sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

A MARAVILHOSA MÚSICA DO MÉDIO PIRACICABA...

Podemos nos orgulhar da excelente música produzida no Médio Piracicaba. São inúmeros talentos em diversas cidades.

 ITABIRA

Maíra Baldaia
A cantora e compositora Maíra Baldaia é luxo só. Vem levando seu "POENTE E OUTRAS PAISAGENS" aos  palcos de Minas, ao Rio, à Europa e vem sendo elogiada pela crítica e muito bem recebida pela mídia.  Ah...ganhou prêmio de melhor intérprete no Festival da Música em Alvinópolis também. Seu primeiro CD não é apenas uma coletânea de músicas.  Tem unidade sonora e poética.  
Jesus Henrique
Gosto  também do rock bem humorado do Rivotril, do trabalho muito bacana de percussão dos Meninos de Minas, das experimentações do Igor Venal, do Nosso Fulcro , da qualidade do Jesus Henrique, juntamente com Marçal Filho, Luis Bira e outros, guardiões e perpetuadores da obra do grande Nilton Baiandeira. Esses dias ouvi um trabalho  muito promissor também, de um Grupo Vocal chamado Meninar.  É muita exuberância...

JOÃO MONLEVADE

Romulo Rás.
Monlevade tem músicos muito bons que estão sempre se apresentando na região. Dou o maior valor àqueles que defendem seu pão munidos apenas dos seus violões. Do tipo "Eu, meu violão e Deus contra o mundo". Por isso sou muito fã de Rômulo Rás, João Roberto, Ronivaldo, Mike Santos. Ricardo Monlevade e Eustáquio Ambrósio também fazem o fino da música com seus teclados encantados. Tem também o Samba na Sola, no esquema violão, pandeiro e sambadubom. Mas também tem a turma do SOULDUSAMBA, Banda Agá e Segunda Opção, excelentes no entretenimento. E tem ainda as bandas UMBIGO, Banda Dirock e DEZARM. No Sertanejo tem Josagno, tem Elcimar, tem Livvia Bicalho. Ah...e ainda tem o luxo de ter Aggeu Marques morando na cidade e sempre mandando ver principalmente no Alegrette.

SÃO GONÇALO

Só meu amigo Topete já é uma festa sozinho. O cara é um dínamo, toca vários instrumentos, deve ter umas 3 ou 4 bandas em gêneros diferentes e arrasa em todos. Tem as bandas Wiscky e Blues e Neanderthal e também a maravilhosa Família Rodrigues, onde imagino que até os bichos toquem algum instrumento. Dessa família tem o premiado violonista Aulus Rodrigues, um dos melhores de Minas Gerais.

CATAS ALTAS

De uma das cidades mais deliciosas da região, duas cantoras de alto nível: Camila Calais e Lili. As duas são muito boas. Lili tem a banda LiliBand, onde toca baixo e muito bem. Ela recentemente teve ótima participação no The Voice Brasil.

ALVINÓPOLIS

Bateria Colibri
Alvipa tem músicos pra todo lado. Tem Cuca, um dos artistas com melhor preparo físico que conheço e com repertório para 4 dias de música direto. Tem Maycon e THIAGO, dupla sertaneja da voz de veludo, tem ainda Gilvan Linhares, sucesso com seu boteco do Gilvan tem Marcela Moraes, tem a Banda de Rock Porão 71, que toca rock dos anos 80/90 com uma qualidade impressionante, tem OS MORCEGOS, que toca a música da jovem guarda, tem a Bateria Colibri, desfilando sua alegria e contagiando o povo com seu batuque de matar.

SÃO DOMINGOS DO PRATA

De SDP uma excelente safra. Pra começo de conversa, tem o consagrado compositor e cantor Celso Adolfo, cujas belas canções ainda continuam conquistando o mundo. Coração Brasileiro e Nós Dois são hits que já devem ter gerado uma boa grana em direitos autorais. 
Silvanna Martins
E tem também Silvanna Martins, talvez a cantora do MÉDIOPIRA que tenha mais rodado o Brasil levando à nossa arte. Silvana é operária da música, incansável e competentíssima. 

RIO PIRACICABA

Mike Santos
De Ripiracicaba vem Mike Santos, moço da voz aveludada e muito swing na mão direita. Tem também o grande Laércio Silvano, excelente cantor e violonista, além da cantora teen Clara Resende. 

VITRINES DO MEDIOPIRA

O MEDIOPIRA será sempre  uma vitrine para divulgar a boa música produzida na região.  Que em 2018 nossos agentes culturais tenham criatividade para pensar eventos capazes de celebrar essa qualidade e de colocar essa gente boa pra circular sua arte.  E podem contar com a parceria da MEDIOPIRA e com o Jornal BOM DIA.



quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

CARNAVAL NO MEDIOPIRA VAI FERVER...

MONLEVADE ABRE O CARNAVAL DA REGIÃO.

O empresário e produtor cultural Thiago Moreira tá chacoalhando a cena local e fazendo uma festa antecipada muito legal. Tomara que vire tradição. Parabenizo o Thiago pela ousadia de fazer no peito e na raça. Eu gosto das pessoas que pegam e fazem, que movimentam a cena e fazem acontecer. Thiago tá sempre inventando moda, faz o projeto "Aproveite" que é bem interessante e está sempre envolvido em projetos que tem sustentação comercial e institucional, que geram renda e oferecem vitrine para os artistas.

PROGRAMAÇÃO DO CARNAVALIZA MONLEVADE

Eu pelo menos adorava os carnavais temporões. Como folião, vivia atrás da folia. Saia de Alvinópolis para os carnavais fora de época de Rio Piracicaba, que eram muito legais. Torço mesmo para que o CARNAVALIZA dê muito certo. Serão dois dias de folia de rua, no centro da cidade. Sexta, dia 26  20 horas - início com DJ / 22 horas - show samba na sola - 01:00 DJ - 02:30 final - Sábado, dia 27 - 15 horas - início matinê - 17 horas: DJ / 19:00 : show com Ousadia e Alegria/ 21:30: Liniker faz dançar/ 22:00: show com Samba Club/ 00:00 Show com Júlia Queiroz/ 01:40: DJ / 02:30 final - LOCAL: EM FRENTE A PRAÇA DO LINDINHO

CADÊ?

O "Sapeca Iaiá" vai sair? É um bloco tradicionalíssimo.Não sei também sobre o pessoal do "Tambores do Morro". E tem uma turma de pessoas da terceira idade que saia com fantasias originais feitas de material reciclável.

CARNAVAL EM ALVINÓPOLIS VAI BOMBAR DE NOVO!


O povo Alvinopolense tem carnaval no sangue. Antigamente já fazia um carnaval de marchinhas sensacional. Os clubes participavam, tinham suas próprias marchinhas que eram verdadeiros hinos. Mas o carnaval de Alvinópolis nos últimos anos se renovou e ganhou novo fôlego. Um dos motivos foi o surgimento do megabloco OS PIRATAS. É uma horda humana que não desfila com batucadas, mas com caminhões de som turbinados, cada um tocando um estilo musical diferente. Eu tinha alguma resistência saudosista. Mas quando vi o bloco na rua, fiquei impressionado com a potência e com a organização do pessoal. 
Mas o carnaval em Alvinópolis ainda  tem a Bateria Colibri, da Bio Extratus, que é sensacional. Tem ainda a Escola de Samba Unidos do Morro, que este ano vai homenagear o Congado de N. S. do Rosário. Tem ainda o Bloco X, Adiantados. E pra completar, tem um prefeito festeiro, que adora carnaval e oferece uma excelente estrutura para os foliões, além de shows muito bons em praça pública, com segurança e conforto. A divulgação dos shows ainda não saiu, mas sempre são shows de qualidade.

SANTA BÁRBARA TAMBÉM INVESTE NOS BLOCOS DE RUA
A cidade de Afonso Pena também faz um carnaval animado. Em 2018 pretende resgatar a antiga tradição dos blocos de rua, com o tema " Resgatando a tradição nos trilhos da História. A folia movimentará a Praça Pio XII e Rua João Mota. Vai ter muita marchinha e shows pra embalar os foliões.

RIO PIRACICABA SERÁ DOS BLOCOS

No Carnaval de Rio Piracicaba rola muita criatividade e o grande barato são os blocos. A turma já est vendendo seus abadás. É bom a turma ficar de olho pra evitar problemas na entrega das camisas por parte das empresas que as confeccionam, que acabam ficando sobrecarregadas com a quantidade de pedidos nesta época do ano. Para atrair cada vez mais integrantes para o grupo, ter apenas um bom preço no abadá não basta, muitos blocos oferecem vantagens extras como canecas personalizadas, bebidas e um, dois ou mais aquecimentos de carnaval – encontros carnavalescos que antecedem a folia do Rei Momo.
SÃO DOMINGOS DO PRATA

Tem tradição no carnaval. Já vi pessoas de lá criticando o fato do carnaval ter se transferido para o Parque de exposições, tirando a graça do carnaval invadindo as ruas. Não tive notícias de como será esse ano. As administrações municipais esperam até a última hora para divulgar as programações. Isso por causa de questões legais, alvarás, corpo de bombeiros, burocracias oficiais, etc.

FESTIVAL MARCHINHAS DE MINAS A TODO VAPOR

O Festival Marchinhas de Minas realizado pelo segundo ano consecutivo, tá oferecendo uma vitrine muito interessante para os criadores e produtores de marchinhas, esse gênero tão tradicional e popular. Quem quiser se inscrever e concorrer a prêmios, ainda dá tempo. As inscrições vão até o dia 09 de fevereiro. E quem quiser conhecer as marchinhas inscritas e votar em suas preferidas, só acessar pelo site www.marchinhasdeminas.com.br

QUEM TIVER MAIS INFORMAÇÕES SOBRE O CARNAVAL, ENVIE PARA O MEDIOPIRA - marcos.martino@gmail.com



segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

INOVANDO A TRADIÇÃO

Pelo segundo ano consecutivo vai acontecer o FESTIVAL MARCHINHAS DE MINAS.. Trata-se de um festival virtual que visa resgatar esse estilo tão popular na maioria das cidades de Minas e em especial do  Médio Piracicaba. O MEDIOPIRA entrevistou Angelo e Alessandro, dois dos idealizadores.

MEDIOPIRA - Como surgiu a ideia de se criar o FESTIVAL MARCHINHAS DE MINAS?

ANGELO EUGÊNIO - Somos de uma cidade que tem muita tradição na criação de Marchinhas. Em Alvinópolis, nossa terra natal, haviam compositores de marchinhas geniais,  marchinhas essas que se perpetuaram e são cantadas até hoje. Então pensamos num festival capaz de trazer de volta essa tradição. E de convocar os compositores de outras cidades também.

MEDIOPIRA - Vcs já estão no segundo ano. Como foi o ano passado.

ALESSANDRO MAGNO - Foi muito legal. Como previsto, tivemos participantes de vários locais do estado e ficamos muito satisfeitos com o resultado. Para esse ano estamos tentando aperfeiçoar o modelo.

MEDIOPIRA - No ano passado o Festival aconteceu tendo Alvinópolis como sede. Como será esse ano?

ANGELO EUGÊNIO - A experiência do ano passado nos ensinou que quando se promove alguma coisa tendo a internet como base, a gente não precisa ter uma sede. Os próprio site e as mídias sociais em conjunto já são as sedes. Site significa sítio. Então nesse ano será apenas virtual mesmo.

ALESSANDRO MAGNO - Mas esperamos que as pessoas mandem suas marchinhas. Nosso sonho é que chegue por exemplo uma marcha rancho.  Como eram lindas e melodiosas as marchas rancho. Mas é claro, que também venham brincadeiras, críticas políticas, sacanagem, tudo que faz parte do universo das marchinhas.

MEDIOPIRA - Mas não sentem falta de uma apresentação ao vivo, pra levar as marchinhas para o calor do público?

ALESSANDRO MÁGNO - Para isso teríamos de ter uma estrutura muito grande e consequentemente um custo enorme, não só para a organização, mas para os artistas.

ANGELO EUGÊNIO - A despesa seria grande mesmo. As pessoas teriam de se locomover de suas cidades pra tocar ao vivo. Sem muito dinheiro pra fazer, fica inviável.

MEDIOPIRA - Mas como será o FESTIVAL DE MARCHINHAS desse ano então?

ANGELO EUGÊNIO- Bom, as inscrições já estão abertas no site www.marchinhasdeminas.com.br. É só a pessoa gravar sua marchinha no suporte que tiver. Pode ser no estúdio, no celular, do jeito que conseguir. O importante é que dê pra entender. Deve enviar até o dia 09 de fevereiro, pagar uma taxa de 30 reais por marchinha inscrita e sua marchinha será publicada na página do youtube do FESTIVAL DE MARCHINHAS para votação da galera.

ALESSANDRO - Não vai ter um juri. A votação será pelos clicks no youtube. Os vencedores receberão prêmios em dinheiro e brindes dos patrocinadores.

MEDIOPIRA - Mas como será a votação pela internet?

A medida que as músicas forem publicadas, já podem ser votadas.  Cada pessoa terá direito a um voto apenas. As votações será encerradas no dia 11 de fevereiro as 23:59. Ai serão conhecidas as vencedoras.

MEDIOPIRA - Como será a premiação?

Do total apurado nas inscrições, 70% será destinado à premiação. Haverá ainda brindes oferecidos pelos patrocinadores e também para a audiência. Quem se inscrever no canal no youtube também vai concorrer a sorteio de prêmios. 

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

AGGEU MARQUES, DOUTOR NA MÚSICA E NA MEDICINA

O MEDIOPIRA dessa semana entrevista o cantor e compositor Aggeu Marques, um artista muito querido no meio musical Belorizontino. Aggeu participou de diversos projetos e fez uma legião de  amigos na capital mineira, sempre muito bem acompanhado por músicos da prateleira de cima. Fez fama como um dos maiores divulgadores da obra dos Beatles no Brasil, viajando para diversos países e conquistando prêmios e reconhecimento. Como compositor, tem músicas gravadas por ninguém menos que Flávio Venturini e também é muito ligado ao pessoal do 14 Bis e do Clube da Esquina. Hoje Aggeu reside em João Monlevade onde atua como médico.Sorte de Monlevade e do Médio Piracicaba por contar com seus serviços médicos e com sua arte iluminada.

MEDIOPIRA - Como foi a sua infância musicalmente? O que ouvia?

AGGEU MARQUES - OUVI DE TUDO ATÉ OS 12 ANOS. CRONOLOGICAMENTE. PRIMEIRO BIG BANDS DOS ANOS 40 DOS DISCOS ANTIGOS DE MINHA TIA. DEPOIS ANOS 50 CLÁSSICOS AMERICANOS E ELVIS. DEPOIS COISAS DO INÍCIO DOS ANOS 60, E JUNTO COM TUDO ISSO, MÚSICA POP DOS ANOS 70. DE REPENTE AOS 12 ANOS, BEATLES E AÍ TUDO MUDOU.

MEDIOPIRA - Como foi a sua iniciação musical?

AGGEU - EM CASA, PRINCIPALMENTE COM MINHA IRMÃ DE CRIAÇÃO. OUVÍAMOS DE TUDO, MENOS MÚSICA BREGA DAS AMs. COMECEI AULAS DE VIOLÃO AOS 10 ANOS. FUI PARA O CONSERVATÓRIO LORENZO FERNANDES EM MONTES CLAROS, MAS NÃO TINHA DISCIPLINA SUFICIENTE PRA ME DEDICAR.

MEDIOPIRA - Vc alguma vez pensou em largar a medicina e seguir apenas com a música?
AGGEU -CHEGUEI A FAZER ISSO POR 1 ANO E MEIO NO INÍCIO DOS ANOS 90. FOI UMA DAS PIORES FASES DE MINHA VIDA. FOI QUANDO DESCOBRI QUE SOU ESSENCIALMENTE MÉDICO. A MÚSICA FAZ PARTE DA MINHA VIDA, MAS TEM SEU LUGAR DETERMINADO. SOU MÉDICO ACIMA DE TUDO.

MEDIOPIRA - Vc já ganhou dinheiro com suas músicas? Recebeu direitos autorais significativos?

AGGEU -NADA DE MUITO SIGNIFICATIVO, MAS JÁ ENTROU ALGUMA COISA.

MEDIOPIRA -  Como se deu a sua aproximação com Flávio Venturini e com os ótimos músicos com os quais trabalha? Pode citar esses caras e pequenos currículos?

AGGEU -O FLÁVIO ME FOI APRESENTADO PELO PAULINHO CARVALHO, BAIXISTA, E QUE TEM UMA HISTÓRIA COM O CLUBE DA ESQUINA. GRAVOU E TOCOU COM TODOS ELES . ELE ESTAVA GRAVANDO MEU PRIMEIRO DISCO QUANDO LEVOU O FLÁVIO PARA DAR UMA CANJA. PÔXA, O FLÁVIO SEMPRE FOI O MEU MAIOR ÍDOLO DA MPB. IMAGINA A EMOÇÃO. O BETO GUEDES, EU JÁ CONHECIA DA MINHA TERRA, MONTES CLAROS. O LÔ BORGES  E O TONINHO HORTA CONHECI EM BH ATRAVÉS DE AMIGOS COMUNS. OS CARAS DO 14 BIS ATRAVÉS DO FLÁVIO, E ASSIM VAI. TODOS HOJE SÃO AMIGOS QUERIDOS, E NÃO DEIXARAM DE SER MEUS ÍDOLOS. TRABALHEI COM VÁRIOS MÚSICOS EM BH E NO RIO DE JANEIRO. GENTE DE ALTÍSIMO NÍVEL MUSICAL E PESSOAL.

MEDIOPIRA - Você tem um trabalho premiado e reconhecido no mundo inteiro tocando Beatles.Como se deu essa sua ligação com o maior quarteto pop de todos os tempos? Quais os prêmios conquistou e pra onde viajou tocando Beatles?

AGGEU - SOU BEATLEMANÍACO COMPULSIVO. OUÇO MUITO DESDE OS 12 ANOS. PRA COMEÇAR A TOCAR FOI NATURAL. COSTUMO DIZER QUE A MÚSICA DOS BEATLES TRAÇOU OS RUMOS DA MINHA VIDA. PERDI AS CONTAS DOS PRÊMIOS, MAS PRA CITAR UM SÓ, MENCIONO O HALL DA FAMA NA INTERNATIONAL BEATLEWEEK EM LIVERPOOL RECEBIDO EM 2016. VIAJEI O BRASIL TODO E NA INGLATERRA, LONDRES E LIVERPOOL.

MEDIOPIRA -  O que é mais legal:tentar tocar as músicas dos Beatles mais próximas do original ou fazer releituras, tocar no estilo da banda ou artista?

AGGEU - FIZ DE TUDO. ACHO QUE O PRAZER DE TOCAR É SEMPRE IGUAL, QUANDO É FEITO PELA PAIXÃO E NÃO PELO CACHÉ.

MEDIOPIRA - Você já lançou 2 discos com canções próprias. Algumas faixas tiveram excelente aceitação e reconhecimento da mídia.Tem outras inéditas no forno?Pode adiantar alguns projetos pra gente?

AGGEU - NA VERDADE GRAVEI 3 CDs E UM EP. AGORA LANÇANDO UM DVD E CD AO VIVO. DEVE VIR COISA NOVA ATÉO FIM DO ANO.

MEDIOPIRA - Você é de Montes Claros, formou-se em medicina e fez fama como músico em Belo Horizonte. Hoje reside em Monlevade, onde atua como médico. Por isso, vivencia o dia a dia e como observador que é, me diga uma coisa: como você enxerga o ambiente da música em João Monlevade e no Médio Piracicaba? Aproveite e emende sobre os cenários estadual, nacional, internet. Fique à vontade...
AGGEU - NA VERDADE NÃO TENHO MUITA INTIMIDADE COM O CENÁRIO CULTURAL DE JOÃO MONLEVADE. TRABALHO MUITO DURANTE A SEMANA E NOS FINS DE SEMANA, ESTOU EM BH OU DESCANSANDO. MAS PELO QUE CHEGA ATÉ MIM, ACHO QUE ESTÁ MUITO AQUÉM DO POTENCIAL DA CIDADE. UM ESPAÇO COMO O TEATRO DO CENTRO EDUCACIONAL DEVERIA ESTAR EM MELHORES CONDIÇÕES E SER MAIS BEM UTILIZADO. CENÁRIO CULTURAL NACIONAL ?  UM LIXÃO, COM PEQUENOS OÁSIS CULTURAIS.

MEDIOPIRA - Agora uma pergunta pro médico: música cura?

AGGEU - CURAR, NÃO. MAS AJUDA A ALIVIAR AS DORES, DO CORPO E DA ALMA.

MEDIOPIRA -  Deixe a mensagem que quiser para o público, deixe agenda de shows, contato, site, Insta, twitter, para quem quiser interagir ou mesmo contratar..

AGGEU -FACEBOOK É O PRINCIPAL MEIO DE COMUNICAÇÃO HOJE. O MEU SITE NOVO FICA PRONTO EM BREVE. A AGENDA DEVO DIVULGAR EM BREVE, MAS DEVE SER BEM MAIS TRANQUILA EM RELAÇÃO AO ANO PASSADO. NENHUMA MENSAGEM EM ESPECIAL, SÓ ACHO QUE TÁ NA HORA DO POVO DA REGIÃO COMEÇAR A SE INDIGNAR COM OS POLÍTICOS REGIONAIS E NACIONAIS.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

MÚSICA SELF SERVICE

Reclamações e lamúrias de nada adiantam. Reclamar que a juventude não está querendo saber do rock ou MPB é perda de tempo. A juventude de hoje é eclética. Vai frequentar as tribos que quiser, beber das fontes que quiser, sem intermediação de ninguém. É multiplataforma e não linear. A música de hoje não é mais "a la carte". É self-service. As pessoas podem escolher no imenso menu oferecido pelos youtubes e spoftys da vida. A turma do "antigamente é que era bom" vive dizendo que a turma de hoje não tem gosto. Que bobagem! Cada época tem suas músicas da moda. Quando o axé apareceu sensualizando tudo, muita gente torceu o nariz. Como pode uma música tão vulgar assim, com tantas bundas e peitos ocupando os espaços? O povo dizia: essa tal de axé não tem conteúdo, não tem poesia, só tem essa dança maliciosa e essas letras de baixo calão. Mas o povo caiu no swing e barbarizou geral. A turma do rock reclama, mas já houve um tempo em que juventude embarcou na onda do rock brasil, que era dançante, bom pras baladas da época e também tinha muito sexo e diversão. Houve uma primeira onda com Roberto Carlos e a jovem guarda. Depois veio o rock dos anos 80. As músicas dos titãs, paralamas e Legião tocavam nos bailes. O rock brasil foi muito popular.  Depois vieram o sertanejo, o pagode e mais recentemente o funk, gêneros ainda mais populares instantaneamente assimilados pela massa. Aí vem os puristas reclamar que das 100 músicas mais executadas no país 90 são sertanejas, 8 funks e duas são pop. E reclamam que a artista mais bem sucedida do país hoje é Anitta, que começou como funkeira, mas flerta com grandes artistas pop do planeta e transita em gêneros como reggaton, funk americano, zouk e claro, com o funk carioca. Seu clip recém lançado é um funk muito bem tramado sob o ponto de vista do marketing. Primeiro por que a ambientação é toda em cenários de periferia, uma realidade bem carioca, espelho das periferias do Brasil. 
Achei genial a jogada de celulite explícita no início do clipe. A auto estima da celuliteiras foi lá em cima. Isso vende. Quanto a música, nada demais. Na verdade, um lixo. Mas um lixinho rico. Nunca antes na história do país tivemos uma artista com tamanho apetite pop. Vai, malandra, para o topo das paradas... 
Sem falar no sucesso da cantora Pablo Vittar ( é muito engraçado chamá-lo de cantora, mas é assim que vem sendo tratada. Mas voltando ao assunto rock, há algum tempo publiquei que o estilo tinha ficado gagá,  caduca, uma músicapara velhos. O rock broxou. 

Do slogan "sexo, drogas e rock and roll" muito pouco sobrou. A galera que nova que faz rock parece que tem vergonha de ser pop e prefere falar de depressão e de política. Parece que encaretou. Nada de experiências sensoriais e de comportamento politicamente incorreto. Ficou tudo comportado, alternativo, pouco festivo. Por isso bandas como Rolling Stones, ACDC, Beatles continuam veneradas. Até pela turma mais nova, saudosa de um tempo que nem viveu. Com a MPB aconteceu algo semelhante. Foi o estilo preponderante principalmente durante a ditadura e no inicio da redemocratização do país. Mas a turma erigiu toda a sua obra naquela época e os que vieram depois não tiveram a mesma capacidade de popularização. Além do mais, é um gênero pouco interativo, feito pra fazer pensar, mas não pra dançar. É um estilo mais adequado para teatro e não para grandes bailes populares e shows ao ar livre. Aliás, talvez ai esteja o "ó do borogodó", o ponto de disrupção das fases anteriores da música e da vivenciada hoje: a interação. 
Num show sertanejo ou mesmo de funk, o público deixa de ser apenas platéia para se transformar em protagonista, dançando, participando e interagindo com os artistas. A atitude é outra. Bom, mas chega a hora de concluir o textão. Em alguns momentos fui  apocaliptico, falei da preocupação com a automatização e até sobre a inteligência artificial substituindo o músico. Mas...em 2018 vamos tentar ver o copo cheio. Que tal os artistas pararem de reclamar e dedicarem-se mais? Que tal mais profissionalismo, mais compromisso? Que tal shows roteirizados e ensaiados, com iluminação bacana, roupas adequadas, disposição pra divulgar nas mídias e finalmente gerar renda e qualidade de vida? Que tal as cigarras e formigas trabalhando juntas? Um respeitando o ofício do outro? Tomara que 2018 seja um ano de virada, em que consigamos re-significar a arte na vidas das pessoas.  E pra finalizar, agradeço a todos pela atenção ao longo do ano. Nas próximas edições retornaremos às entrevistas com artistas do Médio Piracicaba e repercutiremos os assuntos culturais da região. Felicidades para todos...

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

O FUTURO DA MÚSICA

Além de todos os problemas decorrentes da baixíssima curiosidade intelectual, da crescente alienação das massas, da quase eliminação da cultura da ordem do dia, da falta de interesse por conteúdos de relevância e de uma quase marginalização da arte, pelo seu viés questionador e reflexivo, temos um inimigo ainda mais poderoso. Assistimos a cada dia ao avanço das tecnologias, que substituem e tornam o homem obsoleto nos mais diversos setores.
O Jornalismo mudou radicalmente, assim como a publicidade. A advocacia vem sendo impactada, a medicina, a engenharia, a educação, tudo num processo de constante transformação e autofagia.
Os mais otimistas acham tudo maravilhoso e tratam de tirar o máximo das parafernálias da moda. Há quem diga que sempre foi assim, que a pólvora aposentou a espada, assim como a lâmpada aposentou a lamparina e por aí vai. O mercado de querosene caiu e os ferreiros que fabricavam espadas tiveram de mudar de ramo ou fabricar ferraduras.
Com relação à música, houve um tempo em que era tudo analógico, tudo no muque, sem metrônomo nem nada. Música humana, sem firulas.
Mas aí começaram a aparecer os teclados eletrônicos. Tivemos a oportunidade de acompanhar a evolução dos samplers, das baterias eletrônicas, dos teclados e pedais maravilhosos que turbinavam o som.
Depois vieram os softwares de edição, que nos permitiram transformar nossos computadores em "home studios" com relativa qualidade.
Só que até então o poder estava nas mãos do ser humano. O homem ainda era necessário para criar e programar os sons.
Mas aí chega uma notícia chocante: já existem computadores baseados na Inteligência Artificial que compõem músicas. São alimentados com conhecimentos quase infinitos, com sons de todos os tempos e timbres, com programação de algoritmos e sei lá mais o que criando, músicas para diversas finalidades.
É com isso que nós músicos e compositores humanos já estamos concorrendo. As máquinas já estão criando sinfonias funcionais e industriais. Músicas pra acordar, pra comer,  caminhar, malhar, transar, trabalhar, pra acelerar o trabalho, pra colheita no campo, cavalgadas, guerras, todas as ações e sentimentos humanos similares.
Essas músicas são executadas por programas que transformam a criação em sons utilizando samplers com todos os sons analógicos e sintéticos produzidos pelo homem.  
Atenção: não é ficção. É realidade! Quem quiser pode pesquisar na internet e conhecer algumas composições feitas por IA. Algumas não são muito diferentes das coleções de trilhas disponíveis por aí. Mas tem até jazz e composições clássicas com  qualidade relativa. 
Podemos até concorrer com os computadores ao oferecermos músicas orgânicas, puras, feitas em nossos cérebros cheios de imperfeições, verdadeiras quitandas.  Será como oferecer verduras e frutas orgânicas, sem agrotóxicos ou aditivos. 
Os pessimistas acham que com a IA a humanidade vai ficar obsoleta e pode até ser eliminada pela criatura. Os otimistas acham que a IA  vai ajudar a aprimorar a humanidade. Nós humanos  aprendemos com a natureza. As máquinas aprendem conosco.
Se terão lealdade ou piedade, só o tempo dirá.
Se der errado, vamos ver se alguém lembrou de criar um botão de on/off. 

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

APOCALIPSE CULTURAL


A tecnologia vem passando o rodo e mudando tudo na vida cotidiana e não seria diferente com a arte. A cultura como conhecíamos não existe mais. Virou outra coisa, desmaterializou-se, virou nuvem...

NOVILÍNGUA

Os novos tempos carregam um forte elogio à ignorância. A simplicidade tornou-se virtude hipervalorizada . As pessoas consomem mensagens a cada dia mais reduzidas. Muitos só lêem as fotos e legendas ( daí o sucesso do instagram). As pessoas passaram a ter preguiça de textos maiores, vídeos maiores, conteúdos densos. Há um certo enfastio da profundidade.

PIRATARIA SEM CONTROLE

Hoje em dia, com a facilidade de se copiar e colar qualquer coisa, como ganhar dinheiro? Se você compartilha, caiu na rede, não é seu mais. Temos templates de quase tudo e está só piorando.  Direitos autorais sobre fotos? Sobre música? Sobre textos? Esqueça! Se tiver dinheiro pra contratar advogados, vá em frente...



FIM DA MATERIALIDADE

De repente ficou tudo fluido, comprimido, evanescente. Quem consumia música há algumas décadas precisava de LPs, K7s, Mds, Cds, pendriveS. E hoje tá tudo na nuvem descomunal. Você paga um tikim e tem um tantão...quase um infinito de músicas e outros conteúdos.

TEM O LADO BOM

Tem quem defenda que os artistas nunca tiveram um meio tão democrático para atingir seus fãs. É só ter um canal no youtube, um facebook da hora, instagram com belas fotos e pá: tá resolvido.  Mas como conseguir audiência no meio de um barulho desses?

DÁ PRA GANHAR DINHEIRO COM MÚSICA?

Antes alguns artistas faturavam com direitos autorais. O ECAD arrecadava na execução em rádios e tvs, nos eventos, nos bares.  Havia a perversidade dos jabás. Hoje, nem isso tem mais. A internet vem mordendo o bolo das rádios continuamente e parece ser um caminho sem volta. Num cenário como este, poucos ganham com direitos autorais. A saída para os músicos é tocar ao vivo, vender shows. Mas como vender se a banda não for famosa?

DITADURA DO COVER

E pra completar o elenco de notícias cabulosas para a nova música, temos essa covermania. Os donos de bares não querem saber de artistas autorais, considerados chatos e alternativos. E dá-lhe bandas imitações tocando o set de alguma banda. E com isso, não há renovação. Nas artes práticas, as cópias ( artesanato) costumam dar mais lucro que os originais.

E COMO FICAM OS AUTORAIS?

Terão de cavar novos veios, procurar novos espaços de fruição e monetização do trabalho. Alguém vai querer pagar por originalidade. Por enquanto a situação está nebulosa. Mas tem gente por aí se dando bem. Tem gente ganhando dinheiro no spotfy, até mesmo no youtube.

SÓ O PROFISSIONALISMO PRA SALVAR...

Reclamar não adianta. Qualquer parceria precisa passar firmeza. Os artistas e seus empresários precisam se profissionalizar e somar no esforço de levar público, o que será bom pra quem contrata e para o contratado. Muitas bandas vão lá, levam um lero com o dono e esperam que as casas façam tudo e inclusive levem público.  E na hora do show, tocam como se estivessem nos ensaios, mal olham pra cara da platéia, não se comunicam, não oferecem uma experiência positiva. Muito pelo contrário: olham pro nada, não fazem questão de interagir, de causar algum impacto ou emoção. Alguns dizem que tocam pra agradar a eles mesmos. Bom, creio que para masturbação o palco não seja um espaço adequado.

A DIREITA NÃO TEM DISCURSO PARA A CULTURA

Eu vejo algumas pessoas xingando os artistas, que em sua maioria, nutrem simpatia pela esquerda. Isso é fácil de explicar.  Não se vê a direita abraçando nada em termos culturais. Nem a turma tucana. Enquanto isso, a esquerda abraça. Para a direita, a arte é um devaneio, coisa de cigarras num mundo de formigas.