sexta-feira, 29 de abril de 2016

CHICO SEMPRE FRANCO
























Entrevista com Chico Franco, compositor, produtor cultural, ex-secretário de comunicação do município, pessoa de grande importância para a arte e cultura de João Monlevade e região. Além do mais, o sobrenome do Chico é mais que apropriado. Ele fala a verdade doa a quem doer. Mas vamos à entrevista.

1)–Você além de produtor cultural, foi um dos grandes vencedores em Festivais de Música. Lembra-se de quantos prêmios conquistou?
Primeiros lugares, 22 – segundos e terceiros, 32.
2)–Você sempre andava com músicos muito seletos,  principalmente uma cantora de voz imponente. Quais eram seus principais parceiros?
Eu tive como parceiros o Viola (Geraldo Lessa) , posteriormente o João Rosa. Também meu filho Afonso Henrique. A cantora era a Miriam Tavares.
3)–Você sempre foi um semeador de cultura, Inclusive foi responsável pelo nascimento do Festival da Música em Alvinópolis, realizado há 36 anos consecutivos. Como foi a história do surgimento do festival de Alvinópolis?
Eu era muito amigo do Dico Lavanca e do José Santana, que  já era deputado.  Eu  chegava de um festival em que eu havia  vencido, estava até com  o troféu nas mãos, quando encontrei  com eles. Eles me perguntaram o que era, eu respondi, conversamos  sobre o assunto, eles gostaram e pediram que eu realizasse um em Alvinópolis  Fui  lá, detalhamos e realizei. Foi uma festa bonita. Em que saiu vencedora uma turminha de Sete  Lagoas.
4)–Monlevade fazia festivais maravilhosos. Teve uma primeira fase, sempre com Guido Walamiel no meio. Eu cheguei a participar de um desses festivais no Grêmio. Você participava nessa época?
Participei de um em que fiquei em segundo lugar com música defendida pela Neide Roberto.
5)–Depois você levou  o FESTIVAL dos FESTIVAIS de Minas para Monlevade. Como foi essa experiência?
Foi boa,   apesar de ter apresentado  meu protesto junto  à  comissão da Turminas, promotora do evento,  por ter colocado  no júri um tal de Kiko Ferreira, um analfabeto que se meteu a poeta naquela  época. A Turminas tinha interesse em  promovê-lo, mas eu estava tão certo que ele nunca mais apareceu. E meu protesto foi antes de iniciar o festival. Mas valeu porque as músicas vencedoras eram ótimas.
6) –Por que você acha que os Festivais deixaram de ser realizados?
A música tomou um caminho que foge totalmente ao valor artístico. Não há harmonia bem trabalhada, não há a candura literária e até  a questão rítmica tem as suas implicações nos dias de hoje (a priori). A seleção de cantores não existe mais. Basta  ser bonitinho, a exemplo das novelas.
7)-Nenhuma modalidade de eventos abre mais vitrines para novos artistas, nem movimenta tantos músicos. Um festival pequeno movimenta no mínimo 100 músicos, poetas e compositores. O que fazer para que os festivais voltem a cair no gosto do povo e para que as prefeituras e outras instituições passem a acreditar e a investir?
É questão da qualidade. Ninguém  vai a um festival para ver a música da “metralhadora” e nem da eguinha  xopotó.  Muito menos letras como as da maioria dos Funks, que chegam a deprimir as mulheres.  Prefeituras e nenhuma instituição patrocina essas coisas.
8)–Qual a análise que você faz do público consumidor de cultura hoje em dia?
Perdoe-me,  mas eu não gosto da expressão “consumidor de cultura”. Ela abre caminho para tornar o corriqueiro em cultura. E é justamente o que vem acontecendo. Vivemos a época   das cavalgadas. Uma modalidade de entretenimento que tomou o nome de cultura, mas que, nos Estados Unidos, teve fim há duzentos anos. Na era do faroeste.  O Brasil é  mais novo do que os Estados Unidos somente cinco anos.  E festa, shows etc não é cultura, É entretenimento. Cultura é outra coisa. Está impregnada na pessoa  que buscou, ao longo de suas experiências, entender situações,  Saber o que é arte e o que não é. Entender que até o que comemos e  vestimos são questões culturais. É justamente por isto que a cultura é uma forma seletiva de pessoas. 
9)–Como você avalia o futuro da música? Há espaço para a poesia, para conteúdos mais profundos,  para músicas mais elaboradas?
Como há!  João Bosco e Chico Buarque lançaram  há pouco  tempo a música Sinhá, que retrata o romance que se tornou novela por umas quatro vezes.  Ouça e veja que coisa linda.  P que não esta havendo é mercado, que  sucumbe à aquilo que não é cultura. Por isto não  há espaço. Mas o futuro, em tudo neste mundo, é de quem sabe.
10)–Como você acha que o poder público enxerga a arte e a cultura?
É cego. Enxerga o voto, porque o voto dá o poder
11)–O que você acha da frase “cultura não dá voto”. Será que tudo tem de gerar voto?
Para o político, na atual conjuntura, é assim. Só o voto interessa.  A cultura que se dane. O saber que se dane. O futuro que se dane.
12–O que você diria para os prefeitos e secretários de cultura sobre cultura? Ou não diria nada?
Nada, porque eles também não entenderiam nada.
13)-Você continua compondo? Já pensou em produzir e gravar suas músicas?
Parei. Nunca pensei em gravar profissionalmente.
14)-Já pensou em escrever um livro – seja de ficção ou romance – passando um pouco das experiências e pensamentos para quem está chegando?
Nunca havia pensado. Ultimamente estou escrevendo um sobre minha  família, desde as origens, portuguesa, espanhola, e eu, particularmente que carrego também sangue de francês.
15)–Que conselhos você daria aos artistas de hoje? Popularesco ou arte pela arte?
Arte pela arte. Popularesco já temos muito que figuram ai  em duplas, que estão todos os dias nas telas da televisão, que atormentam nossos ouvidos nos carros de som, enfim, precisamos é de novos  Grande Otelo, Paulo Autran, Bibi Ferreira, Tom Jobim e outros tantos para purificarem esses ares que estamos respirando ultimamente.
16)–João Monlevade está completando 52 anos. O que você deseja ou projeta para a jovem cidade?
Meus votos são para que o nosso povo deixe de votar em politicos profissionais, que pensam somente neles, e em candidatos amadores, desprovidos de qualquer capacidade administrativa,, como estamos vivendo atualmente, para que nosso município tenha o seu lugar ao sol como sonhado por todos os seus pioneiros.

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