seus planos deem errado basta conta-los às pessoas. Vamos investir na cerveja artesanal e por isso em eventos. Temos um compromisso de participar de um evento de cerveja em Lavras Novas e estamos preparando as receitas para fabricar inicialmente no modelo cigano. Depois começam as nossas festas cervejeiras e de gastronomia. Tem muita coisa que ainda é segredo.
MEDIOPIRA - Deixe seus endereços para quem quiser se comunicar, mandar material, interagir, enfim...
Bem, estamos sempre abertos e à procura de talentos, parcerias e trabalho não apenas no setor de eventos, mas também no de jornalismo e marketing.  Nosso email é thiagomoreira.comunique@gmail.com ,whats e telefone 31 98746-7347 ou 3850-2008 e nosso site é o www.tendaviponline.com


Multi homem

sexta-feira, 9 de março de 2018

AGGEU E PAULINHO PEDRA AZUL - NO PROJETO ESQUINAS DE MINAS - EM JOÃO MONLEVADE

Aggeu e Paulinho.
Através do projeto ESQUINAS DE MINAS, João Monlevade e o Mediopiracicaba, estão tendo a oportunidade de assistir excelentes shows com grandes nomes da música mineira, muitos deles egressos do famoso movimento Clube da Esquina, que revelou ao mundo ídolos como Milton Nascimento, Beto Guedes, Lô Borges e Toninho Horta. Depois houve novas levas, com o surgimento de nomes como Flávio Venturini e o 14 Bis, Tadeu Franco, Celso Adolfo, Paulinho Pedra Azul e mais recentemente Vander Lee.  O projeto tem como "embaixador" o músico Montesclarense (e também Monlevadense)  Aggeu Marques,  conhecido como um dos maiores intérpretes e divulgadores da obra dos Beatles no planeta.

Aggeu também é compositor de mão cheia, inclusive com música gravada por Flávio Venturini. Por causa de seu excelente trânsito junto à nata da música mineira é que está sendo possível realizar o projeto Esquinas de Minas. E pela sua amizade com o Lu, do Espaço Alegrette. Na primeira edição teve a dobradinha com Flávio, que dividiu o show com o Aggeu. Agora será a vez do amado compositor e cantor Paulinho Pedra Azul. Paulinho tem público cativo pra todo lado. Suas músicas são hits cantados por gerações.
Apenas com seu violão, sua voz marcante e seu olhar, consegue hipnotizar as multidões e colocar todo mundo pra cantar junto. Seus shows são verdadeiras serenatas coletivas. Basta Paulinho começar as músicas e se quiser não precisa nem cantar, pois o povo faz o coro...e quase sempre muito afinado. Aggeu também é um músico bem acima da média. Não foi adotado por essa turma à toa. A qualidade que ele consegue colocar em tudo que pega pra fazer é sua marca registrada. Não sei o que eles prepararam para o show, se vão fazer alguma coisa juntos, enfim. Mas tenho certeza que será mais uma noite memorável, que merece ser gravada. Tomara que pinte alguém por lá que registre com mínima qualidade. 
Parabéns aos realizadores pelo arrojo, ao Luciano do Alegrete que tá se esforçando pra levar bons espetáculos para os monlevadenses. E recomendo não só aos Monlevadenses, mas ao pessoal de Itabira, SD do Prata, Rio Piracicaba, Alvinópolis. Monlevade é pertinho e o show...vai ser muito legal.


sexta-feira, 2 de março de 2018

ENTREVISTA COM A PRODUTORA CULTURAL SAMIRA LIMA

Para que possamos entender o ambiente artístico em que estamos inseridos o MEDIOPIRA vai entrevistar alguns produtores de eventos de diversas cidades para que os amigos músicos possam ter a visão do outro lado, de quem contrata e produz. E pra começar vamos falar com a produtora carioca SAMIRA LIMA. Quer dizer, carioca no momento, pois essa moça é nômade. Já residiu e produziu bastante em João Monlevade. Hoje ela desenvolve um projeto muito interessante no rio e está levando esse projeto pra outras cidades. Mas vamos à entrevista 
MEDIOPIRA - SAMIRA LIMA, como é que foi essa transição, de João Monlevade para o Rio de Janeiro? O choque cultural deve ter sido muito profundo...
SAMIRA - Já estou a 9 anos aqui no Rio, o que senti realmente foi a dimensão,sai de uma cidade pequena para uma grande metrópole, mas os problemas e dificuldades são iguais.
MEDIOPIRA: - Quais foram as suas principais dificuldades pra sedimentar seu trabalho no Rio?
SAMIRA - A concorrência, são muitos produtores, e muitos artistas que  produzem e muito bem.
MEDIOPIRA: Como está o cenário musical do Rio de Janeiro hoje? Tem muitos espaços pro pessoal tocar? O pessoal tá conseguindo sobreviver e ganhar algum dinheiro?
SAMIRA - Vamos lá, a grande verdade não vejo mudanças. Como estou numa grande cidade, os problemas acabam sendo maiores e a concorrência também. O RJ recebe artistas de todo Brasil e de fora e insisto na concorrência,muitas vezes desleal. Quando digo desleal, falo nos espaços para tocar. Onde existe a concorrência existe também um pouco de desvalorização por parte dos contratantes, ai entra também a questão do sobreviver. O Rio é um caldeirão de artistas a procura de uma oportunidade e enquanto não chega, muitos se submetem a cachês baixos para poder sobreviver,e quando digo baixo, é baixo mesmo!!!
MEDIOPIRA: O que os contratantes esperam dos artistas hoje em dia? Quais as exigências deles na hora de contratar shows?
SAMIRA - Estamos falando do artista independente, que vai tocar num barzinho. Nesse caso eles exigem um vasto repertório com músicas que estão na moda, no mínimo 3 a 4 horas de cantoria e tem locais que oferecem o cachê de R$ 150,00, o que pra mim é surreal, mas tem artistas que precisam desse valor e se submetem. É a lei da sobrevivência. No caso de shows autorais ou artistas em início de carreira, não existe contratantes. Existe produzir um show, locar o local ou trabalhar com couvert artístico e alguns casos não chega a ser 100% pro artista.
MEDIOPIRA: Você no momento está desenvolvendo um projeto muito interessante no Rio. Fale-nos um pouco sobre esse projeto.
Adorei essa logo. O FAI é itinerante. Começou no rio...mas pode
ser feito em qualquer lugar. 
SAMIRA -No meio da crise econômica e minha sede por projetos culturais hoje faço a produção da FAI: Feira de Artes Integradas que tem como objetivo aproximar a arte e cultura da população, em meio a um ambiente descontraído e divertido. Um espaço aberto a literatura, artes cênicas e visuais, fotografias, música, artesanato, produtos orgânicos e toda forma de cultura.que une empreendedores e artistas
MEDIOPIRA: O artista mineiro tem boa aceitação no rio ou a música mineira tá meio fora de moda?
SAMIRA -  Ah! Música é música, se tocou na alma está na moda!
MEDIOPIRA: O que tem de mais diferente da sua experiência do Rio para a sua fase de João Monlevade? É mais fácil conseguir patrocínios no Rio?
SAMIRA - Muito mais difícil conseguir apoio em cidades grandes.
MEDIOPIRA: No Rio tem espaço para todos os tipos de música ou tá tudo dominado pelo sertanejo e funk como aqui em Minas?
S
O FAI em Sampa. Quem sabe breve em algum
 lugar perto de você?
AMIRA - O sertanejo e funk dominaram o Brasil, é a música da moda, é a música da balada, mas sempre tem espaço para a boa música em qualquer local.
MEDIOPIRA: O que você acha dos artistas mineiros, principalmente do Médio Piracicaba?
SAMIRA - Tem ótimos artistas. Tenho muita saudade do Médio Piracicaba, ando conversando muito com Carla Lisboa (produtora e ativista cultural, já produzimos muito juntas, é minha amiga), para tocarmos algo na região, principalmente em João Monlevade, para comemorarmos 10 anos do nosso primeiro projeto na cidade.
MEDIOPIRA: Vc está empresariando novos artistas no momento? Fale-nos desses trabalhos.
SAMIRA - Bom, que fique claro, não sou empresária, sou produtora cultural e artística. Passei um ano sem produzir artistas. Mas vem novidade ai a partir de abril. Vou lançar uma turnê de uma grande artista e também produzir dois novos. Fiquem atentos!!!!
MEDIOPIRA: Você teria disposição para conhecer novos trabalhos dos artistas da região e encaminhar esses trabalhos para o mercado carioca?
SAMIRA - Sempre, mas fica uma dica: que cada artista faça seu nome na sua cidade, na sua região, invista numa boa produção, trabalhe sua identidade visual, não se iluda com grandes nomes que aparecem e só oferecendo serviços,enfim...
MEDIOPIRA: Deixe os seus contatos, site e midias sociais para que o pessoal possa interagir com vc, encaminhar material, contratar shows, etc...
SAMIRA: Samira Lima 21 990109758 (whatsapp) samiralima.fai@gmail.com @fai.arte @faiprodutora

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

O APOCALIPSE DO ROCK

Essa semana surpreendeu o mundo a notícia sobre a terrível situação financeira da Gibson. A meninada simplesmente parou de comprar guitarras. E o que isso significa? Que o rock está agonizando mesmo. Vive do passado.

Mas o que aconteceu?

Fábio Elias ( do meio) - BANDA RELESPÚBLICA
Reproduzo aqui um texto do roqueiro curitibano Fábio Elias, que fez sucesso nos anos 80/90 com sua banda RELESPÚBLICA. " O rock parou de contestar a sociedade, suas regras e desviou do caminho da liberdade de expressão e de indignar-se, provocando a esperada mudança de comportamento. Não tem mais peso no discurso revolucionário e transformador. Ficou preso nele mesmo e nos seus próprios clichês, virou pastiche e mais do mesmo. Kurt Cobain foi a última voz rebelde, mas tirou a própria vida, desiludido e acovardado diante dos seus sonhos e problemas. O jovem não se identifica mais com esse estilo de vida. Hoje um garoto de 15 anos não sonha mais em mudar o mundo com uma guitarra e uma letra gritando com o coração na boca e sim com um celular na mão e um milhão de seguidores sem sair de casa. O movimento dos inconformados que vinha das ruas deu espaço para a comodidade virtual do bom mocismo conformado e inerte da droga viciante da internet. Não se vê mais tribos urbanas espalhadas pela urbe, cada vez mais abandonada e sem agitação. Ninguém se encontra pra trocar ideias e ideais. A luta agora é por defesa de opiniões individuais e sem unidade. E o Rock não fala disso. Fala de liberdade, com jovens buscando espaço para serem vistos e ouvidos como agentes transformadores, clamando por um mundo sem as divisões, barreiras e convenções tão comuns nos dias de hoje. Falta coragem e ímpeto nos corações e mentes dessa geração. Posso soar como um idiota que não viu que o mundo mudou, mas não era esse o mundo que eu sonhei encontrar. Acho que a culpa é da minha geração que não sabia onde estava nem onde ia chegar. Demos um tiro na boca e calamos nossa voz. Que tiro foi esse?"

Freud explica

Penso que existe uma razão sexual também. Muitos, mas muitos músicos mesmo entravam nas bandas pra pegar as meninas da época. O guitarrista empunhava sua guitarra como se fosse um orgão sexual em riste e se exibia pras moçoilas e não raramente conseguiam seu intento. Havia um fetiche e uma fantasia vida louca que atraia e conferia realmente um "sex appeal" aos guitarristas.

 Guitarristas de hoje

Salvo raríssimas exceções, tem de se conformar em ser coadjuvantes em bandas sertanejas. Até o axé tá meio fora de moda.

O negócio hoje é ser MC

Os heróis da música hoje são os MCs. Rapidamente conseguem centenas de milhares de seguidores. Os caras não precisam saber tocar nada. Precisam de um boné bacana, umas tatuagens misturando romantismo e profanação de símbolos e preferencialmente, serem magros, esquálidos mas com barriga tanquinho. E pra cantar, músicas que repetem mais ou menos as mesmas frases: "e quica, e quica, vai descendo até o chão, ousando com algumas pimentas de obscenidades.
 E as guitarras?

Daqui a pouco chegarão no patamar dos violinos, instrumentos exóticos para algumas funcionalidades. E o rock, vai figurar entre os ritmos que já foram preponderantes mas caíram no desuso, como o bolero, o tango, a valsa, o foxtrot, a salsa, o fricote, as marchinhas...

 Véi também é gente

Existe uma geração inteira que ainda ama o velho e bom rock and roll. Por isso é que haverá sobrevida. Nós que somos "véios" continuaremos fazendo e promovendo o rock. Quem sabe não consigamos acordá-lo da quase morte?

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

A DURA REALIDADE DA MÚSICA BRASILEIRA

A cultura brasileira borbulhou durante o carnaval, mas e agora? O que teremos pela frente?
SAMBA VAI SAINDO DE CENA DEVAGARINHO
Durante o carnaval, o gênero que mais identifica o Brasil no exterior voltou a reinar. Durante uns 15 dias as escolas ensinaram samba e desfilaram orgulhosas, celebrando a glória centenária desse estilo que tem raízes africanas e temperos tão brasileiros. Mas depois do carnaval, sai de cena e fica mais nos guetos.
SERTANEJO VOLTA A IMPERAR
Passada a folia, silenciados os tambores, volta a sofrência nossa de cada dia. O gênero sertanejo vem ocupando todos os espaços entre as músicas mais executadas no pais, com pouca possibilidade de mudança nessa tendência no curto prazo.
FUNK EM SEGUNDO LUGAR
O Batidão promete ser o único gênero a arranhar a supremacia sertaneja. Anitta lançando um clip por mês vai vitaminando o mundo funk. Embora que Anitta investe em outras batidas latinas, como o Reggaton por exemplo. Mas a produção em série, o mercado dos funks é gigantesco. Outros heróis como Toddynho aparecendo...
ROCK NO UNDERGROUND
Parece que a roqueirada nova prefere permanecer no underground. Não vemos tentativas de erigir hits. Sabe aquelas músicas grudentas, com refrões pegajosos e letras pequenas? Sabe aquela irreverência de outros tempos? Sei lá. O rock ficou triste, depressivo, sem apetite pop. Sobrevive dos covers das bandas do passado.
MPB VOLTANDO COM FORÇA?
Venho lendo ultimamente algumas previsões otimistas sobre a MPB. Há quem diga que deve voltar com força pois a juventude está mais reflexiva e exigente quanto aos conteúdos. Será? Tomara. Estamos mesmo precisando de sustância, de um pouco mais de poesia no cotidiano.
MEU CORAÇÃO NÃO SE CANSA DE TER ESPERANÇAS
Há pouco tempo tive acesso a uma pesquisa de opinião que me jogou na lona. Foi uma pesquisa política feita na região do médio piracicaba. Nessa pesquisa entre várias, foi feita uma pergunta simples: qual você acha ser o assunto que merece mais atenção por parte dos administradores municipais? E a cultura recebeu 1% dos votos. Ficou em último lugar. Mas querem saber de uma coisa? Fazer com que a arte e a cultura passem a ser percebidos como ativos importantes para a nossa gente, depende principalmente da disposição dos agentes culturais, dos artistas e simpatizantes. Precisamos aprender a botar banca, a nos unirmos em torno das afinidades. Por exemplo: a cultura não consegue fazer um vereador, um deputado que seja. Você se lembra de algum político que se elegeu tendo a cultura como bandeira? Pois é. Falta uma coisa chamada representatividade. Mas tá sempre em tempo.  Bora fazer barulho?  

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

O CARNAVAL E O VALE-LOUCURA


O melhor do carnaval é que gente tem licença pra ser louco. É sério! A gente ganha um vale-loucura pra usar por 4 dias. Aproveite o seu. Hoje tô mais pacato, mas já fiz algumas estrIpulias. Certa vez me vesti de juiz de futebol. Fantasia de autoridade? Pode ser! Freud explica, mas não cabe. Arrumei um apito bacana, uma roupa preta e um monte de cartões: vermelho, amarelo, verde, azul e branco. Sai expulsando um monte de gente. Claro, muito bêbado pra amortecer o vexame. Mas... vexame por que? No carnaval tudo pode. Também já me fantasiei de árabe. Bem clichê. Mas acabou que vários tiveram a mesma ideia e rolou uma comunidade no clube que se juntava pra beber e fazer bagunça. Pena que só tinha homens. As 12 virgens deviam esperar no paraíso. 
Já vi neguim fazendo cada coisa. Fiquei surpreso quando vi doutor e gerente autoritário rebolando na boquinha da garrafa. Não esperava tamanha transgressão. Mas no carnaval pode! Tem muita gente que aproveita pra sair do armário também. Sabem como é que é né? Vestem-se de mulheres e se sentem tão à vontade que a roupa acaba colando. Outros gostam do teatro mesmo, de brincar com os papéis. Antigamente o pessoal se fantasiava mais. Jamais me esquecerei de um sujeito que ficava hospedado na casa do meu avô. Ele fantasiou-se de astronauta. Não sei como conseguiu uma fantasia tão perfeita. Só que em suas costas não havia tubos de oxigênio como nos filmes. Havia é cachaça...e saia um canudinho ligado ao seu capacete onde ele ia se abastecendo no meio dos blocos. Muitos vinham pegar um pouco de oxigênio com ele. Depois lembro-me também de pessoas que viravam drags e escandalizavam. Não buscavam a exuberância das drags atuais, mas o ridículo. Usavam decotes cavadíssimos e tanguinhas minúsculas. De vez em quando levantavam as saias e mostravam o que não deviam. Mas é carnaval. Tudo pode.
 Antigamente o lance perfume era liberado. E a turma que não tinha grana pra comprar fazia seus lolós. As meninas desfaleciam e aproveitavam pra beijar e beijar e beijar sem discriminar bocas. Além do vale-loucura, o carnaval tem a cultura. Tem a música exuberante, os ritmos de cada época, as memórias de tantos folias, romances e loucuras. Tem as escolas de samba, que trazem sempre temas atuais ou homenageiam a história. 
Tem as baterias e batucadas, com suas pulsações, corações sincronizados no compasso do maestro. Tem os blocos, onde pessoas se reúnem por tesões compartilhados, pelo desejo de se agregar nas afinidades sonoras ou estéticas. Tem a democracia, do carnaval em todos os gêneros, seja com marchinhas, sambas, axé, rock, jazz, beatles, sertanejo. Vale tudo. Tem toda uma industria e uma economia, quando artistas, bares, restaurantes e ambulantes tem como faturar seu ganha pão. E tem o maravilhoso vale-loucura, a permissão pra pirar, beber de cair, beijar muito, viver as fantasias e ser feliz sem limites. E você? Qual é a sua fantasia?



sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

A MARAVILHOSA MÚSICA DO MÉDIO PIRACICABA...

Podemos nos orgulhar da excelente música produzida no Médio Piracicaba. São inúmeros talentos em diversas cidades.

 ITABIRA

Maíra Baldaia
A cantora e compositora Maíra Baldaia é luxo só. Vem levando seu "POENTE E OUTRAS PAISAGENS" aos  palcos de Minas, ao Rio, à Europa e vem sendo elogiada pela crítica e muito bem recebida pela mídia.  Ah...ganhou prêmio de melhor intérprete no Festival da Música em Alvinópolis também. Seu primeiro CD não é apenas uma coletânea de músicas.  Tem unidade sonora e poética.  
Jesus Henrique
Gosto  também do rock bem humorado do Rivotril, do trabalho muito bacana de percussão dos Meninos de Minas, das experimentações do Igor Venal, do Nosso Fulcro , da qualidade do Jesus Henrique, juntamente com Marçal Filho, Luis Bira e outros, guardiões e perpetuadores da obra do grande Nilton Baiandeira. Esses dias ouvi um trabalho  muito promissor também, de um Grupo Vocal chamado Meninar.  É muita exuberância...

JOÃO MONLEVADE

Romulo Rás.
Monlevade tem músicos muito bons que estão sempre se apresentando na região. Dou o maior valor àqueles que defendem seu pão munidos apenas dos seus violões. Do tipo "Eu, meu violão e Deus contra o mundo". Por isso sou muito fã de Rômulo Rás, João Roberto, Ronivaldo, Mike Santos. Ricardo Monlevade e Eustáquio Ambrósio também fazem o fino da música com seus teclados encantados. Tem também o Samba na Sola, no esquema violão, pandeiro e sambadubom. Mas também tem a turma do SOULDUSAMBA, Banda Agá e Segunda Opção, excelentes no entretenimento. E tem ainda as bandas UMBIGO, Banda Dirock e DEZARM. No Sertanejo tem Josagno, tem Elcimar, tem Livvia Bicalho. Ah...e ainda tem o luxo de ter Aggeu Marques morando na cidade e sempre mandando ver principalmente no Alegrette.

SÃO GONÇALO

Só meu amigo Topete já é uma festa sozinho. O cara é um dínamo, toca vários instrumentos, deve ter umas 3 ou 4 bandas em gêneros diferentes e arrasa em todos. Tem as bandas Wiscky e Blues e Neanderthal e também a maravilhosa Família Rodrigues, onde imagino que até os bichos toquem algum instrumento. Dessa família tem o premiado violonista Aulus Rodrigues, um dos melhores de Minas Gerais.

CATAS ALTAS

De uma das cidades mais deliciosas da região, duas cantoras de alto nível: Camila Calais e Lili. As duas são muito boas. Lili tem a banda LiliBand, onde toca baixo e muito bem. Ela recentemente teve ótima participação no The Voice Brasil.

ALVINÓPOLIS

Bateria Colibri
Alvipa tem músicos pra todo lado. Tem Cuca, um dos artistas com melhor preparo físico que conheço e com repertório para 4 dias de música direto. Tem Maycon e THIAGO, dupla sertaneja da voz de veludo, tem ainda Gilvan Linhares, sucesso com seu boteco do Gilvan tem Marcela Moraes, tem a Banda de Rock Porão 71, que toca rock dos anos 80/90 com uma qualidade impressionante, tem OS MORCEGOS, que toca a música da jovem guarda, tem a Bateria Colibri, desfilando sua alegria e contagiando o povo com seu batuque de matar.

SÃO DOMINGOS DO PRATA

De SDP uma excelente safra. Pra começo de conversa, tem o consagrado compositor e cantor Celso Adolfo, cujas belas canções ainda continuam conquistando o mundo. Coração Brasileiro e Nós Dois são hits que já devem ter gerado uma boa grana em direitos autorais. 
Silvanna Martins
E tem também Silvanna Martins, talvez a cantora do MÉDIOPIRA que tenha mais rodado o Brasil levando à nossa arte. Silvana é operária da música, incansável e competentíssima. 

RIO PIRACICABA

Mike Santos
De Ripiracicaba vem Mike Santos, moço da voz aveludada e muito swing na mão direita. Tem também o grande Laércio Silvano, excelente cantor e violonista, além da cantora teen Clara Resende. 

VITRINES DO MEDIOPIRA

O MEDIOPIRA será sempre  uma vitrine para divulgar a boa música produzida na região.  Que em 2018 nossos agentes culturais tenham criatividade para pensar eventos capazes de celebrar essa qualidade e de colocar essa gente boa pra circular sua arte.  E podem contar com a parceria da MEDIOPIRA e com o Jornal BOM DIA.