terça-feira, 12 de abril de 2016

SOUL DUSAMBA. A BANDA DO MOMENTO

Se tem uma banda do MédioPiracicaba que merece o sucesso que vem conquistando é a SOUL DU SAMBA. Já começa pela escolha do nome, bonito e sonoro. Parece nome de banda consagrada. Isso ajuda. Mas não é só isso. Também teve a sorte de reunir artistas experientes, bons músicos com alma pop, que se harmonizaram muito bem e tocam com extremo prazer. Pra completar, a turma é boa de marketing e invade as redes sociais, lança produtos o tempo inteiro, seja cds, seja singles, seja DVDS. Não é a toa que é no momento a banda mais profissa da região, a que tem mais mercado, cujos shows cabem tanto em boates como em exposições agropecuárias, carnavais, uma banda que casa com tudo, que segue tocando com tesão e espirito de brincadeira. Conversei com MARCO AURÉLIO, cantor e um dos idealizadores do Soul Du Samba. Na entrevista, um verdadeiro raio X na carreira da banda. Então vamos à entrevista...
1)     O Soul do Samba juntou músicos de dois grupos de reconhecida qualidade: a banda de Rock Infocus e a banda de samba VEM SAMBÁ. O Soul do Samba mistura Rock com samba, mas o nome remete à alma do samba. Qual o percentual de rock e o percentual de samba da banda?
O nome é sempre algo muito difícil em uma banda ne rsrsrs? Queríamos um nome que mostrasse esta junção de dois estilos e também que mostrasse um pouco de onde cada grupo veio. Daí nasceu o Soul Du Samba. Remete um pouco ao rock com pitadas de black music que faziamos e o samba dos novinhos (apelido que a parte sambista da banda leva porque realmente são muito mais novos que os velhos do rock rsrsrs)...Acredito que seja  50% samba 50% rock e isto você percebe claramente nos shows.
2)      No passado existiram artistas que fizeram uma interessante fusão de samba com rock, um estilo que ficou conhecido como Samba Rock. A primeira vez que ouvi algo no gênero foi com Lee Jackson, que misturava riffs clássicos do rock com baterias de samba. Teve ainda o Trio Mocotó, outro precursor. Depois teve Jorge Ben Jor, que levou a guitarra pro samba. Hoje em dia talvez o maior representante do gênero seja o "Seu Jorge". O Sambô também faz um trabalho de fusão. E o Soul du Samba? Como vocês se enxergam nesse contexto? Quais o diferenciais da banda?
Marcos, eu acredito que o nosso diferencial, que chamou tanta atenção no inicio foi misturar riffs de guitarra , distorção e sintetizadores no samba . Isso fez com que as pessoas olhassem pra gente naquele momento.Todos os artistas citados acima tiveram um papel muito importante para o samba rock no brasil. Preciso citar que realmente eu não conhecia o Lee Jackson e quando li sua pergunta corri ao youtube para me salvar rsrs.. o soul du samba deve muito a este cara mesmo sem a gente ter se conhecido rsrsrs. (todos temos influências).
3)     Lembro-me de quando o Marco estava com a ideia de criar uma banda que juntasse a força do rock com o swing do samba. O rockbrasil já passava por uma fase de decadência e o Marco tinha essa urgência em experimentar algo novo e sair da mesmice. E aí? Valeu à pena?
Eu realmente vinha tocando com a Banda Infocus a 15 anos ininterruptos e a cada dia que se passava sentia vontade de fazer algo diferente. O mercado na ocasião estava isso péssimo e aquilo estava dando com um desanimo musical enorme. Cheguei a pensar em parar, pois ja tinha tentado de tudo e não aguentava dar mais murros em ponta de faca.Foi quando Thiago, guitarrista do Infocus e o Arthur, ex "Vem sambar" junto ao produtor Jader tiveram essa ideia. O sambô estava começando a aparecer tocando rock em forma de samba e dai o Jader disse: - poxa, esses caras são bons mas não são rockeiros rsrs. Vcs já pensaram em fazer algo assim, mas colocando pitadas de rock que é o que vocês sabem fazer? Ai respondemos: - mas nós são somos sambistas rsrsrs. AÍ ele retrucou: - arrumem alguns....kkkkk. Pronto! Ele colocou a minhoca em nossa cabeça. Como bom rockeiro tive um pouco de medo, mas fui vencido pelos meus amigos. Dali a achar o resto da turma durou alguns meses, algumas reuniões e eu sempre achando que aquilo não ia sair do papel. Em Out de 2012 fizemos o primeiro ensaio e no dia 5 de jan fizemos o nosso show de estreia onde apostamos tudo, até nossa dignidade kkkk...pois a unica certeza que tínhamos é que a provação do povo seria 8 ou 80. Graças a Deus aquele dia entrou pra história da banda e dali em diante o trem não parou mais...
4)     Essa ousadia levou vocês bem longe. Quantos shows fizeram e em quantas cidades. Quais os shows mais importantes?
O ano da estreia 2013 foram cerca de 120 shows. Aquele ano mudaria nossas vidas kkk. Depois disso paramos de contar a quantidade de shows. Foram tantos shows importantes. acredito que o primeiro seja o que mais mexeu com o intimo de todos, porque como era uma aposta e não tínhamos a minima ideia se o público ia gostar ou não...se o show iria funcionar. Além disso usamos na publicidade uma foto nossa que só mostrava a sombra lkkkkkk. Era algo do tipo, vem ai a mais nova banda de samba rock da cidade e uma foto só com nossa sombra pra criar curiosidade na galera...kkkkkkk. Foi uma loucura porque alguns amigos sabiam da junção das bandas ai começaram burburinhos na cidade: -Nohh! Fiquei sabendo que a Infocus acabou e juntou com um grupo de pagode . Noh! Fulano arthur agora vai tocar rock, marquinhos vai cantar samba kkkkkk... Com este burburinho aguçou a curiosidade da galera e a fila da estréia virava quarterão no dia do show.... Foi Inesquecível... Depois acredito que a gravaçao do 1 cd e dvd que foi 3 meses depois deste primeiro show foi algo super emocionante, eu  ja subi no palco chorando e continuei ali engasgado por mais umas 3 musicas...kkkkk. Abrimos muitos shows legais como o próprio sambô , mas nada se comparado a gravação do primeiro e segundo cd e o lançamento dos mesmos. ahhhh ja ia me esquecendo...Nossa passagem pelos bastidores do Super Star foi mágico. Recebemos a ligaçao: - Alo, vcs são do soul du samba ?- Sim . - Aqui é do Super Star da Globo e vcs foram selecionados para a audição. A moça ficou falando tempos e Thiago calado sem falar nada.. Ela desligou e ele teve que ficar ligando pro mundo pra ver se não era trote rsrsrsrs...Acabamos não entrando, más foi uma emoção diferente.
5)     Como vocês elaboram os roteiros dos shows de vocês? Como é a escolha das músicas?
Marcos, a primeira Turnê foi algo muito instantâneo. Estávamos nos redescobrindo .A gente aprendendo a tocar samba e a galera do samba aprendendo a tocar rock. Tinha muito do set list da Infocus ali, até porque ja sabíamos o que no show iria funcionar e ai era só colocar o samba na parada. Não tínhamos muito tempo, porque o começamos a ensaiar em out 2012 e o Jader marcou o primeiro show pro dia 05 de Jan de 2013. Me lembro que na semana do show vimos que o show inteiro não rolaria por causa do tempo e decidimos dividir o show. Ele começaria samba rock no meio pararíamos e tocarianos 4 rocks pra mostrar o que faziamos antes e depois 4 sambas pra mostrar o que os meninos faziam antes da banda e terminaria o show voltando o samba rock. Isto deu tao certo que fizemos este show o ano todo ..os 120 shows kkkkk.... O mais legal disto tudo que hoje usamos o rock e o samba nos carnavais que fazemos tb e além disto temos um projeto de samba de roda que começou a pouco tempo todo domingo na castelo branco que se deve muito a este sambinha da primeira turnê.  Este samba tem dado uma média de 600 a 800 pessoas todo domingo... Esta segunda Turnê que é o nosso segundo cd/dvd , estamos na  metade dela ja foi algo com mais tempo pra planejar, samplear elementos que não tinhamos na banda, pensar melhor no repertorio escolhendo coisas que tb gostariamos de tocar etc....
6)     Como as pessoas tem reagido aos shows do Soul do Samba? Elas tem interagido?
O segredo do nosso show é ser extremamente interativo, é dar o tom e deixar a galera cantar. Se colocarmos uma musica e o povo nao cantar ela volta mais uma vez em um outro tipo de publico. Se não funcionar tá fora lkkkk. Acreditamos em música simples que faça o povo cantar. O simples sempre foi mais bonito.
7)     Qual foi o retorno que tiveram com o DVD que fizeram? Você tem vendido ou utilizado mais como material de venda de shows?
O retorno foi gigantesco. Como disse acima, o primeiro ano com o material na mão foram vendidos 120 shows .Eu disse vendidos ! kkkkk. Agente opta por dar cds todo show, damos muitos cds todo show e deixamos o dvd mais pra contratantes, más claro que se um fã pedir tem sempre um la na maleta rsrsrsrs.... Os shows se multiplicam com estes cds. Podem ter certeza disto.
8)     Qual consideram ser a mídia preferencial de divulgação hoje em dia?
Hoje com certeza, pra quem tem pouca grana são as redes sociais, sem sombra de dúvida  e os cds... Não dá pra ficar sem distribuir o cds, As vezes ficamos sem cachê pra nao ficar sem cds....
9)     As rádios tem executado as músicas de vocês?
Até poucos meses atrás não! Mas acabamos de fechar uma parceria com a Alternativa que será de extrema importância pra banda, pro som começar a tocar agora em 2015...e também em Itabira na rádio Caraça FM onde está sendo executada a música "A Praia" e tem tido muitos pedidos pelo telefone
10)   Existem planos de gravação de músicas inéditas? Tem composto músicas novas? Conhecem os compositores de samba da região? Costumam procurar músicas com novos compositores?
Marcos, temos planos de um novo trabalho para out 2016 e queremos nesse novo dvd ter pelo menos de 4 a 5 músicas próprias.Fazer um dvd diferente mas nao posso falar muito agora pois é segredo rsrs. Estou compondo algumas coisas pra banda , más pra min tb tem sido algo novo compor samba rock. Ja tenho 3 pra este novo álbum e a minha primeira já tem vídeo clip e se chama "A Praia". Pretendo também colocar alguma do Infocus neste novo trabalho, quem sabe "O Caos" que tem um tema que não envelhece né? Infelizmente conheço poucos compositores de samba em nossa região , mas fica a dica pra quem for compositor e quiser nos mostrar algo. É so mandar no email souldusamba@gmail.com.
11)   Deixem contatos, endereços para ouvir as músicas de vocês, site, agenda de shows, contatos para quem quiser contratar a banda...
Para contratar ou pelo email souldusamba@gmail.com , pelo Zap. 31.94770358 ou pelo inbox do face https://www.facebook.com/souldusambamg/
Pra quem quiser ver o Video clip da Música A Praia - https://www.youtube.com/watch?v=WnmzYjJqZf0

sexta-feira, 8 de abril de 2016

O VIOLÃO MÁGICO DE AULUS RODRIGUES

Aulus Rodrigues é prova viva de que educação vem de berço. Nasceu em São Gonçalo do Rio Abaixo em uma família extremamente musical, onde teve as bases para se tornar um dos violonistas mais respeitados no país. Mas vamos a entrevista.

MEDIOPIRA – Aulus Rodrigues, como foi a sua infância musical. O que os seus pais ouviam?
Como você bem colocou na pergunta, minha infância foi musical, extremamente! Em casa a gente ouvia uma infinidade de coisa. Música clássica, rock internacional, música brasileira... Fui influenciado não só por meus pais, mas por toda família. Cresci ouvindo meu avó tocar em sua flauta músicas de Pixinguinha, Benedito Lacerda e Waldir Azevedo.

MEDIOPIRA – Como é que você começou a tocar?
Para mim foi algo natural e inevitável. Com um ambiente familiar extremamente musical, é praticamente impossível não tocar um instrumento. Até os 10 anos de idade eu não havia feito nenhuma aula formalmente, mas aos seis já tocava e cantava Raul Seixas, Titãs e Mamonas Assassinas.

MEDIOPIRA – Além do violão, domina outros instrumentos?
Toco saxofone também, em apresentações com o Grupo Musical Família Rodrigues.

MEDIOPIRA -  Também toca música popular, cantando ou acompanhando outros artistas ou foca apenas no violão clássico?
É quase impossível encontrar um violonista clássico que não toque ao menos um pouco de música popular, especialmente em um país como o Brasil, que tem uma cultura popular tão rica. Desde o início, direcionei minha formação e atuação profissional para a música clássica, é o que eu faço de melhor, mas eventualmente realizo sim alguns trabalhos com música popular.

MEDIOPIRA – Qual o suporte necessário para uma apresentação sua?
A melhor forma de ouvir um recital de violão é sem o uso de microfones ou quaisquer outros equipamentos de som. Mas para isso é necessário principalmente que o teatro tenha um bom tratamento acústico. Como nem sempre essa é a realidade, geralmente necessito apenas de microfone, pedestal e uma cadeira.

MEDIOPIRA – Em suas apresentações, você toca apenas música para o público especializado ou seus shows são acessíveis para as pessoas comuns?
Eu acho, na verdade, que não existe uma música que só o chamado público especializado é capaz de consumir e apreciar. O que acontece é que o acesso do grande público a qualquer manifestação artística fora dos parâmetros comerciais é completamente limitado e até mesmo desestimulado. Então o que eu procuro é justamente atrair um público cada vez maior para a música instrumental. Não é preciso ser nenhum especialista para entender e gostar dessa música.

MEDIOPIRA – Qual o cenário para o violão clássico hoje em dia? Tem demanda?
O espaço para o violão clássico no Brasil está cada vez maior. Basta observarmos a quantidade de festivais e séries de concertos dedicadas exclusivamente ao instrumento. Por outro lado, o número de bons violonistas também aumenta a cada dia, o que é excelente. No final das contas, como em qualquer estilo musical, cada violonista é que tem que conquistar o seu espaço e criar o seu público.

MEDIOPIRA – Dá pra ganhar dinheiro com o violão clássico?
Com certeza. Se você vê um violonista se apresentando em um palco, ele está trabalhando e, consequentemente, recebendo cachê. Outra possibilidade de renda é atuar como professor do instrumento em escolas de música ou mesmo em aulas particulares. Além disso, o violão pode se tornar também porta de entrada para outras atividades profissionais como produção musical, gestão cultural, realização de projetos, trabalhos em estúdios, consultorias na área de música, etc.

MEDIOPIRA – Para você, qual foi o ponto alto de sua carreira até agora?
Gostaria de destacar dois. O primeiro foi quando me apresentei pela primeira vez como solista de uma orquestra. Foi com a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, no Grande Teatro do Palácio das Artes, sob a regência do maestro Roberto Tibiriçá.
Outro momento marcante foi a apresentação que fiz no Theatro Municipal de São Paulo, no concerto em comemoração aos 35 anos da Rádio Cultura FM. O concerto foi transmitido ao vivo pela rádio, teve cobertura da TV Cultura e o teatro ficou completamente lotado. Inesquecível!

MEDIOPIRA – Em quais lugares houve mais receptividade para a sua música?
Vez ou outra a gente percebe que o público está mais atento, com aplausos mais intensos, mas não saberia indicar especificamente os lugares onde isso aconteceu.

MEDIOPIRA – Você também é compositor ou só intérprete?
De vez em quando brinco de compor, mas fica tudo na gaveta.

MEDIOPIRA – Gosta de outros gêneros musicais?
Ouço bastante rock e mpb, mas não fico muito preso a gêneros não, se a música me agrada entra na minha playlist. Pode ser Beethoven, Caetano ou Metallica.

MEDIOPIRA – Você continua residindo em São Gonçalo. Qual é a sua relação com a cidade hoje. As pessoas reconhecem o seu valor? Ficou famoso na cidade?
Por se tratar de uma cidade muito musical, me sinto realizado por ter voltado a residir em São Gonçalo após o término dos meus estudos. Hoje eu sinto que minha maior missão é contribuir para o desenvolvimento artístico da cidade, realizando projetos, promovendo eventos, compartilhando conhecimentos e colaborando com os jovens músicos.

Quanto ao reconhecimento, São Gonçalo é super receptiva nesse aspecto. Tanto o poder público quanto a sociedade reconhecem o valor de todos os artistas da cidade.

MEDIOPIRA – Quais os projetos vem desenvolvendo e quais os sonhos para o futuro?
Junto à prefeitura eu coordeno a Escola de Música de São Gonçalo. Neste projeto atendemos mais de 280 pessoas, com aulas de diversos instrumentos e canto coral. Estou bastante envolvido também com o trabalho do Grupo Musical Família Rodrigues, que nos últimos anos tem focado no mercado de música para casamento.
Para o futuro desejo gravar o meu CD. Vamos ver se sai em 2017...

MEDIOPIRA – O que aconselha para quem quer se aprofundar no violão clássico?
Procurar um professor. Não existe atalho, tem que se dedicar e sempre buscar fazer o melhor.

MEDIOPIRA – Você é crítico ao atual momento da música ou acha que tem espaço para todos?
Quem produz uma boa música e trabalha com profissionalismo sempre terá boas chances de conseguir algum espaço, mas a batalha é desigual. A grande mídia só promove artistas e músicas que se enquadram num certo padrão por eles estabelecidos, se sua música não se encaixa neste padrão, as coisas ficam mais difíceis. Como consequência, os contratantes gastam milhões com artistas que nada trazem de novo e o que sobrar (se sobrar) fica para quem corre por fora. E o povo acaba ficando sem escolha, pois nada diferente lhe é oferecido.

MEDIOPIRA – Quem quiser contratar uma apresentação do Aulus Rodrigues deverá entrar em contato com quem? O custo é alto?

Para me contratar é só falar diretamente comigo. Em meu site tem os contatos. Quanto aos valores isso é negociado, mas garanto que é bem tranquilo, principalmente por demandar pouca estrutura.

MEDIOPIRA – Quem quiser se aprofundar no trabalho do Aulus Rodrigues pode acessar através de quais endereços virtuais?
www.aulusrodrigues.com

facebok.com/rodriguesaulus

sexta-feira, 1 de abril de 2016

CARLA CULTURA LISBOA

O MEDIO PIRA é um espaço novo, coluna publicada no Jornal BOM DIA, que vai trazer a cada semana entrevistas com personalidades da arte e cultura do Médio Piracicaba. E Já começamos entrevistando uma das pessoas que mais movimenta a cena artística de João Monlevade: a onipresente CARLA LISBOA, uma produtora que merece todos os aplausos e reconhecimentos. Tenho até dificuldades em defini-la. Multi-tarefas? Camaleoa? Tudo e mais um pouco! Carla é atriz, produtora, militante da área cultural, mega gentil no trato, trabalha em silêncio, parece até oriental de tão zen, pau pra toda obra, sensível para as causas artísticas, tem uma super vontade de ajudar os artistas  a botar o pé na profissão, é co-fundadora do Coletivo 7 faces, que promove diversos festivais de música e cultura...e inventa uma enorme quantidade de eventos com pouquíssima verba, mas com grande qualidade. E o principal: abrindo vitrines para a nova arte produzida na região e em todo o Brasil. Não sei se a turma local concorda, mas em minha opinião ninguém e nenhuma instituição movimentam mais a cena local do que ela e a turma do 7 faces. Mas vamos à entrevista...

MEDIOPIRA: Carla Lisboa. O que te move a abraçar a arte e cultura com tanta força?

AMOR. Parece simples, mas infelizmente são raríssimas as pessoas que realmente colocam PAIXÃO no que fazem, digo isso não apenas na área cultural. E se tratando de cultura especificamente, que é tão pouco valorizada principalmente em nossa região, se não amar o que faz, você não vai muito longe. A arte pra mim é como um órgão vital, como o coração, aliás, como o pulmão, sem ela eu não conseguiria nem respirar.

MEDIOPIRA: Quando foi que você percebeu que a arte seria a sua?

Acho que sempre fez parte. Quando criança, preferia ficar no quarto lendo um livro a sair pra brincar. Sempre gostei de escrever, de inventar histórias.... comecei com o teatro ainda adolescente, pra “curar a timidez”. Fiz alguns cursos livres e oficinas de teatro, até ir para o Galpão, em BH. O trabalho como produtora surgiu um tempo depois, em 2008, e desde então, tive a certeza de que era o que eu queria fazer pra vida toda.

MEDIOPIRA: Você se considera mais atriz ou mais produtora cultural?

É difícil responder. Apesar do trabalho como produtora ser mais intenso, o teatro é minha grande paixão, sinto falta de atuar, de estar nos palcos. Mas não me imagino sendo apenas atriz, ou somente produtora. Acho que sou todas em uma só.

MEDIOPIRA: Como você avalia o público consumidor de arte na região? Tem espaço por exemplo pra música que não seja a popularesca consumida pela massa?

Sempre que se fala em arte aqui na região, costumo ouvir em coro: Ah, aqui o público só gosta de sertanejo. Só consome evento de massa. A primeira ação do Coletivo 7faces foi o Grito Rock, em 2013, e muita gente apostou que não passaríamos da segunda edição; bom, esse ano já estamos indo pra quarta. A música sempre foi nosso “carro chefe”, mas esse ano estamos reformulando o coletivo, vamos focar mais na literatura e no teatro, mas claro, mantendo os festivais de música que já realizamos. Iniciamos essa mudança com o Sarau das 7faces, que é um evento mensal, e a cada edição o público vem aumentando. Acho que funciona como a lei da oferta x demanda. O público consome o que é oferecido. Tem espaço pra todos.

MEDIOPIRA: Como é que funciona a 7 faces?

Na raça! (risos). Somos uma equipe pequena. Temos muitos colaboradores, mas a equipe “fixa” do coletivo é formada por 3 ou 4 pessoas, de áreas totalmente diferentes, mas todos ativistas culturais. Apesar de ser a gestora e estar à frente do coletivo, não decido nada sozinha, não temos hierarquia, tudo que fazemos é decidido em grupo.

MEDIOPIRA: Como você avalia o cenário da arte em Monlevade hoje em dia?

Nossa cidade é muito rica culturalmente, temos muitos artistas tanto na música, quanto no teatro, na dança, literatura, artes plásticas... e muitos talentos escondidos. O que falta ainda é apoio e espaço para esses artistas mostrarem seus trabalhos. Falo de apoio de um modo geral, principalmente do público.

MEDIOPIRA: Creio que tenha sido enriquecedor pra você integrar uma instituição pública, no caso a Fundação Casa de Cultura de Monlevade.  Valeu à pena?

Estive na Fundação Casa de Cultura por 14 meses, e foi uma experiência bem enriquecedora pra mim. Valeu a pena com certeza, toda experiência é válida. Aprendi muito no tempo em que estive lá.

MEDIOPIRA: Como tem sido a relação com as empresas locais? Elas tem reconhecido o trabalho de vocês patrocinando os eventos? E o poder público?

Não trabalhamos apenas com valor monetário. O coletivo trabalha com a economia solidária e criativa. Em todos os eventos que realizamos, contabilizamos como moeda todo tipo de apoio, seja financeiro, mão-de-obra, divulgação, etc. E tanto das empresas privadas quanto do poder público, esse reconhecimento infelizmente nunca ultrapassou 10% de nossos custos.

MEDIOPIRA: Quais você considera as principais deficiências da cena artística da região?

Bom, não vou falar das deficiências num contexto geral, já que são tantas. Vou falar da minha realidade, aliás, da realidade do coletivo. Trabalhamos com a cena independente e autoral, principalmente na música, e a maior deficiência que temos, e muitos músicos da região também reclamam comigo, é da falta de um espaço para que esses artistas possam mostrar seu trabalho. Não temos espaço para a cena autoral. E em João Monlevade ainda é pior: além da falta de espaço pra cena autoral, artistas locais ainda são poucos valorizados. E o Coletivo 7faces surgiu para suprir essa carência, dar espaço e valorizar a cena autoral, e provar que santo de casa faz sim milagres.

MEDIOPIRA: E as principais qualidades?

A região é muito rica culturalmente. Temos oferta pra todos os gostos e públicos. E aqui na cidade o que tenho percebido também, é que o público tem participado mais ativamente dos eventos culturais. Há um ano atrás, citei em uma entrevista que nosso maior desafio era a formação de público, hoje já penso diferente.

MEDIOPIRA: O que você planeja para um futuro próximo? Quais os próximos eventos do 7faces e planos da Carla Lisboa?

O 7faces tem um calendário fixo, e também já estamos em processo de certificação do coletivo como um Ponto de Cultura na cidade. Além do Grito Rock e do Festival Marmotas que este ano chegam à 4ª edição, faremos também o 1º Festival de Inverno de João Monlevade, entre os dias 18 a 25 de junho. E tem também o Sarau que realizamos mensalmente, na Praça do Coreto.

Esse ano quero me dedicar mais ao teatro. Iniciei esse mês as oficinas de teatro pela Cia Os Issos, onde iremos preparar um espetáculo para comemorar os 400 anos de William Shakespeare. E a partir de abril, também pela Cia Os Issos, faremos audição para bailarinos, com a proposta de montagem de um musical intitulado “Quadros”, em homenagem ao músico, compositor, diretor e ator Oswaldo Montenegro, que é uma das minhas principais influências no teatro, e também da Cia Os Issos.