sexta-feira, 15 de setembro de 2017

PROCLAMADA A REPÚBLICA LITERÁRIA...

O MEDIOPIRA da semana foi conversar com a Jacqueline Silvério,  sócia da República Literária, um dos maiores centros de difusão da literatura e do conhecimento na região. Conheço Jacque desde que ela se expressava artisticamente nos festivais de musica. Depois que montou a Republica Literária ela encontrou sua "cachaça". A literatura preencheu a sua vida e juntamente com a Nádia, construiu uma loja que é quase uma instituição monlevadense, dada a sua importância para leitores, estudantes, professores, escritores, promotores de eventos e afins. Mas vamos a entrevista...


MEDIOPIRA - Quantos anos tem a República Literária?

Completamos 29 anos. A Republica Literária foi fundada em 10 de junho de 1988

MEDIOPIRA - A República literária virou uma espécie de templo da cultura e dos eventos na cidade. Vocês estão sempre trabalhando em parceria com os promotores culturais, servindo como bases para vendas de ingressos e convites. Como é essa relação com a cidade?

Por iniciativa própria, sempre divulgamos todas as iniciativas culturais. Sempre disponibilizamos nossos espaços internos e externos para divulgações de eventos educacionais, sociais, culturais e literários, e, na medida do possível, buscamos, por meios próprios,divulgar, com a antecedência necessária, todo material disponibilizado por pessoas, entidades e empresas, convidando nossos clientes e amigos a tomarem conhecimento da atividade e dela participarem.

MEDIOPIRA - Como você avalia o mercado de livros. As pessoas continuam lendo muito?

Com toda a certeza, posso afirmar que o MERCADO DE LIVROS expandiu-se vertiginosamente. Entretanto, não significa, exatamente, que houve um crescimento paralelo de venda de livros. Os novos leitores, utilizam-se de e-books como nova plataforma de conhecimento do teor dos livros. A facilidade em baixar os livros para o computador, tablet, notebook, celular e outros meios, criou um novo jeito de ler.

MEDIOPIRA - Além de livros, vocês comercializam uma série de produtos. O que tem mais saída hoje em dia?

Realmente, para manter o sonho de oferecermos livros aos nossos clientes, tivemos que ampliar nossas atividades comerciais. Atualmente, os produtos mais vendáveis são os vintage (retrôs), canecas e taças, chinelos, imãs e relógios.

MEDIOPIRA - Você acha que o livro impresso tem vida longa ou será engolido pelas plataformas virtuais?

Acredito que sempre existirão os fieis amantes do livro impressos. Mas, já na atualidade, dada a comodidade, principalmente, e ao imediatismo dos novos leitores, as opções virtuais têm crescido bastante.

MEDIOPIRA - Quais você considera serem as vantagens da leitura do livro físico sobre a leitura virtual, nos tablets e celulares da vida?

Pessoalmente, e na opinião de diversos clientes, o prazer de "possuir" o livro físico se explica pelo prazer de poder toca-lo ou visualiza-lo nas prateleiras de uma estante, especialmente criada para sua admiração, de poder cheirar as suas folhas, marcar-lhe as partes mais interessantes, deixar nele anotações pessoais, e por aí vai... A relação com um livro físico é a de um amor incondicional.

MEDIOPIRA - Vocês estão promovendo a feira anual da República Literária. O que vai ter de novidade esse ano?

Nesta edição 2017, que será no dia 7 de outubro, além dos descontos especiais de 15 e 20% em todos os livros expostos dentro da livraria, teremos, na parte externa da loja, a presença de 2 escritores, que estarão autografando seus livros. O artista plástico e professor Mateus Xavier também irá prestigiar o nosso evento realizando desenhos livres de nossos clientes. A área musical ficará a cargo da dupla Heitor e Ronivaldo, apresentarão músicas de estilos variados, no melhor da MPB. E para finalizar, o mais especial da nossa feira anual de livros será oferecer excelentes títulos para as crianças, adolescentes e o público em geral, com promoções a partir de R$5,00 e centenas de livros ao preço fixo de R$9,90.

MEDIOPIRA - Os escritores locais tem saída? Existe algum tipo de promoção e interação com a livraria?
Escritor Monlevadense Wir Caetano lançando novo livro
Alguns poucos escritores locais têm uma saída mais expressiva de seus livros. Entretanto, no geral, a procura/ venda de um livro independente é muito rara, e perdem-se obras muito boas por desconhecimento de conteúdo. Em nossa livraria, atualmente, temos títulos de escritores locais, de Nova Era, Rio Piracicaba, Itabira, São Gonçalo do Rio Abaixo, São Domingos do Prata, Belo Horizonte, Brasília. Geralmente, os “escritores" deixam os seus exemplares, e somem. Alguns poucos aparecem para acompanhar a venda dos livros, ou interagirem conosco.

MEDIOPIRA - E como está a presença da República Literária na internet?



Ainda não criamos uma PLATAFORMA DE VENDA ATRAVÉS DA INTERNET. Entretanto, nossa presença é diária no FACEBOOK e WHATSAPP , e os clientes estão habituados a fazerem contato conosco através destes meios de comunicação. Temos buscado agilizar o processo de atendimento pessoal e virtual , aprimorando , diariamente , a nossa logística de vendas

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

DEIXEM O FUNK EM PAZ

Anitta desce até o chão. Maior artista brasileira do momento.
ENQUANTO ISSO NAQUELA ACADEMIA

- O que você está ouvindo?

- Ahn? Ah...estou ouvindo funk.

- Nossa. Eu deteeesto funk.

- É mesmo? Eu não tenho nada contra!

- Ih...ninguém merece.  Isso pra mim não é musica

- Uai...tem compasso, tem melodia, harmonia. E é bom de dançar.

- Ah...pelo amor de Deus. Vai me desculpar, mas funk não é música.

- Baita preconceito seu.

- O que é isso. Funk não tem raíz...não tem história.

- Aí é que vc se engana. Tem história, tem vida, tem arte ali.

- Arte? Com essas letras indecentes, cheias de erros de português?

- Besteira. Os Manonas também eram indecentes. Falavam de suruba e
cabelo do saco e todo mundo achava engraçado.

- Ah...mas não dá pra comparar. Os Mamonas eram...

- Eram brancos né? Eram de classe média alta. Preconceito puro!

- Espere aí. Não é nada disso. Não tenho nada contra os negros. Não
tenho preconceito de cor.

- Olha só. Quando apareceu o samba, a elite da época queria proibir.
Com o Rock aconteceu a mesma coisa. Fizeram passeata contra a guitarra
elétrica. Agora é a vez do funk.

- Ah...mas o funk eu sou a favor de proibir...não aguento esse pessoal
que passa com som alto de madrugada tocando funk.

- E sertanejo pode? Por que eu vi uma turma passando tocando Eduardo
Costa e eu odeio Eduardo Costa. Vamos proibir o sertanejo também por
causa disso?

- Mas o funk é música do capeta. O Pastor falou lá na igreja. Não é
coisa de Deus.

- Que bobagem.  O Funk é apenas um ritmo. E é meio de vida pra muita
gente. Abriu oportunidade pra turma da periferia se expressar,
juntamente com o Rap e o Hiphop.  Custo a acreditar que alguém pode
querer proibir uma cultura.

- Mas funk não é música de gente normal. É só de traficante e de favelado.

- Mais um engano seu. Não tem uma festa hoje em que a galera não peça
funks no repertório. E a turma solta as frangas pra valer. As morenas,
as loirinhas, todo mundo descendo até o chão.

- Tá vendo? Só sexo, sensualidade, banalização do corpo feminino.

- E era diferente com o Axé? As meninas e até os homens desciam na
boquinha da garrafa sem medo de qualquer juízo de valor.

- Engraçado. Achei que você fosse rockeiro.

- Continuo  gostando de rock. Mas quer saber? Acho que o funk ocupou a
cabeça do jovem e o rock virou música de velho. O funk tem
apresentado mais ousadia e inovações do que o rock, que continua
vivendo dos ídolos do passado. O funk oferece a promessa do sexo
livre, da dança, da liberdade que os jovens buscam. O rock ficou gagá.

- Por essa eu não esperava.

- O que?

- Eu gosto de rock. Você me chamou de velha.

- De jeito nenhum. Vc é novinha. Só precisa relaxar um pouco...

- E o que eu tenho de fazer?

- É simples...só aprender a quicar, a sentar e descer até o chão.

- Que indecência, meu Deus...

- E vai dizer que não gosta?

- Gostar eu gosto...quer dizer...eu gosto mas tenho de resistir né?
Senão o pastor me xinga.

- Ah... então mande esse pastor pro inferno.

- Eu não. Deus castiga!

- O que castiga é o tempo. Se não aproveitar enquanto tá tudo em cima,
quando cair fica mais difícil.

- Tá bom. Vc me convenceu. Preconceito deletado...

- Nossa, novinha! Você me serve...

domingo, 3 de setembro de 2017

O LIVRO QUE VIROU POESIA, QUE VIROU MÚSICA, QUE VIROU VÍDEO, QUE VIROU EBOOK

Marcos Martino e Erivelton Braz, sonhadores e realizadores.
Foi um caso muito interessante  de uma ideia que surgiu há mais de 8 anos e que foi dar frutos agora. Tudo começou com a provocação do Jornalista Márcio Passos, que incentivou o também Jornalista e escritor Erivelton Braz a escrever um livro romanceado sobre a história de Jean Monlevade. Erivelton topou a empreitada e já está com o livro pronto há alguns anos. Em princípio seria patrocinado pelo Jornal A Notícia, mas por causa da crise de 2008 o projeto teve de esperar sua hora. E essa hora chegou e tive a honra de colaborar de alguma forma. Há alguns meses li um belo texto do Erivelton no Notícia, falando sobre as comemorações dos 200 anos da chegada de Jean Monlevade ao Brasil. Na hora pensei comigo: Puxa. Isso daria um belo trabalho. E não é que no outro dia o Erivelton me ligou? Foi telepatia. Só pode! Ele em princípio me propunha uma parceria em uma música. A ideia era criarmos uma canção comemorativa. Falei pra ele: -Erivelton, mas eu preciso de subsídios para criar. E ele me disse: -Espere só um pouquinho que vou lhe enviar alguma coisa. E me enviou uma linda e instantânea poesia, que também quase instantaneamente virou música. Vejam como era a poesia e como ficou a letra da música...


Depois de aprovarmos a ideia musical, partimos para a produção do arranjo e gravação dos cantores. Resolvemos convidar artistas monlevadenses, pra ficar tudo em casa. Convidamos Mark Jr, um parceiro arranjador que tem muita qualidade e Natália Grigório, cantora das melhores que conheço. Gostamos tanto do resultado que resolvemos produzir um vídeo clip. Procuramos diversos parceiros e a receptividade foi enorme. Iniciamos a produção e continuamos trabalhando no projeto. Nesse meio tempo tive uma ideia e o Erivelton topou a empreitada: por que não lançar o livro como Ebook e disponibilizar pro pessoal baixar gratuitamente? Afinal de contas, o livro foi a semente. Dele saíram a poesia, a música, o vídeo...e finalmente o ebook. O trabalho o tempo inteiro com Erivelton foi interativo, muito tranquilo, sem atropelos. Começamos a trabalhar em março. Foram 6 meses entre a nossa primeira conversa e o lançamento do projeto. Mas se considerarmos a primeira conversa sobre o livro, são mais de 10 anos. Nada perto dos 200 anos de desenvolvimento à partir das aventuras do Francês aventureiro. 

36º FESTIVAL EM ALVINÓPOLIS - FAÇAM SUAS APOSTAS

Antigamente as pessoas só tinham acesso às músicas dos festivais no dia do evento. Havia até cláusula de que a música não poderia ser conhecida nem ser vencedora em outros festivais. Mas a situação mudou e acho que foi pra melhor. Hoje em dia, já podemos conhecer antes as músicas participantes e até escolhermos as nossas favoritas. Dentre as 20 músicas inscritas consegui localizar 15 na internet. As outras 5 não encontrei no youtube, mas se aparecerem postarei aqui pra vocês. Coisas boas de verdade. 

Pra começar o  swing matador do Pontenovense Arthur Vinnih, o balanço irresistível de EU SOU NEGÃO, clip acessado por mais de 100 mil pessoas do Youtube. 

Maíra Baldaia é uma itabirana, que fez um disco sensacional e inscreveu em Alvinópolis 
uma das suas músicas mais emblemáticas.
A música BRASEIRO, que vem de São Paulo, um ska divertido feito por uma turma jovem, irreverente. Com certeza vai agradar.
                        Tijolo e Água é um samba delicioso com letra filosófica e bem humorada. 
                                            O clip é o máximo em termos de home clip. 
Coração Sereia é interessante, num ritmo quebrado, bem irreverente. 
Uma daquelas músicas que surpreende ao vivo. 
O silêncio, de Vitória Rudan é uma daquelas músicas que costumam ganhar festivais, 
com ótima letra e interpretação apaixonada...
Ronaldo Saar e Roberto Aziz também são dois artistas acostumados a ganhar prêmios. 
Estão com a sua vitoriosa "Imensurável"
Gostei do Rock cru do Bruno Coímbra, com letra que fala sobre o fim de uma relação, que inspirou uma "canção sem refrão"...
De congonhas o Grupo Vocalis traz a típica música festivaleira LUA CHEIA, 
um grupo vocal que deve ser muito legal ao vivo. 
Marcela Lobba vem de São Tomé das Letras,
 trazendo a espiritualidade do canto elemental.
De Ipatinga, Tony Moreno ataca de Blues...o Blues do amor perdido
De Lavras vem a lindíssima COLAPSO DA FLOR, de Carlos Otto.
O DANADO SOU EU - da Banda ARRUDA de SP já é uma canção
 mais engajada
Guilherme Ventura de Santa Luzia vai de Procissão...

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

TUPETE SILVA, QUALIDADE EM TUDO QUE FAZ

A primeira vez que vi a figura do Tupete foi na banda de forró "Artimanha das Gerais". Os caras estavam à toda, usavam umas roupas coloridaças e ali já brilhava a estrela do Tupete. O tempo passou e fui ouvi-lo de novo em Santa Barbara. Fiquei impressionado. O moço tocou vários instrumentos e bem. Ele tava voltando de uma temporada na Europa. Mais à frente tive a honra de trabalhar com ele em seu estúdio em Sao Goncalo. Foi numa produção para a Prefeitura e pra agência Shine On. Na época ele já começava o oficio de luthier, construindo tambores. Depois disso fui vê-lo tocar no carnaval de Alvinopolis, mandando ver na guitarra e cantando axe e reggae. O sujeito tem uma inteligência musical notável. Aprende os instrumentos e domina com muita rapidez. E tem uma história rica. Nessa entrevista ele conta coisas que eu não sabia. Por exemplo, que ele tocou com o trio parada dura. Mas vamos à entrevista...

MEDIOPIRA - Que músicas você ouviu na infância?

Tupete - Roberto Carlos, Luiz Gonzaga, Tonico e Tinoco, ZÉ Betio ...o que tocava na rádio naquela época

MEDIOPIRA - Como você ingressou no mundo da música?

Tupete - Fui influenciado pelos meus irmãos muito cedo. Comecei quando fui indicado pelos meus irmãos pra tocar com uma cantora sertenaje..ai eu comecei e não parei mais...

MEDIOPIRA - Conte pra nós um pouco da sua trajetória participando e liderando bandas

Artimanha das Gerais, forró pra ninguém botar defeito
Tupete - Quanto eu tava com uns 23 anos...conheci o Mangabinha e comecei a tocar no  no Trio Parada durante um tempo. Depois toquei aqui em São Gonçalo na banda Luanda. Depois montei  a banda Artimanhas das gerais com meus irmãos...de forró....depois eu separei e comecei a fazer carreira solo.

MEDIOPIRA - Você tem um trabalho interessante como  compositor.  Pensa em lançar CD ou DVD com esse trabalho? O que tem no Baú do Tupete?

Tupete -  Lançar CD e suas músicas e sonho de todo músico. Eu sou compositor sim e tenho no baú algumas músicas sim como Trato do embolado, eu faço, beija flor são músicas que eu tô trabalhando e espero gravar e mostrar para o público.

MEDIOPIRA - Como foi a sua experiência no exterior? Como foi a recepção? Tocou em quais países?

Tupete - com música estive no Paraguai, Argentina, Portugal, um pedaço da Espanha...e foi muito legal. Fui em 2005...toquei na noite...conheci Portugal inteira tocando. E depois toquei representando São Gonçalo...abrimos pra Gilberto Gil. Foi uma experiência maravilhosa.

MEDIOPIRA - Hoje, como são as suas apresentações musicais. Mais com banda ou individual?

Tupete - Tenho me apresentado individual e com banda. Devido a crise, tenho me apresentado mais individual. Mas temos a banda Kabaloa, uma banda completa, que ainda tem violino, vocal feminino, etc.
No charmosíssimo bar Na Laje 67 em Alvinópolis

MEDIOPIRA - Além de músico, você também vem se destacando como Luthier, produzindo e reformando instrumentos.  Como foi que adquiriu esse conhecimento? Foi na tentativa e erro, aprendendo na prática ou fez cursos?

Tupete - Foi  na necessidade.  Fui aprendendo...e aprendi a construir instrumentos...o pessoal começou a gostar...os pedidos chegando e tem sido desse jeito.

MEDIOPIRA - Mas qual a demanda maior. Por reformas ou pela confecção de instrumentos exclusivos?

Reformando ou fabricando,
o padrão Tupete
de qualidade é inigualável.
Tupete - A demanda maior é por reformas. Tá mais em alta. Pra quem tem um carinho maior com o instrumento. Mas tenho feito muitos também sob encomenda.

MEDIOPIRA - Quais os projetos do Tupete para o futuro próximo?

Tupete - Ampliar a oficina, gravar um disco, mostrar meu trabalho, talvez montar um projeto social ensinando, passando essa arte pra frente...seria isso...

CONTATOS

Tupete Silva

31 3833.5395 - 99093864 - 96894581
Rua  Raimundo Mateus, 100 - Guanabara - São Gonçalo do Rio Abaixo - MG
Facebook - Tupete Silva.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

JEAN MONLEVADE, A HISTÓRIA DE UM SONHO

O que um sujeito não faz pelo seu sonho. Jean saiu da França, capital cultural da Europa na época e veio parar no Brasil colonial quase selvagem para se tornar o pai da siderurgia mineira. Foi uma aventura e tanto. E eis que um belo dia essa história começou a fervilhar na cabeça de dois amigos: primeiro do Jornalista Marcio Passos, que desafiou o então estudante de letras Erivelton Braz a escrever uma história romanceada sobre a epopeia da vinda de Jean para a região. Márcio acreditava que o romance era melhor assimilado pela nossa cultura do que se fosse simplesmente uma compilação histórica. Erivelton topou o desafio  mas tentou juntar as duas coisas: fez um romance lastreado na história. Saiu pesquisando em várias fontes para tentar entender o personagem seu tempo, suas histórias e estórias. 

Eis que Erivelton  terminou seu livro. Levou ao conhecimento do Márcio, que foi o primeiro a ler, gostou bastante e se dispôs a trabalhar pra viabilizar a 1ª edição. Assim nasceu NAS TERRAS PESADAS DE METAIS E ESPANTOS. 

Quer dizer...nasceu mas teve de ficar hibernando durante um tempo. É que ninguém contava com a crise de 2008 que virou o mercado ao avesso e paralisou o projeto. 

Mas o destino tem seus caprichos. Dia esses, lendo um texto do Erivelton no site do Jornal A NOTÍCIA me deu um click. O texto falava sobre os 200 anos da chegada do JEAN MONLEVADE ao Brasil que merecia uma comemoração à altura. Pensei comigo: -Puxa vida. Dá pra fazer um trabalho muito lindo. A história é muito rica e inspiradora.

E não é que no outro dia fui surpreendido pelo Erivelton que me ligou pra falar exatamente sobre aquele assunto. Sincronicidade? Não tenho dúvidas. E assim começamos a conversar sobre fazermos uma música sobre o bicentenário. Erivelton me enviou um poema feito instantaneamente e comecei a trabalhar na linha melódica. Mexi na letra, adaptei algumas coisas, fomos lapidando até que chegamos a um resultado que nos agradou. Conseguimos um patrocínio para produzirmos a música. Chamamos para fazer arranjo o talentoso músico monlevadense Mark Jr.
Natália Grigório arrasou

Mark Jr fez os arranjos.
Para cantar convidamos a fantástica cantora Natália Grigório. A música ficou tão boa que começamos a cogitar a produção de um video-clip com belas imagens da cidade. E começamos a enviar projetos para diversas empresas. 



Pra nossa alegria, quase todos  gostaram do projeto e nos deram retorno positivo.Assim partimos para a elaboração do roteiro e para a produção do vídeo.

Quem se encarregou da captação de imagens e da edição foi outro Monlevadense: Robson Mariz da DRONES RM, que reside em Belo Horizonte. Enquanto produzíamos o vídeo pintou uma ideia nova: se o livro não foi lançado no formato impresso, por que não lançá-lo no formato e-book? Seria distribuído gratuitamente num formato pioneiro na região. Erivelton gostou da ideia, afinal, tudo que o criador deseja é que seu trabalho chegue até o máximo de pessoas. O que não lhe tirou o desejo de lança-lo também no formato impresso. A materialidade é importante. Em breve...

E QUEM QUISER BAIXAR O LIVRO?

Muito fácil. Só acessar o site do Jornal A NOTÍCIA e preencher um cadastro. http://anoticiaregional.com.br/ebook.asp


ALGUMAS INFORMAÇÕES SUPLEMENTARES

O vídeo foi feito a partir de um roteiro sentimental. Não tem uma perspectiva politica ou institucional. O intuito foi exaltar a memória do fundador, seu legado, seu espírito empreendedor que permeia todo o fazer na cidade. Que as gerações futuras possam se inspirar em sua história de persistência, de acreditar que é possível fazer coisas  gigantescas se você souber sonhar direito e tiver uma raça sobre-humana pra fazer acontecer. 

OS GUARDIÕES DA HISTÓRIA

Várias pessoas  já se aventuraram a escrever sobre o assunto e o fizeram muito bem como foi o caso dos excelentes livros do Jairo Martins e do Afonso JR. Os livros do Jairo são magníficos, cheios de erudição e beleza poética. Do Afonsinho não tive a honra de conhecer, mas só me deram ótimas referências. Cada um oferece elementos novos para a compreensão dessa figura tão importante que está no DNA da cidade. Outras figuras notórias como o genial Barcelona, como o Professor Dadinho, como Marcelo Melo, cada um ao seu modo são espécies de guardiões das memórias da cidade e estão sempre jogando luzes sobre o passado. 

OS EMPRESÁRIOS QUE PARTICIPARAM

De certa forma, os empresários, os empreendedores, são os verdadeiros continuadores do legado do Jean, pois movem montanhas e fazem o mundo girar. Alguém pode perguntar:  o que tem a ver colocar empresas no vídeo? Ora bolas. Eles patrocinaram, ajudaram a viabilizar. Nada mais justo. Além do mais, sua presença é pertinente também no contexto por serem empreendedores, que nem o personagem central do vídeo. Então, gostaríamos muito de agradecer ao Marcelo e Ana Luiza do Hiper comercial Monlevade, a Fernanda, Lucien e Carlos Arthuzzo, do SICOOB CREDIMEPI, ao Luiz Carlos Valente da CDL, ao pessoal da PROHETEL e do Real Esporte Clube, ao Marcinho e ao Junio Queiroz da Rádio Alternativa, ao pessoal da Arcelor Mittal, Lucas Vilela e João Carlos Guimarães. Também a Flávia e Iarlei da ACIMON que nos disponibilizou o Data Show para a exibição do vídeo na noite de lançamento.


quinta-feira, 24 de agosto de 2017

SERÁ QUE O MÚSICO VAI FICAR OBSOLETO?

A maioria dos músicos que conheço reclama do declínio da qualidade musical em todo o planeta. Quais seriam as razões dessa queda? Bem! Os consumidores de música não são especialistas. São leigos, quase sempre desafinados disritmicos e contam com os artistas para o que não conseguem fazer, que é oferecer músicas para todas as horas. Só que não precisam ser exatamente músicas de qualidade. Precisam apenas ser adequadas. Já houve um tempo em que os artistas compunham suas óperas ou peças clássicas e a nobreza ficava confortavelmente sentada em silêncio ouvindo.
O artista era protagonista dos shows. Só que a coisa mudou. Os shows migraram dos teatros para os clubes. A música que era pra ouvir, passou a ser música pra dançar também. As bandas de baile começaram a acumular o descomunal arquivo de músicas chakundum do planeta. Primeiro os ritmos pra dançar juntos, boleros, fox, samba canção, até que chegamos ao pop. Os shows migraram dos clubes para os estádios e grandes espaços. Mesmo assim os músicos continuaram protagonizando e vários estilos foram aparecendo e desaparecendo.  O público ainda apreciava ver grandes performances de músicos e bandas como Jimmi Hendrix, Ed Van Hallen, Deep Purple, só pra citar alguns. 
Ed Van Halen, um dos mais virtuosos guitarristas da história.
Não era uma música feita para dançar, mas para o deleite intelectual, uma espécie de celebração do engenho musical humano. Os músicos geniais eram muito valorizados. Mas ai o marketing tratou de enquadrar.Catalogaram gêneros e subgêneros e foram desdobrando: música romântica, música sensual,  música pra praticar esportes, música pra consultório de dentista, rock progressivo, hard rock, heavy metal, rockabilly, eletrônica, funk, sertanejo universitário e por aí vai. O pop tratou de criar um formato radiofônico padrão. As músicas não poderia passar de 2 minutos pra sobrar mais espaço para os comerciais. Os solos de guitarra e harmonias sofisticadas foram banidos. Imperativo era fazer músicas de 3 acordes, com refrão e mais uma parte, sem solos virtuosos, tão infantil como a mente da média.  Claro que existe uma pequena casta de artistas geniais que consegue sobreviver fazendo o que gosta. Mas quando falta comida na mesa, quando falta dinheiro pra pagar a prestação do carro, despesas com o bebê que está vindo, o artista tem de engolir o orgulho musical e  se adequar ao gosto geral pra sobreviver. Por isso temos tantos bons músicos, principalmente do rock tocando música sertaneja. De repente o cara gosta de jazz, arrasa no improviso. Pode ser um grande guitarrista ou baterista de rock. Mas quando a coisa aperta, tem de botar um chapéu de cowboy, uma bota agulhinha e entrar na onda do sertanejão.
Estilo Country
A não ser que tenha uma profissão paralela que lhe garanta o sustento. Nesse caso a música vai ser a sua peladinha de final de semana, apenas pelo prazer. Não há demérito nenhum nisso. Carlos Drummond, nosso poeta maior, ganhava seu sustento como funcionário público. Com isso podia dedicar-se a fazer poesia de qualidade, sem concessões. Esse poderia até ser um caminho possível para quem faz música autoral. O problema é que fica caro alugar espaço, contratar músicos e som. Além do mais há uma competição cruel e só os mais aptos sobrevivem ou conseguem vitrines pra expor seus trabalhos e conquistar o verniz da fama. A batalha para os autorais é inglória, uma vez que os contratantes, com raríssimas exceções, só contratam covers que levam até o estabelecimento os consumidores que se identificam com as bandas famosas. O público também dificilmente sai de casa para assistir shows com músicas desconhecidas de artistas sem fama. E pra piorar ainda mais, em tempos de download pirata está cada vez mais difícil faturar com direitos autorais. O que fazer então? Quem souber a fórmula me avise. Dizem que o que é bom encontra um jeito de brilhar no mundo. Só que bom hoje em dia é o que tá na moda, tá na mídia e dá dinheiro. O quantitativo esmaga o qualitativo sem dó. Acho que vai chegar um ponto em que você vai pedir no google: eu quero uma música com batida eletrônica,  piano, arranjo de violino e letra falando de férias de verão. E o computador vai entregar instantaneamente. Estamos ficando cada vez mais obsoletos, camaradas. 
Banda só de robôs.