sexta-feira, 2 de junho de 2017

RÔMULO NOBREZA RÁS


Rômulo Rás é um dos grandes artistas da nossa região, um sujeito arrojado que colocou a viola nas costas e saiu pelo mundo mostrando a arte brasileira, mineira e da região. Com cara, coragem e apetite de desbravador, virou descobridor de novas paisagens e semeador de nosso tempero. Mas ele gosta mesmo é do Brasil, onde adapta seus shows para qualquer formato e leva a todos o fino da mpb. Aliás, tenho uma lembrança de um show do Romulo num Festival de Música em Alvinópolis. Na época era a MPB que tocava nas rádios e o Romulo fazia muito sucesso. Ele muitas vezes só começava as músicas e a galera cantava junto. Rômulo é um dos artistas mais lúcidos e combativos que conheço e tem se revelado também um cronista inspirado, portador de verdades e desencantos confessos. Com ele retomamos a nossa série de entrevistas com os artistas iluminados do médio piracicaba.

MEDIOPIRA - Como você busca se atualizar sobre música e literatura?

Confesso que eu não sou um leitor assíduo e isso me atormenta. Mas também não encontrei ainda a paz que eu preciso para me reservar tempo suficiente para me tornar leitor inclusive o que me interessa. Sobre música, posso dizer que estou certo e satisfeito com o que eu gosto e já não me interesso por nada novo.

MEDIOPIRA - A poesia na letra de música caiu em desuso?

Acho sinceramente que pensar caiu em desuso artisticamente falando. Coisas singelas como a poesia inclusive na música não tem mais espaço no mundo que eu vivo. Não quero que me leve a mal nem pense que me desiludi completamente mas a realidade é que forçamos uma barra para ter espaço e ser ouvido mas o objetivo sempre foi ganhar dinheiro para sobreviver e com isso a gente acaba deixando pouco espaço para o emocional. Quando viajo a procura de novos horizontes, eu viso uma estabilidade financeira em algum lugar bom para viver e faria qualquer trabalho digno para me manter. Acho que perdi a esperança de me realizar com a música que faço. Hoje só quero desfrutar das memórias que tenho e do bem que a música me fez mas não tenho mais ilusões... minha música não tem espaço, eu é que forço a barra!

MEDIOPIRA - Você viajou pelo mundo inteiro. Como foi a receptividade do público para com a sua música?

Acho que com a globalização todos têm acesso a tudo a todo momento, em qualquer lugar. Então para mim as fronteiras dos países já não definem mais o perfil de seu público. Existe sim aquela parcela específica que gosta de música boa e respeita ou não você aqui ou em qualquer outro lugar.

MEDIOPIRA - Para que países vc viajou fazendo música e qual foi a reação dos públicos?

Morei em alguns países da Europa e USA e voltei para o Brasil. É decepcionante ter que admitir que lá pensem que somos exóticos e talvez inferiores e pior ainda é imaginar que possam se interessar por causa disso. É bom viver no seu país, com sua gente, seu idioma, seu clima... Eu não me deI bem lá não. Tudo é muito disputado e concorrido e se leva uma vida dura... Pode crer

MEDIOPIRA - E no Brasil? Como tem sido a receptividade do público?

Rômulo com os Afilhados do Sereno
Eu amo o Brasil! Se não fosse as injustiças e a bagunça causada pelos políticos eu jamais sairia daqui. Mas como eu disse: a música que eu faço perdeu o espaço e eu compreendo e é só mesmo forçando a barra para sobreviver...

MEDIOPIRA -  Como é viver de música no Brasil?

Viver de música no Brasil é definitivamente melhor do que em qualquer lugar. Aqui compramos casa e andamos de carro com o dinheiro de música, na Europa e Estados Unidos você passa fome!

MEDIOPIRA - Você hoje em dia faz shows praticamente de covers.  Desistiu das autorais?

Ninguém quer ouvir músicas inéditas! As pessoas saem de casa para ouvir o que conhecem para cantar junto e desabafar. Eu continuo compondo mas não acho razoável aproveitar da preferência do público para impor minhas canções.

MEDIOPIRA - Não falta shows em teatro? O Público dos bares tem paciência pra curtir um show conceitual, mais trabalhado poética e musicalmente?

Com os companheiros do samba
Eu prefiro definir o meu perfil como profissional e proponho ser avaliado e ou entendido como versátil. Deixo guardado o Rômulo Ras que se adaptaria a shows em teatros, etc e levo para os bares o Rômulo Ras que o público de bares quer ouvir. Não exalto nem diminuo nem um nem outro. Não há mais espaço para sonhos impossíveis!
MEDIOPIRA - Como Monlevade tem tratado seus artistas?

Companheiros das artes
João Monlevade? Esquece! As pessoas são boas mas isso aqui é um tumulo de sensibilidade! Usam a cultura para fazer política e não a política para fazer cultura!

MEDIOPIRA - Em que cidades do Medio piracicaba você sente mais interesse e atenção na hora dos shows por parte da platéia ?

Sempre bem acompanhado
Em todas as cidades sou muito bem recebido, afinal fiz minha carreira em todas elas. Eu não posso reclamar do público, em geral são muito respeitosos e até carinhosos comigo. Acho que os conquistei com a minha invariável música fiel.

MEDIOPIRA - O que pensa da internet como mídia? Acha que favorece ou atrapalha a música boa?

Para mim a internet democratizou e trouxe espaço e justiça para músicos independentes como eu. Só vejo vantagens e posso assegurar que se não fosse a internet quase tudo estaria esquecido e ocultado.

MEDIOPIRA - Qual o seu grande sonho no momento? Tem projetos na gaveta?

Olha, paralelo a música que faço em bares e em festas particulares, tenho uma vontade imensa de conseguir ainda gravar e registrar o que restou da nossa música municipal e regional. Saber que tantos talentos vão passar despercebidos ou não gravados é um crime. Muitos se foram sem nenhum registro e eu tenho esse sonho de fazer por esses o que não fizeram por outros. Também penso em reunir em um livro minha biografia cheia de história e estórias...

MEDIOPIRA - Deixe contatos e mensagem para os artistas mediopiranos...

Eu sei que a música assim como qualquer outra arte ou toda profissão acaba sendo um meio de ganhar a vida, viver com o mínimo de conforto e segurança. Ninguém quer cantar nem pode, com a corda no pescoço mas não exponha-se ao ridículo de ser o que você não é, só porque um ou dois falam que você é bom no que faz. Agradar um grupo alcoolizado no fim de noite não te credencia a ser um cantor capaz de conduzir uma noite do início ao fim com qualidade, profissionalismo e emoção. Então não pense que eu cheguei aos 37 anos de carreira vivendo único exclusivamente de música fazendo zoeira e agradando "turminha". Respeite os ouvidos dos outros e crie o seu estilo ao invés de copiar tudo que passa na televisão ou toque no rádio. 
romulo.ras@hotmail.com 31-997 968 951.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

O ROCK NÃO MORREU...AINDA...

Enquanto isso naquele boteco...

- Estou cansado de música sertaneja viu. As rádios daqui só tocam esse trem. Sertanejo universitário, sertanejo mobral, sertanejo corno, sertanejo de rodeio. Ninguém aguenta isso. 
- Aguenta sim. O povo gosta dessa sofrência.
- Teve um babaca que falou que o rock morreu, que é música da terceira idade. Mas eu só gosto de rock . Aqui no Brasil tá foda. Uma breguice dos infernos.
- Uai. Mas ainda tem lugar que o rock ainda tá dominando. É só vc procurar...
- Eu não vejo isso não...
- Uai...tem o SHINE ROCK CRAZY, o reduto do rock em João Monlevade onde a galera rockeira se encontra pra ouvir rock cover, rock nas caixas, rock pra todo lado. Faltava apoiar mais o rock autoral. Mas dizem que não dá retorno...
- Mas também...não tem boas bandas por aqui.
- Engano seu. Tem ótimas bandas. Tem o Umbigo que é excelente e acho que já tocou lá, tem o Dizarm que é muito boa, tem a Banda di Rock, tem o Souldusamba que mistura rock com samba...em Itabira também tem bandas duca como o Rivotrio, Igor Venal tem outras também...
- Mas só isso?
- Só isso não. Vc foi no Costelão do Dindão? Só bandas de rock muito boas.
- E na região?
- Uai. Tem o Filé de Gato em Itabira, que tem muitos shows legais...Itabira tem ótimas bandas também...tem o Rivotrio, o Igor Venal, ...ah...e tem em Alvinópolis a Laje 67, que leva ótimas atrações para o público local...Alvinópolis tem excelentes bandas. Ah...tem festivais de blues em Catas Altas também que é demais. Vc gosta de blues?
- É claro que gosto de blue. Eu sou Cruzeiro, porra.
- E por falar em Alvinópolis, vai ter o festival de música lá em julho. Lá tem uma galera rockeira pra caramba...tem o Porão 71, Vovó Piluca, Fator Alma, Estorvo... eles valorizam o rock. Quem tiver uma banda e músicas próprias, vale à pena.
- Olha só...quer dizer então que o rock não morreu...que tem espaço pro rock?
- Exatamente, meu caro. O rock nunca esteve tão vivo. Prova disso é que a galerinha nova continua comprando as camisetas do ACDC, Iron, Nirvana e etc.
- Graças a Deus...quer dizer...à Deus não né? Dizem que o rock é coisa do capiroto.
- O rock é universal.Tem rock do capeta, também tem rock gospel.
- Puxa. Valeu viu? Eu tava achando que o rock tava acabando...
- Pois é. Por falar nisso, quer ir comigo num show de rock que vai rolar de uns amigos nossos amanhã ? Vai ser consumação de 20 reais apenas...quase de graça...
- Ih rapaz. Não vai dar. Amanhã eu já tenho um compromisso com a minha namorada e paguei ingressos caros. Duzentos pilas.
- É mesmo? Show de rock?
- Não. Show de Lucas e Daniel, uma dupla nova que surgiu e tá fazendo o maior sucesso...
- Ah tá...

sexta-feira, 5 de maio de 2017

FESTIVAL MEDIOPIRA FOI UM SUCESSO TOTAL

Foi um sucesso maravilhoso o FESTIVAL MEDIOPIRA, mostrando que a música da região está muito bem e agrada  todo mundo, bastando ter vitrines pra mostrar a sua força. Os idealizadores encontraram o espaço ideal pra fazer o evento, um local mágico localizado em Itabira: a maravilhosa concha acústica de lá.
É claro que tiveram de ser providenciadas adequações para comportar um público maior e por que a concha andou meio subutilizada nos últimos anos. Mas deu tudo certo. Não foi um evento de público exagerado, de massa, com gente pingando por todos os lados e urinando nas ruas. Foi uma festa civilizada, estrutura bacana, não tão dispendioso, mas tudo com qualidade. Os organizadores primeiro procuraram a AMEPI,
instituição regional, que abraçou o evento e somou de forma decisiva. Depois foi a vez de procurar a Prefeitura de Itabira e a Fundação Carlos Drummond de Andrade, que toparam imediatamente. O empresariado da região também apostou no evento, que tornou-se uma verdadeira expocultura. Patrocinadores de Itabira, de João Monlevade e principalmente indústrias das cidades do Medio Piracicaba gostaram da ideia e apoiaram os artistas da região. Ai foi a vez de escolher os artistas. Foi montada uma curadoria intermunicipal que escolheu a lista dos artistas a serem convidados para a primeira edição. O nível foi muito alto e todos saíram admirados com a força da música produzida no MEDIOPIRA. Houve também artistas consagrados convidados, que humildemente se apresentaram com cachês simbólicos, também apostando no movimento. 
 
Maíra Baldaia sempre arrasa
Rivotrio: o rock não morre jamais
Igor Venal: experimentando tudo
Foram  apresentações memoráveis dos Itabiranos Maíra Baldaia, Rivotril e Igor Venal.
De Monlevade teve o Umbigo Trio, com seu rock instrumental turbinado, 
Rômulo Rás, com os afilhados do Sereno. 
 
 

e o Souldusamba, com seu rock samba de altíssimo nível.

De São Domingos do Prata, Silvanna fez um show super pop e colocou todo mundo pra dançar. 
Celso Adolfo também apareceu com sua poesia perfeita e suas canções que falam fundo na alma mineira. 

De São Gonçalo do Rio Abaixo, o grande Tupete, com seu swing, a banda de Rock Wisck e Blues tocando pop rock clássico e o violão clássico de Aulus Rodrigues, pra temperar um pouco.
 
Banda Estorvo: a nova geração...
De Alvinópolis, as bandas Estorvo, Porão 71 e Thaysson Azevedo, além da Bateria Colibri, que fez uma apresentação perfeita
Colibri, turbilhão de alegria por onde passa

Como atrações nacionais , as bandas SEPULTURA, que literalmente quebrou tudo, o 14 Bis, que fez um show incrível, junto com a dupla Sá e Guarabyra. E pra finalizar, 
a banda JOTAQUEST fez uma apresentação linda com participação dos Meninos de Minas. 
Os prefeitos da região liberaram ônibus para que as pessoas pudessem se deslocar até Itabira. O público não foi divulgado, mas pelos cálculos da organização, cerca de 30.000 pessoas estiveram prestigiando um dos eventos mais aplaudidos em muitos anos. Foram registrados pouquíssimos incidentes de violência. Felizmente foi tudo registrado em DVDS e disponibilizado na internet, multiplicando o evento e projetando outros iguais no futuro. Várias cidades já se candidataram para a próxima edição e o MEDIOPIRA tem tudo para se tornar itinerante, valorizando ainda mais os nossos artistas e também o público, que assim tem contato com o melhor da produção cultural da sua gente. A organização agradece a todos que participaram e espera que para o próximo ano as cidades do mediopiracicaba continuem apostando nos seus artistas. Só faltou uma coisa: faltou ser verdade. Por enquanto uma utopia das mais extravagantes, Mas quem sabe? Sonhar não custa nada e tudo que temos no mundo são sonhos que se tornaram realidade. E viva a MEDIOPIRA!

quinta-feira, 30 de março de 2017

APOCALIPSE AUTORAL?






Uma banda que faz músicas próprias sempre teve dificuldades para agendar apresentações. Os donos das casas de shows preferem as bandas covers, que tocam as músicas das paradas de sucesso, aquelas que o povo tá pedindo. Na verdade isso não é novo. Os caras são empresários e montam as casas pra faturar. 


AUTORAIS SEM PATROCÍNIOS

Não é fácil convencer um empresário a investir em músicas autorais. Eles preferem investir em eventos que “bombem”, com público enorme, para que suas marcas sejam relacionadas com o sucesso.

FESTIVAIS AUTORAIS ? TÔ FORA!

O povo prestigia os shows dos famosos e os covers das bandas e duplas conhecidas. Os festivais autorais atraem músicos e artistas que ainda acreditam na fórmula, que veem nos festivais espaços de fruição, que estão interessados nas novidades sonoras. E atrai também a tribo ligada à arte e cultura, que não é numerosa hoje em dia. Em tempos de velocidade e self service de tudo, parece não existir espaço para curiosidade intelectual e nem paciência pra ouvir músicas desconhecidas e muito menos disposição pra conhecer.

ENFASTIO CULTURAL

Parece que as pessoas tem tudo tão à mão que começam a sentir preguiça com as novidades. Ainda mais quando se tem um acervo enorme de todos os cantores e bandas inimagináveis, dos anos 50,60,70,80,90 e por aí vai.  São muitas memórias musicais acumuladas durante a vida e mesmo as não vivenciadas estão acessíveis a um toque no google. Pra que mais músicas?

COVER É ARTESANATO

Na verdade os covers não são originais, mas tentativas de soar como os originais. Aliás, há um prazer do público e dos músicos dessa modalidade. Do público que gosta quando uma banda toca igualzinho sua banda favorita. E das bandas também por tentarem fazer igual.E tem bandas que costumam até se sentir maiores do que os originais.

ANÔNIMOS ILUSTRES

Banda Estorvo de Alvinópolis
Eu tava aqui pensando quantas canções maravilhosas que não chegaram ao grande público. Só nos festivais de música foram trocentas e tantas. Ai fiquei pensando na galera que está na ativa hoje. De Itabira lembrei de Maíra Baldaia, Rivotrio, Marçal,Igor Venal, Cotonete, entre outros. De Monlevade, o Umbigo Trio, a banda Dezarm, o pessoal do Souldusamba, Guilherme Calk, Isa Lelis, João e André Freitas, Markus Kâmara, Rômulo Rás, João Roberto e Ronivaldo. De São Gonçalo tem o Tupete, grande compositor, músico e luthier e o exímio violonista Aulus Rodrigues. De Alvinópolis tem trabalhos novos muito bons, como da banda Estorvo e Thayson Azevedo. Mas e aí? São todos artistas muito bons, conhecidos em seus microuniversos, mas anônimos em termos de conhecimento do grande público. O que fazer com esse talento todo? Como fruir esse material lindíssimo?

A INTERNET NOS LIBERTARÁ

Será? É verdade que pela internet qualquer artista consegue montar um canal no youtube, produzir seus próprios vídeos, se bobear até seu programa de TV, como fez o músico Cotonete de Itabira. Mas os artistas não vem conseguindo grande alcance. Poucos conseguem realmente ficar populares no país inteiro através da internet.  A não ser que tenham uma ideia extravagante, um nome diferente (a Banda mais bonita da cidade foi um case), quem sabe um escândalo, um vocalista extraterrestre, algo que provoque a curiosidade do público. Resumo da ópera: se o artista quiser ser popular e vender shows no Brasil inteiro, vai continuar tendo de encontrar maneiras de romper a barreira das velhas mídias de massa.

TREM BALA: UM CASE EXEMPLAR

Há algum tempo recebi pelo celular um single de uma cantora chamada Ana Vilela. Ela enviou a música e pediu a opinião da gente e tudo. Achei simpático. Na época achei a música bonitinha e até mandei comentário pra ela dizendo que tinha gostado bastante da letra. Alguns meses depois a música estourou e foi parar na Globo, principalmente depois que  Gisele Bundchen gravou um vídeo tocando e cantando ao violão.  

O QUE FAZER PARA QUE O AUTORAL SEJA MAIS ACEITO?

Em primeiro lugar trabalhar para que as suas principais músicas sejam ouvidas pelo público alvo pela internet. E isso, acreditem, é trabalhoso. Engajamento pela rede não é tarefa fácil. Depois, dobrar os donos de casas noturnas e eventos, convencendo que seu show autoral agrada. E finalmente causar com seu show, surpreender, arrebatar, emocionar, ser profissional ao extremo. Vc pode produzir seu CD também, mas hoje não é o mais importante. Tem pouca gente ganhando dinheiro com CD. Mas pode ser um excelente cartão de visitas. Vc deve continuar produzindo bons conteúdos, divulgando, fazendo shows, mostrando a cara e procurando maneiras de colocar seu bloco na rua, sua fruta na feira, seu produto nas melhores vitrines.

IRONIA DAS IRONIAS

A vida não tá fácil para os autores, mas por ironia, todo mundo  virou autor. Qualquer um pode publicar, pode ter seu blog, seu site, seu canal no youtube, suas músicas no spotfy, no face, enfim. O maior desafio é conseguir reputação, autoridade e demanda. Isso vale pra tudo...

quinta-feira, 23 de março de 2017

IGOR VENAL E SEU BREGA FUTURISTA

Música de Zona, bolerão torto, meio brega, meio bêbado, namoro do retrô com o pós qualquer coisa. Tem a guitarra suja e o órgão futurista no meio do arranjo tradicional.Melodia que remete a Amado Batista,  Nelson Gonçalves, Altemar Dutra, e Tom Zé. Não sei se a rebeldia ao metrônomo é intencional. Tem algumas notinhas fora do lugar. Há quem prefira o orgânico ao metrônomo.É também uma canção de desamor, de persistência e desalento, esse amor frustrado e bloqueado de hoje em dia, meio futuro non sense do pretérito, nude de corpo de alma, fragilidade extrema e vagabunda na nuvem. 

sexta-feira, 10 de março de 2017

AMANTINO "INCLUSIVE" ANDRADE


Conheci Amantino Andrade através de dois amigos comuns: o Adailton do Karas e Korpus e Walbert. Eu já trabalhava fazendo jingles e começava a fazer shows com a minha banda de rock.  Amantino começou a fazer sucesso como empresário. Era representante do Show da Xuxa na região, juntamente com Marta Azevedo de Ipatinga. Foi o primeiro grande produtor que conheci. Vendia os maiores artistas do país nas maiores feiras de eventos de Minas. Vendia Elba Ramalho, Wando, Erasmo Carlos, Zezé de Carmargo e outros grandes  do primeiro time da MPB, além de atores globais. E trabalhava também com bandas promissoras. Nessa época ele conheceu o REPÚBLICA DOS ANJOS, acreditou e colocou a banda pra tocar em grandes feiras, cavou espaços na mídia e fez um trabalho essencial para a trajetória da banda. Depois, mudou-se para os Estados Unidos, retornou, teve bar, experimentou a fama, o sucesso e os fracassos e voltou a residir em Monlevade, onde cuida da sua mãe e sonha com uma volta ao mercado em grande estilo.  Mas vamos à entrevista.
Amantino produziu show memorável com Erasmo Carlos

MEDIOPIRA – Como é que você começou a trabalhar como empresário artístico?

AMANTINO - Comecei como representante assistente de Martha Azevedo do show dá Xuxa ao vivo no Brasil

MEDIOPIRA – Eu citei alguns artistas na abertura da matéria. Com quais mais vc trabalhou?

AMANTINO - Trabalhei com Daniel,Leandro Leonardo ou também somente Leonardo após morte do Leandro. Bandas promissoras como República dos Anjos, Católicos Protestantes hoje Pau com Arame, ItS Rolling Stones e Serpente. Lancei Skank no vale do aço através dá galáxia fm na época do CD macaco prego. Trabalhei no inicio da carreira com Elke maravilha. Em um baile no antigo ideal clube João Monlevade, contratei Elke maravilha na agência dá Martha Azevedo produções. Hoje Martha é minha amiga de coração.
Eva Vilma e Martha Azevedo: grandes amigas

Logo em seguida veio novo evento através dá Martha também.  Contratei Sandra Brea , atriz global na época da novela ti ti ti no ideal clube João Monlevade. No mês seguinte um amigo estava criando a OAB de Monlevade e desejava fazer um baile. Assim tivemos ideia de trazer Nelson Gonçalves, que realizou baile com sucesso e uma palestra no antigo cine São Geraldo, falando de sua dependência química com cocaína para centenas de pais que desejavam conhecer o problema para cuidarem de seus filhos dependentes. Os responsáveis por toda organização dá palestra foram dr José Maria zucheratto e dr Samuel Salles Souza, fundadores dá 75 subseção dá OAB de João Monlevade. Está palestra teve participação do Dr Elias Murad, médico cientista, do Dr José Maria zucheratto que era promotor de justiça. Depois teve o baile que foi sucesso total ,com presença de muitos jovens. A novela “Cabloca” com Fábio Jr e glória Pires fazia enorme sucesso na época, e a música tema era cantada por Nelson Gonçalves. 
Com Carlos Zara e Paulo Gracindo.
Trabalhei ainda com Dominguinhos, Sula Miranda, Chitãozinho e Xororó, Daniel, Lobão, Erasmo Carlos, Cláudio Zoli,barrerito, com os atores  Carlos Zara Paulo Gracindo, Rogério Fróes Eva Wilma. Trabalhei e ainda represento o guitarrista cubano residente em Miami Arturo fuerte, guitarrista e maestro,vive em Miami e tem brilhante carreira internacional,com música salsa e merengue, tocando em diversos palcos com Brian Adams, Carlos Santana e Gipsy King além dá carreira solo.





MEDIOPIRA – Quais foram os artistas mais gente boa com que você já lidou?

AMANTINO - Gente boa que marcou foi Arturo Fuerte amigo humilde e República dos Anjos e Católicos, representados por Neo Gemini e Luiz curinga e vc Marcos Martino, amigos forever para sempre.





MEDIOPIRA – Qual você considera ter sido o ponto alto de sua carreira como empresário?

Programa Xou da Xuxa. Faturava milhões...
AMANTINO - Ponto alto foi ser convidado para sair de Minas e também realizar trabalho em minha cidade natal, Antônio dias MG. Fora do estado realizei junto com minha amiga Martha Azevedo, indicado por Marlene Mattos, empresária dá Xuxa na época e produtora dos programas dá Xuxa na globo. Martha também era produtora nacional dos shows ao vivo e internacional também, pois fez Chile Argentina e Paraguai Eu e Martha Azevedo fomos ao Rio produzir o show Bradesco in concert no sambódromo, na praça da apoteose.  Foram mega Shows Chitãozinho e Xororó, Leandro e Leonardo,Zezé de Camargo e Luciano. Este evento foi o embrião que virou o famoso show “amigos

MEDIOPIRA – Você teve uma relação de muita proximidade com a Xuxa e com a Martha Azevedo que a empresariava em Minas. Essa relação perdurou ou vc perdeu contato com elas?

AMANTINO - Com Xuxa não tenho mais contato, mas minha amizade com Martha Azevedo é eterna. Falamos e nos encontramos sempre,. Sou amigo de toda família da Martha que virou minha família também.

MEDIOPIRA – O que o fez praticamente se afastar do mercado da música nos últimos anos?

AMANTINO - Afastei das produções devido à corrupção que tomou conta do mercado.  Apareceram vários “mega empresários” que passaram a fazer a maioria dos eventos através de esquemas para fraudar licitações, favorecendo um bocado de gente.  Eu tenho esperanças de que o ministério público também passe a fiscalizar essas coisas. Vai ficar mais justa a concorrência. Quem é honesto sofre nesse país.

MEDIOPIRA – Existem denúncias generalizadas de corrupção nesses grandes eventos. O que você pensa a respeito?  A corrupção no Brasil estaria em todas as áreas?

A corrupção está pra todo lado. Até nos States
AMANTINO -Existe muita corrupção em todas as áreas, Inclusive internacional. Não é uma coisa só do Brasil. Por exemplo: artistas daqui vão fazer tournes para USA. A  equipe é de 25 pessoas, então levam 30 , pois dão carona na documentação para conseguirem os vistos para amigos ou clientes. Entendeu? A culpa não é dos artistas e sim dos contratantes lá nos USA.  É malandro passando a perna em malandro.

MEDIOPIRA – O que você pensa sobre a monocultura sertaneja? Na sua época tinha mais ecletismo né? Lembro-me que o rock brasil estava em alta, o Axé começando...havia muitos astros da música infantil...

AMANTINO - A Monocultura sertaneja é o desastre dá cultura musical de nosso país. Dá mesma forma que foi monocultura do pagode. Até universitários que tem o rótulo de descolados embarcaram na monocultura do sertanejo. Acho péssimo isto. Um único sujeito manipula isto em nosso país: Boninho o dono do BBB. Nos anos 80 havia mais glamour. O rock in rio era muito contagiante, tinha a MPB, o clube dá esquina. Engraçado que fui o primeiro a divulgar fora da Bahia o projeto do axé, antes mesmo de acontecer nacionalmente. Foi na Praça do Papa em BH. Produzi e tive contatos estreitos com praticamente todos os precursores do axé, precisamente a micareta carnaval fora de época, a banda Mel , Sara Jane, Margarete Menezes e Luiz Caldas. a Música Infantil. Lembro de muitos que trabalhei direto ou indiretamente, através do show dá Xuxa, Sandy e Jr, Patrícia Marx, o próprio Molejo que sempre foi muito querido pela molecada (crianças), Silvinho do ursinho Blau Blau. Na época havia realmente muito ecletismo. A monocultura mata a riqueza e impõe o mesmo menu a todo mundo. E o povo comendo arroz, feijão e miojo todo dia. Não sei como aguenta.

MEDIOPIRA - Você ficou famoso na época por ter um padrão de exigência alto. Tinha de ser o melhor som, a melhor luz, acústica perfeita. Isso lhe causou dificuldades ou prejuízos?

AMANTINO - Sempre gostei de qualidade de som e luz. Não tem como fazer espetáculo sem qualidade. Tudo tem quer ser top em qualidade, respeitando as exigências do artista músicos e acrescentando um algo mais. As dificuldades é que muitas vezes os contratantes pra lucrar mais, querem abrir mão da qualidade e isso é uma coisa que nunca aceitei e nunca vou aceitar. Talvez principalmente por isso eu tenha me ausentado nesse tempo.

MEDIOPIRA – Você também gostava de investir em artistas novos, tanto que empresariou o República, além do Pau com Arame e outras bandas da época. Gosta de trabalhar com gente nova?

AMANTINO - Sempre gostei de criar ou trabalhar com o novo. Amei trabalhar com república, pois de princípio queria algo meu no bom sentido, descoberto ou lançado, logo descobrir grandes talentos. Vc voz e composição, Guilherme cortante com sua guitarra e Ricardo Simões peso pesado ,monstro na bateria.

MEDIOPIRA – Você cogita voltar a produzir shows ou é um guerreiro cansado, que prefere ficar à margem por não se sujeitar a maneira como o mercado anda se conduzindo?

AMANTINO - Sou antenado e estou sempre muito bem informado. A internet ajuda muito nesse sentido. Hoje tá muito bom de trabalhar. Eu realmente dei um tempo talvez por não saber fazer o jogo da desonestidade. Tenho vontade de voltar com grandes produções. Quem sabe se a Lava jato chegar pra acabar com essas corrupções do dia a dia, de cartas marcadas em licitações fraudadas e outras sacanagens?

Rômulo Rás, grande artista Monlevadense.
MEDIOPIRA – Você tem acompanhado o trabalho dos artistas do MEDIO PIRACICABA?

AMANTINO - Vou ser sincero com você. No dia a dia na região vejo mais oba-oba do que qualidade. O pessoal hoje acha que é só gravar a música num estúdio, colocar na roda e pronto.  Quem sabe faz ao vivo. Só no contato com o público não dá pra saber se a banda é boa e se o artista vinga. Embora que tá faltando eventos pra música autoral. Os bares só querem saber dos covers né? E a prefeitura não tem feito nada. O pessoal precisa se mexer. Monlevade tem  bons nomes como  Rômulo Rás. Ricardo Monlevade, Fabrício de Paula e Sérgio e Delson no sertanejo . No Rock eu sou fã da república dos anjos pau com arame BH lá de Alvinópolis. Quero até ouvir artistas novos e voltar a assistir os shows.

MEDIOPIRA – Você está aberto a receber material de novos artistas? Podemos esperar uma retomada.

AMANTINO - Mas é claro. Estou sempre aberto as novidades e aguardando o momento certo de voltar a movimentar o mercado. História e experiência não me faltam. Por favor, mandem seu material. Meus contatos: amantinoandrade@msn.com - Zap - 31_992936030. Procurem também no facebook Amantino Andrade. 
Claucia Vergílio, parceira para a vida toda.
Os transtornos da neve nos Estados Unidos
Carnavalito, empreendimento que agitou a noite de Monlevade
Vestindo a camisa amarelinha com muito orgulho.