sexta-feira, 13 de maio de 2016

MARÇAL FILHO DE ITABIRA

O MEDIOPIRA desta semana traz o Itabirano Marçal Filho. Marçal é multi pra caramba, poeta, compositor, produtor cultural, militante da causa artística, mais um quixote para a nossa legião. Ah...ele também é homem de mídia, apresentador de um programa de TV na cidade de Drummond. Mas vamos à entrevista...

1) - O fantasma de Drummond assombra vocês?

Na verdade, não posso falar por todos, mas no meu caso, considero o fantasma de Drummond bonzinho, mesmo porque, seu estar no mundo, seu postar frente à vida era de uma simplicidade a toda prova e sendo o monstro sagrado que foi e é, certamente não seria um fantasma pentelho porque se o dito cujo assim o fosse ou se comportasse, o poeta, sem dúvida o repreenderia.

2)– É difícil fazer poesia, fazer arte na terra do poeta maior?

Não diria que é difícil, mas certamente é de uma responsabilidade absurda, a poesia de Drummond é incomparável, mas acho que cada um tem seu livre arbítrio de criar e alguns leitores agradarão e outros não. Com Drummond, não foi diferente.

3)- O que constitui a sua poética? Quais as suas influências?

Apesar de muita gente me considerar um poeta, até hoje sinceramente não acho que sou. O que sou mesmo é um rabiscador de versos. Leio muita gente admiro muitos poetas, assim como tem muitos que não me agradam, mas procuro dentro da medida do possível rabiscar minhas coisas do meu jeito, tento ser livre das influências para ser o mais verdadeiro possível.


4)– Como é que foi esse casamento da poesia com a música?  As duas coisas vieram juntas?

Não. A música veio primeiro, aprendi os primeiros acordes tocando cavaquinho, meu pai ensinou-me os primeiros acordes aos quatro anos de idade, sou péssimo instrumentista até hoje, nunca consegui aprender, mas tocar um pouquinho ajudou-me na criação das canções, a poesia surgiu na adolescência, mas é como falei, são coisas simples que traço no papel, mas como nem todas as pessoas são perfeitas (risos) consigo encontrar algumas que gostam.

5)–Como está o cenário da literatura em Itabira nos dias de hoje? Quem você citaria como expoentes, além de você mesmo.

Itabira é realmente um celeiro artístico. Tem muita gente envolvida com a arte de maneira geral e no campo da Literatura, temos alguns escritores e poetas dos quais gosto muito. Para citar alguns: Saulo de Oliveira Campos, Marcos Henrique Camilo (Gacê), José Eustáquio Lage Moreira, José João de Brito e Rosemary Penido de Alvarenga.

6)–E o cenário musical? Tem belas revelações?

Sim, tem uma rapaziada nova aí fazendo bonito, o pessoal da Banda Curva de Gauss, Igor Venal, Karlo Cabeça, além dos veteranos que continuam na ativa.

7)– Como está a fruição musical de Itabira hoje? Tem belas vitrines? Belos espaços para a moçada mostrar seus trabalhos?

Temos espaços perfeitos e de sobra, no entanto, pouco explorados, entende?
A previsão é de que a partir de 2017, as coisas fluirão melhor. Estamos trabalhando incansavelmente para isso.


8)  – Os itabiranos preferem trabalhos autorais ou se comportam como na maioria das cidades, preferindo os covers que os trabalhos autorais?

Parece que isso é regra geral, diria que aqui não difere do contexto, acho que a proporção é de 90 contra 10% infelizmente.

9) – Você também tem destacado trabalho de militância cultural. Conte um pouco desse trabalho pra gente.

Rapaz essa é uma luta de alguns aqui e é datada de muitos anos. Só para você ter uma ideia há 20 anos a gente vem discutindo sistematicamente com o poder público a necessidade de maior apoio à classe artística, ajudamos a criar a AMITA “Associação dos Músicos de Itabira”, também ajudamos na fundação da ASPI “Associação dos Poetas e Escritores Itabiranos” e mais recentemente a AILE “Academia Itabirana de Letras” depois de muita insistência e vários nãos pela frente, os horizontes a partir de 2013 começaram a clarear e temos boas perspectivas futuras.

10)– Como a prefeitura e a fundação cultural de Itabira tem se relacionado com a classe. Tem sido uma relação tranquila e fértil?

Tranquila acredito que sempre foi, mas fértil, nem tanto, a que se fazer muito ainda, mas uma coisa é certa continuaremos mais firmes que nunca.
  
11)– Quais as conquistas do movimento de vocês em termos de benefícios duradouros para a classe?

Recentemente Fundamos a Frente Popular da Cultura Itabirana e graças a ela foi instituído pelo prefeito atual o Sistema Municipal de Cultura, bem como a criação do Conselho Municipal de Políticas Culturais e o Fundo Municipal de Cultura, sem dúvida, são instrumentos fortes e ferramentas que muito nos ajudarão de agora em diante.
  
12)–Quais são os principais projetos em que você está envolvido hoje?

Do ponto de vista pessoal estou envolvido com a criação de um projeto chamado Poemas & Piano nas Escolas do Brasil, também estou escrevendo 4 romances ao mesmo tempo,coisa de maluco, (risos) e pretendo gravar ainda esse ano um CD autoral chamado: “Nossa Majestade o Samba”.
Do ponto de vista coletivo pretendemos voltar com o projeto Samba, Viola e Poesia, Tarde MPB, Rebelião Cultural e com o FEMAM “Festival de Música da AMITA”

13)– Você vive da arte ou tem outra profissão pra garantir o pão de cada dia?

Devido ter começado minha vida profissional muito novo, estou aposentado há 18 anos e a arte para mim é tão necessária como o ar que respiro, por isso apesar dos percalços, sou insistente. (risos)


14) - Ficamos sabendo que seu filho também é músico e dos bons. Como é que você se sente como boa sementeira, trazendo ao  mundo um filho artista, que também tem alma e vocação artísticas?

Sinto-me um privilegiado, um felizardo de verdade, a musicalidade do Marcelo é algo inexplicável e perto dele sou apenas um mero aprendiz.

15)- Como você enxerga o atual panorama da música. Há espaço para a música de qualidade? O que o artista tem de fazer para procurar e encontrar sua turma?

Atualmente a coisa anda desanimadora (risos), mas espaço sempre houve e há, todo mundo tem seu público, acho que o advento da Internet facilitou muito as coisas. O que o artista tem que fazer é buscar esse nicho para a divulgação do seu trabalho, afinal a boa música nunca morre e na verdade de uns anos para cá, ela foi deixada meio de lado porque a grande mídia está pouco se lixando com a qualidade, só pensam mesmo em faturar, nada mais.



16) - Você hoje apresenta um programa de TV em Itabira. Fale um                  pouco sobre a experiência 

De fato há um ano e pouco fui convidado pela Prefeitura de Itabira a  apresentar o Programa Expressão Itabirana, na TV Cultura de Itabira, um programa de entrevistas, que na verdade é um Programa da AMITA, “Associação dos Músicos de Itabira” e tem por filosofia apresentar a arte e os artistas locais. Gosto muito do Programa e acredito que está agradando, pois os artistas e a comunidade itabirana tem prestigiado muito. É um programa muito simples, mas tem a cara de nossos artistas e de nossa gente.

17 – Conhecemos o Newton Baiandeira há muito tempo nos festivais, um compositor extraordinário. A cidade se preocupa com a preservação do trabalho dele? Tem preocupação com as memórias além do Drummond?

Infelizmente muito pouco se fez com relação à memória do grande Newtinho, fizeram uma estátua para ele e deram o nome de um coreto numa praça da nossa cidade, no entanto, a grandeza de sua obra merece bem mais que isso. Centenas de artigos, canções e poemas, muita gente sequer sabe que existe. A filha dele está desejando montar um Projeto de ampla divulgação do seu trabalho, nos procurou para que o façamos, estamos amadurecendo essa ideia. Acho que valerá a pena com certeza!

18. Movimento Trial, o que é? Fale-nos um pouco dele.

O Movimento Trial foi idealizado pelos artistas Marcos Gacê e Marcos Santos e hoje é constituído por um grupo de artistas itabiranos, poetas e compositores que se juntam de vez em quando para desenvolver um trabalho bem elaborado do ponto de vista poético/musical, não se trata de uma Banda, mas de um movimento livre onde todos podem participar desde que o façam baseado na tríade: Amizade, Idealismo e Arte e que essa arte realmente tenha o máximo de qualidade possível. Ganhamos alguns prêmios em festivais de MPB pelo país. Não temos nada gravado profissionalmente ainda, a proposta futura é a gravação profissional de um CD bem elaborado e desejamos realizar uma turnê pelos teatros do país e quem sabe internacional!
Deixe seus contatos, dos seus projetos, redes sociais, etc.

Quem desejar conhecer um pouco do nosso trabalho pode acessar o Blog:

Luz de Aldebarã.
josemarcalfilho.blogspot.com/

Site Recanto das Letras:

SoundCloud: de Marçal Filho ou Marcos Gacê

You Tube: TV Cultura de Itabira - Programa Expressão Itabirana
https://www.youtube.com/watch?v=nAREh1644Tw

Minha página no Face: Marçal Filho

sexta-feira, 6 de maio de 2016

ALESANDRA PEGA E FAZ...

O MEDIOPIRA dessa semana entrevista uma Alvinopolense arretada: a artista plástica ALESANDRA ALVES. Gosto de gente que pega e faz e Alesandra encarna muito bem esse espírito. Ela não fica esperando comando.  Capta as coisas no ar, assunta e faz acontecer. Seu ótimo trabalho é reconhecido em diversas cidades da região e por isso ela está sempre engajada em algum projeto artístico cultural.  Mas vamos à entrevista!

MEDIOPIRA - Como você percebeu que tinha o dom para as artes?

Alesandra - Desde muito cedo convivo com o mundo das Artes. E o fato de sempre ter tido o apoio e o incentivo da minha família, permitiram que eu não desistisse.

MEDIOPIRA– Como é que foi o seu aprendizado na arte?

Alesandra- Ainda estou aprendendo... É  um aprimoramento contínuo. Por ser autodidata, as pessoas acreditam que as coisas aconteçam como que por magia. Enganam-se. Aprendemos com os livros e as revistas, aprendemos com nossas vivências e experiências, aprendemos com o outro que por quaisquer motivos cruzam o nosso caminho, enfim, aprendemos a fazer fazendo, sem ter medo de errar, sem ter medo de recomeçar.

MEDIOPIRA– O que você faz é arte ou artesanato?

Alesandra- Faço os dois. O conceito de Arte é muito abrangente e engloba inclusive o Artesanato. A grosso modo, a diferença entre Arte e Artesanato é a seguinte: A Arte está mais relacionada às emoções,sentimentos e percepções do indivíduo que a cria, enquanto o  Artesanato é um conjunto de técnicas que possibilita a confecção de inúmeras peças muito parecidas. Transito entre os dois universos.

MEDIOPIRA– Como você definiria o seu estilo?

Alesandra-O meu estilo é não ter estilo. (risos)

MEDIOPIRA - Você prefere o concreto ou o abstrato para trabalhar?

Alesandra - Gosto do concreto. Materiais e matérias me fascinam.

MEDIOPIRA– Você utiliza o computador de alguma forma ou seu trabalho é todo manual e orgânico?

Alesandra- É quase impossível trabalhar sem a ajuda das diversas tecnologias que nos cercam. Especialmente para pesquisa e estudo. Não conseguimos evoluir se não estivermos em harmonia com o meio.

MEDIOPIRA- Você além de artista, tem grande facilidade em ensinar. Como é esse seu trabalho de passar conhecimento?

Alesandra - É muito prazeroso. É uma troca fantástica. Quando compartilhamos o que sabemos, sempre somos gratificados. Partilho meus conhecimentos sobre artesanato nas instituições onde presto serviço, atualmente na APAE  João Monlevade, em oficinas e cursos para empresas e instituições particulares, em projetos de extensão de universidades, festivais e projetos artísticos/culturaise a todo aquele que até mim vier em busca de um aprendizado. Cada vez que isso acontece , o que aprendi é aprimorado.

MEDIOPIRA– Você já fez exposições exclusivas de seu trabalho? Qual o suporte necessário?

Alesandra-Sim, já participei de exposições individuais e coletivas. Não é necessário muita coisa, apenas o transporte do material a ser exposto, o local adequado e suportes para as peças(cavaletes,mesas,etc.)

MEDIOPIRA- Muitos encaram a arte como hobby, nunca como profissão. O que você tem a dizer sobre isso? 

Alesandra-Como profissão, como hobby, como terapia, para embelezar, para encantar, para não enlouquecer. Não importa o motivo, causa ou razão. O importante é fazer Arte.

MEDIOPIRA– Existe a arte pela arte, aquela que vem de dentro...e a arte utilitária, feita sob encomenda para objetivos de decoração ou mesmo de marketing. Qual dessas você prefere?

Alesandra - Isso é como pedir para uma mãe escolher qual o seu filho preferido. Tenho necessidade das duas. A Arte pela Arte me dá enorme prazer, me sinto mais viva, mais vibrante. A Arte utilitária me proporciona renda. As duas se completam, uma permite que a outra viva cada dia melhor.

MEDIOPIRA– Você é alvinopolense, mas trabalha muito em Monlevade e em outros lugares também. 
Qual o segredo para transitar por tantos “universos” e ser respeitada em todos?

Alesandra-É segredo, não vou contar! Brincadeirinha! Acredito que o respeito é uma via de mão dupla. Somos respeitados à medida que respeitamos nossos pares.

MEDIOPIRA– Como é a sua relação com a cidade natal? Tem o devido reconhecimento por lá?

Alesandra - Tenho meu umbigo enterrado lá (risos). Amo as minhas raízes, meus familiares moram lá, além de que não há um só lugar no mundo que tenha um povo como o alvinopolense. Alvinópolis é um enorme celeiro cultural. Aprendi e  ainda aprendo muito com os artistas de lá, boa parte do que produzo, uso como matéria prima a chita, produto genuinamente alvinopolense. Então, como não amar? Quando ao devido reconhecimento, não tive, não tenho e não quero ter, nem  lá ou em qualquer outro lugar. E quer saber o por que¿ Porque é o desafio que me move, a inquietação, a constante busca da auto-superação. E, quando acreditamos que somos devidamente valorizados o encanto se perde, ficamos  estagnados e passamos a viver  do passado, daquilo que um dia fomos, daquilo que um dia fizemos.

MEDIOPIRA- O que você aconselharia a um pai ou mãe, cujos filhos manifestam o dom para a arte, seja ela qual for?

Alesandra-Permitam que eles tenham acesso a todo tipo de Arte, pois ela tem o poder de transformar um indivíduo, uma sociedade inteira. Incentivem e acreditem no potencial de seus filhos. E sempre que possível ofereça-lhes Arte, como quem oferece um alimento saboroso, pois quem prova do gostinho da Arte, certamente terá uma vida mais significativa.

MEDIOPIRA– Deixe seus contatos, site, facebook, telefone, email, propaganda que quiser fazer...

Alesandra- alesandralves@yahoo.com,br  e facebook.com/alesandramargarida.alves.

E pra finalizar...uma pequena galeria de trabalhos da Alesandra. O conjunto que ela criou para o FESTICHITA em Alvinópolis foi marcante... 














E pra completar, algumas artes aleatórias

sexta-feira, 29 de abril de 2016

CHICO SEMPRE FRANCO
























Entrevista com Chico Franco, compositor, produtor cultural, ex-secretário de comunicação do município, pessoa de grande importância para a arte e cultura de João Monlevade e região. Além do mais, o sobrenome do Chico é mais que apropriado. Ele fala a verdade doa a quem doer. Mas vamos à entrevista.

1)–Você além de produtor cultural, foi um dos grandes vencedores em Festivais de Música. Lembra-se de quantos prêmios conquistou?
Primeiros lugares, 22 – segundos e terceiros, 32.
2)–Você sempre andava com músicos muito seletos,  principalmente uma cantora de voz imponente. Quais eram seus principais parceiros?
Eu tive como parceiros o Viola (Geraldo Lessa) , posteriormente o João Rosa. Também meu filho Afonso Henrique. A cantora era a Miriam Tavares.
3)–Você sempre foi um semeador de cultura, Inclusive foi responsável pelo nascimento do Festival da Música em Alvinópolis, realizado há 36 anos consecutivos. Como foi a história do surgimento do festival de Alvinópolis?
Eu era muito amigo do Dico Lavanca e do José Santana, que  já era deputado.  Eu  chegava de um festival em que eu havia  vencido, estava até com  o troféu nas mãos, quando encontrei  com eles. Eles me perguntaram o que era, eu respondi, conversamos  sobre o assunto, eles gostaram e pediram que eu realizasse um em Alvinópolis  Fui  lá, detalhamos e realizamos junto com uma turma de formandos. Foi uma festa bonita em que saiu vencedora uma turma de Sete  Lagoas.
4)–Monlevade fazia festivais maravilhosos. Teve uma primeira fase, sempre com Guido Walamiel no meio. Eu cheguei a participar de um desses festivais no Grêmio. Você participava nessa época?
Participei de um em que fiquei em segundo lugar com música defendida pela Neide Roberto.
5)–Depois você levou  o FESTIVAL dos FESTIVAIS de Minas para Monlevade. Como foi essa experiência?
Foi boa,   apesar de ter apresentado  meu protesto junto  à  comissão da Turminas, promotora do evento,  por ter colocado  no júri um tal de Kiko Ferreira, um analfabeto que se meteu a poeta naquela  época. A Turminas tinha interesse em  promovê-lo, mas eu estava tão certo que ele nunca mais apareceu. E meu protesto foi antes de iniciar o festival. Mas valeu porque as músicas vencedoras eram ótimas.
6) –Por que você acha que os Festivais deixaram de ser realizados?
A música tomou um caminho que foge totalmente ao valor artístico. Não há harmonia bem trabalhada, não há a candura literária e até  a questão rítmica tem as suas implicações nos dias de hoje (a priori). A seleção de cantores não existe mais. Basta  ser bonitinho, a exemplo das novelas.
7)-Nenhuma modalidade de eventos abre mais vitrines para novos artistas, nem movimenta tantos músicos. Um festival pequeno movimenta no mínimo 100 músicos, poetas e compositores. O que fazer para que os festivais voltem a cair no gosto do povo e para que as prefeituras e outras instituições passem a acreditar e a investir?
É questão da qualidade. Ninguém  vai a um festival para ver a música da “metralhadora” e nem da eguinha  xopotó.  Muito menos letras como as da maioria dos Funks, que chegam a deprimir as mulheres.  Prefeituras e nenhuma instituição patrocina essas coisas.
8)–Qual a análise que você faz do público consumidor de cultura hoje em dia?
Perdoe-me,  mas eu não gosto da expressão “consumidor de cultura”. Ela abre caminho para tornar o corriqueiro em cultura. E é justamente o que vem acontecendo. Vivemos a época   das cavalgadas. Uma modalidade de entretenimento que tomou o nome de cultura, mas que, nos Estados Unidos, teve fim há duzentos anos. Na era do faroeste.  O Brasil é  mais novo do que os Estados Unidos somente cinco anos.  E festa, shows etc não é cultura, É entretenimento. Cultura é outra coisa. Está impregnada na pessoa  que buscou, ao longo de suas experiências, entender situações,  Saber o que é arte e o que não é. Entender que até o que comemos e  vestimos são questões culturais. É justamente por isto que a cultura é uma forma seletiva de pessoas. 
9)–Como você avalia o futuro da música? Há espaço para a poesia, para conteúdos mais profundos,  para músicas mais elaboradas?
Como há!  João Bosco e Chico Buarque lançaram  há pouco  tempo a música Sinhá, que retrata o romance que se tornou novela por umas quatro vezes.  Ouça e veja que coisa linda.  P que não esta havendo é mercado, que  sucumbe à aquilo que não é cultura. Por isto não  há espaço. Mas o futuro, em tudo neste mundo, é de quem sabe.
10)–Como você acha que o poder público enxerga a arte e a cultura?
É cego. Enxerga o voto, porque o voto dá o poder
11)–O que você acha da frase “cultura não dá voto”. Será que tudo tem de gerar voto?
Para o político, na atual conjuntura, é assim. Só o voto interessa.  A cultura que se dane. O saber que se dane. O futuro que se dane.
12–O que você diria para os prefeitos e secretários de cultura sobre cultura? Ou não diria nada?
Nada, porque eles também não entenderiam nada.
13)-Você continua compondo? Já pensou em produzir e gravar suas músicas?
Parei. Nunca pensei em gravar profissionalmente.
14)-Já pensou em escrever um livro – seja de ficção ou romance – passando um pouco das experiências e pensamentos para quem está chegando?
Nunca havia pensado. Ultimamente estou escrevendo um sobre minha  família, desde as origens, portuguesa, espanhola, e eu, particularmente que carrego também sangue de francês.
15)–Que conselhos você daria aos artistas de hoje? Popularesco ou arte pela arte?
Arte pela arte. Popularesco já temos muito que figuram ai  em duplas, que estão todos os dias nas telas da televisão, que atormentam nossos ouvidos nos carros de som, enfim, precisamos é de novos  Grande Otelo, Paulo Autran, Bibi Ferreira, Tom Jobim e outros tantos para purificarem esses ares que estamos respirando ultimamente.
16)–João Monlevade está completando 52 anos. O que você deseja ou projeta para a jovem cidade?
Meus votos são para que o nosso povo deixe de votar em politicos profissionais, que pensam somente neles, e em candidatos amadores, desprovidos de qualquer capacidade administrativa,, como estamos vivendo atualmente, para que nosso município tenha o seu lugar ao sol como sonhado por todos os seus pioneiros.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

ENTREVISTA COM MÁRCIO GREYCK

O MÉDIOPIRA desta semana circula apenas pela internet por causa do feriado.  Nesta semana vamos sair um pouco do script para entrevistar um artista de BH, mas que se apresentará na excelente Kissussêgu Shows e Eventos, casa de espetáculos de João Monlevade mais voltada para um público que gosta de sair pra dançar, pra curtir bailes e horas dançantes, um público um pouco mais maduro, mais exigente e com melhor poder aquisitivo. Pois a Kissussêgu dessa vez ousou e está trazendo, no dia das mães um show com o grande Márcio Greyck, um grande ídolo dos anos 70 que compôs diversas canções famosas. Márcio Greyck é mineiro de Belo Horizonte e teve músicas gravadas em diversos países. Mas vamos à entrevista...

1-        Como você entrou para o mundo da música?

Meu começo foi em Belo Horizonte depois de muitas serenatas embaixo das janelas das namoradas e amigas, influenciado pelo que era de costume nos anos 60.
2-  Você se considera mais intérprete ou compositor?
Creio ter sido mais um cantor intérprete durante um bom tempo, até me descobrir compondo canções!
3- Tem uma ideia aproximada de quantas músicas compôs ao   longo da sua carreira?
Eu nunca contei às canções que fiz, mas penso que já passa de 50 apesar de não me considerar um compositor de quantidades!
4-Quem já gravou músicas suas?
Incontáveis intérpretes gravaram canções minhas tais como: Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Agnaldo Timóteo, Fábio Junior, Rosana, Daniel, Zezé di Camargo e Luciano, Sérgio Reis, Verônica Sabino, Rita Ribeiro, Toni Platão, Wilson Simonal, etc. e etc.

5-         Quais são as suas principais influências?

Minhas influencias vem primeiramente do romantismo dos anos 60 e depois com a revolução musical dos Beatles e a beatlemania que também era romântica, e que influenciaram a Jovem Guarda e conseqüentemente toda a minha geração!

6-         Você tem um método de composição? Como é o seu processo criativo?

Meu processo criativo começa com a inspiração e depois muito trabalho para sintetizar e concluir o conceito.

7-         Você é músico de partitura ou de ouvido? Você é músico de partitura ou de ouvido?

Sou um músico autodidata que acabei por aprender um pouco de cada instrumento apenas observando e insistindo em pelo menos tirar nota sete em cada; já que a nota dez, eu não consegui ainda em nenhum..., hehe! 

8 - Você é compositor de uma das mais belas melodias da MPB que é “ Impossível acreditar que perdi você”. Essa música foi gravada por muita gente?

“Impossível acreditar que perdi você” é uma canção considerada como um fenômeno dos anos 70 e que já conta com quase 80 regravações por intérpretes de vários estilos e seguimentos musicais no Brasil e exterior!


9-          Como você classificaria o seu estilo musical?

Creio ser eclético no meu modo de pensar, mas o romantismo segue sendo o norte das minhas composições!
10 - Você fez parte de um movimento na época que tinha os galãs, aqueles sujeitos de rostos bonitos que as meninas adoravam a colecionar pôsteres das revistas da época. Usando o vocabulário de hoje: você pegou muita gente?
Hehe..., eu sempre fui um falso galã, com apenas um metro e sessenta e quatro, mas que também vivenciei a revolução social e comportamental que a minha geração impôs e que naturalmente, eu também colaborei com isso!

11- Eu sei que existe um certo preconceito e muitos artistas tem medo de serem chamados de brega. Você fez parte daquela geração de cantores como Agnaldo Raiol, Odair José, Antônio Marcos, Fernando Mendes. Você também se considera brega? Tem algum problema com o rótulo?

Aprendi a não crer nos rótulos e a deixar que o próprio público defina o que é ser brega ou não, independentes do contexto em que você se insere! Não tenho preconceito algum com esse estigma que para mim já se misturou com vários outros conceitos, mas que na verdade, parte do principio do que é popular!

12- Quais foram os músicos que gravavam com você?

Tive o privilégio de gravar com grandes músicos nas várias etapas da minha carreira, inclusive, um disco inteiro com o grupo, Roupa nova!

13- A Música brasileira tem essa premência em lançar novas músicas e com isso vai de certa forma relegando grandes artistas ao ostracismo por muito tempo. Você andou meio sumido. O que andou fazendo neste tempo?

Houve um grande hiato em minha carreira por conta de uma grande desmotivação que me aconteceu, e que me fez afastar por quase quinze anos em que estive recluso em meu sitio em Saquarema RJ fazendo uma espécie de autoterapia! Mas não parei de compor e isso fez parte do objetivo! Recuperada a motivação, me dei “alta” e voltei á estrada!

14- E sobre o momento atual? O que você anda trabalhando? O que você apresenta em seus shows?

No momento estou preparando o lançamento do meu livro “O menino que eu fui...” e espero também poder mostrar novas canções, que se acumularam durante esse tempo e que ainda estão inéditas!

15- E para o futuro? O que está no forno? Tem músicas novas pra sair?

Apesar das condições hoje bem adversas para quem parou por tanto tempo, terei que fazê-lo então de forma independente, o que é mais difícil, naturalmente!

16- Você conhece João Monlevade? Já se apresentou na região?

Estive em Monlevade participando juntamente com outros artistas em uma produção do Aggeu Marques que promoveu um encontro musical em prol da duplicação da BR 381! Não me esqueço do carinho com que fui recebido no palco!

17- Qual o recado você quer enviar para os milhares de fãs da região?


Que me orgulho de ser mineiro e de guardar no coração toda essa nossa cultura peculiar!...E que me aguardem..., hehe! 

sexta-feira, 15 de abril de 2016

SILVANA E A MÁQUINA DO TEMPO

Conheci Silvanna nos Festivais de música dos anos 80. Desde então acompanho sua carreira. Admiro essas pessoas destemidas, que pegam e fazem, que tem coragem, que não tem medo de mudar, de encarnar personagens, de desafiar o conservadorismo interiorano e botar o pé no mundo. Silvana talvez seja a artista do Médio Piracicaba que mais desbravou o Brasil fazendo música. Como vocês perceberão na entrevista, já viajou o Brasil de cabo-a-rabo encantando as multidões. Silvana é artista operária, pau pra toda obra, popular, inteligente e ousada. Ao mesmo tempo que tem experiência, traz no olhar a inocência interiorana e a simplicidade dos artistas de verdade. É o que você confere a partir de agora na entrevista para o MEDIOPIRA.


1)      - O que você ouvia na sua infância em S.D.do Prata?

Nasci em São Domingos do Prata, mas fui morar em Ilhéus do Prata(distrito),e lá passei a infância ouvindo Nalva Aguiar, Trio Parada Dura, Almir Rogério, Gino e Geno, Tonico e Tinoco, através do meu pai que ouvia muito sertanejo e tocava acordeon pra gente cantar .

2)      - Como foi a sua iniciação musical?

A maior parte da infância foi em Ilhéus, mas anos depois, de volta ao Prata onde passei parte da infância e adolescência, comecei a cantar no coral da igreja. Dos 10 aos 14 anos estava lá cantando nas missas. Nessa época já não ouvia apenas as músicas dos discos do meu pai. Comecei a ouvir rádio, ver clips na tv e fui descobrindo Rita Lee, Roxette, The Police, Kid Abelha,Led zeppellin, Yes, Madonna, Michael Jackson, etc. Gostava muito de cantar em casa, cantava o tempo todo.

3)      - Você chegou a participar de festivais de música?

Aos 15 anos já começando a compor minhas próprias músicas me inscrevi no festival de música da cidade, escondido dos meus pais, pois sabia que eles jamais me deixariam participar, mas consegui me apresentar e fiquei em terceiro lugar. Com o prêmio comprei meu primeiro violão e dai não parei mais! Depois de ter conquistado o terceiro lugar nesse festival  com a música `Máquina do Tempo`, montei uma banda de rock na cidade com este nome e comecei a fazer shows na região. Aos 17 vim pra BH e comecei a cantar em barzinhos, e participei uma boa temporada do extinto programa Ò POVO NA TV` com Dirceu Pereira na Tv Alterosa.

4)      - De quais banda participou? Dá pra citar algumas delas?

Em dois meses que já estava em BH entrei numa banda baile, Banda Sollar, e ali fiquei por 4 anos viajando pelo Brasil cantando em vários estados, ficávamos meses em Mato Grosso, Bahia, Ceará, fazendo temporadas ! Minha maior escola foi  essa banda onde comecei a cantar de tudo e não apenas  rock. Depois  participei da banda Mad Marx que misturava rock alternativo com eletrônico,e letras  de Marcelo Dolabela. Mas depois reativei a Máquina do Tempo que esteve adormecida por quase 5 anos  e está ate hoje na ativa além de Banda Medusa que é minha banda baile e também continua em atividade.

5)      - Tem noção de quantas cidades já tocou? Em quais estados?

Não tenho certeza, mas em tantos anos na estrada creio que em umas 5 mil cidades. No Brasil só não cantei nos Rio Grandes do Sul e do Norte.  De Santa Catarina ao nordeste cantei em todos os estados. E Já tive vários convites pra cantar no exterior, como Nova York, Boston, e temporada em navio na Europa, mas não tive como ir, pois tinha de cumprir a agenda daqui que estava sempre lotada.

6) - Você já se apresentou em todo tipo de espaços. Desde churrascarias até mega-palcos pelo país afora. Qual foi a maior e a menor estrutura em que se apresentou?

Já cantei em palcos de todos os tipos, em feiras agropecuárias de grande porte, abrindo shows de sertanejos famosos no mesmo palco, mas a maior estrutura que tive a chance de cantar foi na praça da estação em BH ,num evento da rádio BH FM junto com vários artistas de renome nacional e internacional como Latino, Alexandre Pires,e Double You ! Eram umas 50  mil pessoas, e eu também fui atração  por causa de  minha música” ìf you walk away`”que estava na programação das rádios mineiras. Foi inesquecível pra mim toda aquela multidão cantando minha música. A menor estrutura creio que em barzinhos, onde não tem palco, canto junto das pessoas, mas é muito gratificante também pois, pela proximidade percebo muito mais o carinho das pessoas com o meu trabalho. Fora isso já cantei muitas vezes em caminhão, em palanques caindo aos pedaços por ai! Faz parte!

7) - Você já fez cover da Madonna em uma fase de sua carreira. O que acha dos covers?

Eu sempre fui muito fã da Madonna, quando a vi na tv pela primeira vez, disse pra mim mesma que era o que queria fazer na vida, ser que nem ela, coisa de adolescente né? Mas como sabia todas as músicas, pintei o cabelo de loiro e comecei a fazer cover dela aqui em BH nos bares e boates, no Teatro Francisco Nunes lotando todos os shows, dando inclusive alguma repercussão na mídia local em tv, jornais, etc.! Aproveitando o auge de sua fama ,viajei por Minas e pelo Brasil fazendo cover dela. Mas minha preocupação era ficar parecida na voz. Um cover perfeito com a voz parecida acho bacana de se ver.

8) - Você também já se arriscou no terreno autoral. Conte pra nós essa experiência.

Sim, sou compositora. Ainda guardo meu caderninho com umas 300 músicas autorais. Gravei um vinil (LP) independente em 93, pop dance, com músicas próprias e 2 regravações. Em 98 tive três músicas tocando muito nas rádios mineiras, e era apenas uma demo, que repercutiu muito e acabei assinando com o selo  Pride Records, uma gravadora independente de São Paulo, lançando um cd em inglês e espanhol intitulado” Syl”!O cd tocou muito quando era uma demo. Quando a gravadora entrou no negócio as rádios travaram as músicas ,querendo o famoso “jabá”. Mas  a gravadora era pequena e não tinha como bancar o esquema. Depois disso gravei mais um cd de dance e pop romântico em 2008,  misturando regravações e autorais. Também tive um projeto  sertanejo por dois anos ,lançando um cd e dvd,’Silvanna e os Cowboys”gravado no Prata ,e fiz bastante shows com este trabalho. Na época a internet não tinha tanta força, senão creio que a história teria sido diferente! A internet ajuda muito se vc souber usufruir dela!

9) - Quais os seus projetos hoje em dia? Está com quantas bandas e trabalhos pessoais?

Hoje em dia  estou com quatro projetos em atividade! Silvanna e a Máquina do Tempo – shows solo  em barzinhos, festas particulares, ou com a banda completa em  casas de shows,e  festas temáticas flashbacks anos 60,70,80,etc. Banda Medusa: banda baile 12 pessoas para formaturas, festas de cidades, carnaval, réveillon, etc Grupo Top Class: quarteto para casamentos, eventos empresariais, confraternizações. eventos em geral Virô Balada: quinteto de 3 cantores e dois músicos,show eletrônico para casas de shows,praças ,etc.

10) - O que projeta para um futuro  próximo? Novos Cds? Shows? Dvd? Internet?

Quero dedicar ao meu novo projeto  o“VIRÔ BALADA”,um projeto eletrônico onde pegamos hits  de sucesso do passado e do momento de qualquer estilo e transformamos em dance eletro funk melody! Já fiz alguns shows, mas ainda estamos produzindo o repertório! Pretendo fazer um clip e lançar um canal na internet! Mas enquanto o virô balada não engrena, a máquina do tempo não para! Graças a Deus eu tenho muita energia e capacidade e sempre gostei de  tocar vários projetos ao mesmo tempo!

11) - Qual a sua relação com a sua cidade natal? São Domingos do Prata reconhece o seu trabalho?

Tenho parentes e amigos lá,é minha cidade que amo muito, mas na verdade eu canto em toda região, menos no Prata! Canto em Dom Silvério sempre, Bela Vista , Alvinópolis, em João Monlevade sempre me apresento, seja em festas particulares ou em casas de show como o Kissussegu, mas no Prata não tenho participado das festas, nem mesmo da festa da cidade. Uma pena, pois tenho público lá que me pergunta nas redes sociais quando irei ,mas como falei shows pra mim não falta, faço uma média de 20 shows por mês com meus projetos!


12) - Deixe seus contatos para shows, sites, redes sociais, etc...

Meu facebook é SILVANNA MARTINS
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