sexta-feira, 10 de junho de 2016

ENTREVISTA COM A EMÍLIO DRAGÃO DA BANDA DJAMBÊ,


1) - Por que Djambê? Qual o significado?

Djambê é um tambor africano, que além de ter um timbre muito abrangente (de um grave muito “pesado” até um agudo “estalado”) em algumas tribos na África é sagrado, e é assim que enxergamos a música: sagrada, onde a gente tem que ter muita responsabilidade com o que cantamos (pois se temos o privilégio de cantarmos num microfone, onde mais pessoas vão nos ouvir, temos a responsabilidade de dizer coisas relevantes) e abrangente, que aborde todas as lutas, toda a diversidade que temos e somos.



2) – Como é que vocês se conheceram?

A banda já teve diversas formações, eu fui o único que restou da formação original, de 12 anos atrás. Começou num grupo de capoeira, nos encontros que fazíamos na Serra do Cipó, trocando composições e ideias, daí veio a vontade de montar uma banda!

3) – Já vi vocês definindo o som de vocês como ROCK MACUMBA. O que vocês misturam no caldeirão do Djambê?

A gente tinha dificuldade em rotular o som, de colocar numa gaveta, por isso inventamos o Rock Macumba. Tem um pouco de tudo na verdade! Tem o power trio e o protesto do rock, tem a percussão as levadas e a celebração do maracatu, congado, candombe, baião, capoeira... Rock Macumba é celebração de consciência.


4) – Como é o processo criativo do Djambê? Quem compõe? Qual é a formação oficial da banda?

As músicas que cantamos hoje são algumas minhas e outras da Pri. As letras, normalmente, são questionamentos e aprendizados que estamos vivendo/buscando na época, que buscamos externalizar pra tentar nos entender, nos desconstruir, e estimular as pessoas a se entenderem também e somar positivamente com tudo que nos rodeia. Depois que temos essa letra/canção, trazemos pro coletivo para fazermos um arranjo pensado por todos.
Hoje estamos eu (Emílio Dragão - voz), Priscilla Glenda (voz e sampler), Maýra Motta (percussão), Júnior Caban (baixo), Alex Bartelega (bateria) e Victor Millard (guitarra). Inclusive a história do Victor é bem legal, ele era fã do Djambê, ia em praticamente todos os nossos shows, aí um dia, ele me mandou uma mensagem falando que tocava guitarra... se um dia a gente precisasse... foi exatamente um dia depois da nossa ex-guitarrista (Letícia Damaris), falar que não poderia mais tocar conosco. Então fizemos o teste com ele e rolou demais!

5) – Já conheço vocês dos festivais. Já vi vocês cantando temas filosóficos, espirituais, políticos. O que o Djambê quer gritar pro mundo?

Acho o que a gente quer gritar é que cada um importa, sabe?! Cada pessoa! Cada um de nós tem um papel fundamental pro mundo ser um lugar melhor, de paz, ou o inverso.  E pra isso precisamos reconhecer quem somos na essência e o que nos foi imposto culturalmente e romper com isso. Acho que é a busca pela revolução interna mesmo, deixar práticas que fazem mal para nós (vícios, etc) e para os outros (racismo, sexíssimo, homofobia, especismo...). Você importa! Revolucione-se!


6) – Vocês tem participado de muitos eventos e conquistando prêmios importantes. O que isso representou na carreira de vocês.

O mais legal de participar desses festivais na verdade são as pessoas que a gente encontra no caminho, as amizades que fazemos. Isso é o que mais acrescenta. Logicamente que os prêmios nos ajudaram a gravar nossos 2 discos, pagar ensaios, chancelar tecnicamente o trabalho, essas coisas. Mas o mais importante mesmo são as pessoas.

7) – Já vi gente falando que é uma maravilha, mas já vi gente também dizendo que força o músico a só sobreviver de shows, pois praticamente mata os direitos autorais. – Como vocês lidam com a internet? Ajuda ou atrapalha?

Internet é cabulosa! Leva o trabalho a lugares que a gente nem imagina... outro dia um amigo tava em Nova Iorque, num bar e tocou nossa música. Imediatamente ele postou no facebook dele. A gente não tem noção da abrangência. Acho que estamos trabalhando bem na rede. Na minha visão, quem ganha com direitos autorais mesmo são os grandes, tem que ter muuuuita gente consumindo sua música pro direito autoral fazer diferença financeira. A internet amplifica nosso alcance, ajuda na formação da base de fãs que vai sustentar o projeto no futuro, mas temos que ter noção do onde estamos, quais passos devem ser dados, e que nada “cai no colo”.

8) - Como vocês analisam o atual momento do mercado musical?

O mercado da música é igual a outros mercados. Tem que dedicar pra conseguir seguir, sem mudar a essência pra conseguir chegar mais longe (logicamente), mas tratar como um trabalho mesmo. A tempos atrás eu ouvi de um senhor - “a música te dá o que você dá pra música.”, e desde então me pautei por aí. A gente, além de ensaiar 3 vezes por semana, abriu uma produtora pra poder gerenciar o Djambê que se chama DiGrila. Dirigida por nós mesmo. A Pri é formada em Publicidade, então ela cuida da parte de comunicação e assessoria de imprensa, eu fico com a parte mais artística e técnica, meus irmãos, Gabriel e Ananda, ficam com a parte operacional e de vendas. Trabalhamos todos os dias da semana, 6 horas por dia pra isso acontecer, é uma pequena empresa.

9) – Vocês vivem de música ou desenvolvem trabalhos paralelos em outras áreas?

Ainda temos trabalhos paralelos ao Djambê para sobreviver financeiramente, mas todos optamos por trabalhos que não sejam “fichados”, para termos o horário flexível para podermos viajar e dedicar mais. Uns tocam em bares com projetos de música cover, uns dão aula de música, outros fazem serviços de fotografia, de reforma (pedreiro, instalações, etc).

10)             – Vocês gravaram um clip muito bacana com a música QUANTO VALE, falando da tragédia de Mariana. Uma curiosidade: o que era aquela lama do clip? Chocolate? Rs...

Era lama mesmo, pois queríamos que fosse realista na sensação de asco, como naquela cena com o macarrão.


11)             – Quais os planos para o futuro imediato?

Nós acabamos de lançar um EP pela Sony Music, que se chama “Trovão”. Tem 2 músicas inéditas “Bucado de amor” e “Falha no sistema” e está disponível nas plataformas digitais: Deezer, Spotify, ITunes e AplleMusic. Estamos com um projeto pra gravar o clipe da música “Trovão”, lançaremos em breve um mini doc da nossa turnê nordeste (do fim do ano passado),  e esse mês e mês que vem tocamos respectivamente com Criolo em Fama/MG e com Suricato e Paralamas do Sucesso no Rio de Janeiro/RJ (e a gente tá bem feliz com isso! Rs...)

12)             – E  o que a galera do 1º Festival de Inverno de João Monlevade pode esperar do show do Djambê?

Podem esperar nosso suor e nossa alma ali, exprimidos em forma de música. Muito rock, muita macumba e muito questionamento!

13)             – Deixem os contatos de vocês, face, youtube, soundclouds, palcomp3, etc, etc, etc

sexta-feira, 3 de junho de 2016

MIKE SANTOS DE CASA FAZENDO MILAGRE

Há alguns anos atrás organizávamos um Festival da Música  quando recebemos uma inscrição que nos impactou positivamente. Primeiro pela letra instigante, depois pelo arranjo também de ótima qualidade. Nas pré-seleções sempre temos o hábito de ouvir todas as músicas sem saber os autores, até para não haver contaminação. Quando fui conferir de quem era aquele música li pela primeira vez o nome MIKE SANTOS. Fiquei mais surpreso ao perceber que o compositor era de Rio Piracicaba e que havia gravado aquela música em seu home studio. Santa tecnologia, Batman! Mas o Mike é muito mais que isso. Também é editor, videomaker, pioneiro no modo colaborativo de produção, um sujeito extremamente antenado que faz milagres com as novas tecnologias. Mas vamos à entrevista. 
1 – Como foi o seu despertar pra música?
Aconteceu em casa mesmo, minha mãe é musicista, e na época dava aulas de teclado e violão em casa, eu estava sempre "de olho", e aos 6 anos, ela percebeu que eu já estava tocando alguma coisinha por conta própria, e decidiu me ensinar.
2 – O que você ouvia na sua infância?
Durante a infância eu era um pouco mais “fechado” musicalmente ouvia muito Chico Buarque, Caetano, Gilberto Gil, Clube da Esquina, Legião Urbana, Angra, Piano Clássico (por estar aprendendo), Don Ross, Pink Floyd, Dream Theater, Steve Vai, Joe Satriani, e do pessoal mais próximo eu ouvia República dos Anjos, Aggeu Marques e Concreto, e tudo o que minha mãe cantava, minha maior influência.
3 – Você começou a aprender música em Rio Piracicaba mesmo ou em outra cidade?
Sim, em Rio Piracicaba, cidade de grandes músicos, haviam várias bandas e uma corporação musical na época, várias boas influências, e sempre uma boa movimentação cultural, o que a tornou um bom berço pra vários músicos que como eu, tem suas bases em Rio Piracicaba.
4 – Como foi a sua iniciação musical? Você continua estudando?
O início foi no teclado, aos seis anos, tendo como professora minha própria mãe Fátima, alguns meses depois, comecei a me aventurar pelo violão também, e assim foi sistematicamente por toda a minha infância, tínhamos dias de estudo de teoria, dias de solfejo, dias em que ela solfejava para que eu “tirasse” as músicas de ouvido, e nesse meio tempo, fui me aventurando por outros instrumentos.
Nos apresentávamos muito como Família Santos, no extinto Clube da AFERP em Rio Piracicaba, em casamentos, festas particulares, na tradicional Festa de Bom Jesus, e me recordo que aos nove anos minha mãe decidiu “parar” de tocar profissionalmente, a partir desse momento eu assumi a parte instrumental da família, responsabilidade que me forçou a buscar sempre melhorar como músico apesar da pouca idade na época.
Hoje continuo estudando, em virtude de uma parceria com a Ibanez, estou mais concentrado nas guitarras, mas nem por isso deixei os outros instrumentos de lado. A partir de junho desse ano, terei alguns vídeos periódicos, no meu canal e no canal da Ibanez com interpretações de obras dos grandes da guitarra, entre eles Steve Vai, Joe Satriani, Kiko Loureiro (que está representando o Brasil muito bem no Megadeth), Eric Johnson, entre outros.

5 – É músico de partitura ou só de ouvido?
Faço uso de ambos, no dia a dia toco “de ouvido”, mas para estudar a partitura é uma ótima ferramenta, e acelera muito o processo de aprendizado de novas músicas, treinos, escalas etc. Fora o uso para gravações também, onde se torna possível tocar “cravado” sem a necessidade de ensaios.
6 – Quais as suas principais influências?
Hoje apesar de grande parte do que eu escutava eu continuar ouvindo, os horizontes se abriram mais, Chico Buarque, Renato Russo, Humberto Gessinger, Johnny Alf, Rafael Bittencourt, Djavan e Marcelo Camelo são boas referências no Brasil em relação às letras e harmonias. De fora Pink Floyd, Dream Theater, Peter Frampton, Little Tybee, Symphony X, Frank Zappa, Kansas, Cristopher Cross, entre muitos outros, o que se reflete em parte do que eu componho.

7 – Rio Piracicaba já o inspirou musicalmente?
Sim, sem dúvida, mesmo porque é a cidade onde eu passei grande parte da minha vida, logo as lembranças, influências, estão sempre presentes, e além de tudo, é um lugar onde tenho segurança e tranquilidade pra perder umas boas noites de sono entre composições e arranjos.
8 – O que mais o inspira a compor?
Acho que os temas mais comuns são cotidiano, conjuntos de ideias e valores, e o amor, que vem a muitos séculos inspirando compositores e poetas. Temas comuns entre a maioria dos compositores, tem umas “viagens” também, como algumas músicas que foram feitas depois de sonhos, outras após boas conversas ou discussões sobre a vida, “o crítico da sociedade” que foi feita numa noite em que eu avistei uma estrela cadente (vejo todos os dias...), “polaroid” que é sobre uma câmera que já imprime as emoções, e “e quando eu te vejo” que traz a formula consagrada das boas e velhas canções de amor.
9 – Dá pra arriscar a fazer show 100% autoral?
Dá sim, claro, inclusive é um sonho antigo, que vamos trazer à realidade assim que possível, mesmo que seja em um ambiente mais intimista, é uma meta ainda para o ano de 2016.
10 – Você além de compositor também é produtor e grava suas próprias canções. Conte um pouco dessa história pra gente. Você grava tudo em seu homestudio?
Martino, tudo começou quando resolvi fazer uma “demo”, assim como todo mundo. Por falta de dinheiro resolvi fazer um processo caseiro, fui lendo sobre os softwares, o processo, e com muita ajuda, de vários amigos, comprei uma placa de som de dois canais, e me surpreendi com os resultados, eu vi que era possível chegar a um produto satisfatório sem “entrar em estúdio grande”, e com isso eu continuei aprendendo, e correndo atrás para enriquecer esse processo.
O primeiro CD demorou cinco anos para ficar pronto, várias pistas foram gravadas e regravadas diversas vezes, nesse meio tempo passei por uns três softwares, e umas quatro interfaces de áudio, e em 2014, surgiu uma possibilidade de uma parceria com a Sony, foi então que eu me “estabeleci” em uma DAW (programa de gravação), plug-ins e processo, tudo fornecido por eles.
A partir daí foi tudo muito rápido, refiz parte das gravações, usei grande parte do material que já tinha gravado, alguns lá da primeira placa de som ligada a um notebook CCE, tive muita ajuda dos técnicos da Sony e no fim cheguei ao áudio que eu queria ouvir no início do processo.
A masterização foi feita por eles, de forma analógica na Inglaterra, e eu gostei bastante do resultado. O fruto dessa caminhada foi o cd Sublime Sentido, disponível no Itunes, Play Store, Spotify, SoundCloud e todas as outras plataformas do mercado.
Hoje gravo grande parte de tudo em casa mesmo, no meu homestudio, só as gravações realmente grandes, como pianos, coro de cordas, e baterias que costumo fazer fora, geralmente em estúdios parceiros da Sony, mas mantenho o processo o mais “em casa” possível. Acredito muito nessa iniciativa de produção em pequenos estúdios, levando em consideração que hoje houve uma democratização dessas ferramentas e desse conhecimento.

11 – O que você acha do panorama musical contemporâneo. Acha que com a internet melhorou ou piorou a vida do artista?
Acho que melhorou demais, no meu caso por exemplo, sem a internet eu não conseguiria as ferramentas necessárias para gravações, não teria como aprender o processo, além disso estudo muito pela internet, sou da época dos songbooks, e vejo o quanto o guitar pró o cifra clube e o 911 tabs democratizam e organizam esse conhecimento que está muito mais acessível hoje do que era nos anos noventa, quando comecei a tocar.
Outro aspecto interessante é que a internet mudou as formas de consumo e produção musical e cultural. Na minha época a pirataria por exemplo, era através de fitas e Cd’s gravados, hoje ela está a apenas alguns clicks, isso obrigou a indústria a mudar a forma como vende, cobra e distribui seus produtos, mudando inclusive a renda principal dos artistas, que antes estava vinculada à venda das suas obras, Cds, material licenciado, e hoje tem seu foco maior nos shows. Eu tive a sorte de ser “descoberto” pela Sony através da internet, vendo meu disco, divulgo os shows, agendo shows, mantenho contato com o público através da internet, então a considero uma ferramenta indispensável para todos os artistas atualmente, independente da fase da sua carreira.

12 – Você se apresenta na maioria dos espaços culturais do Médio Piracicaba. Como é o tratamento desses espaços para com os artistas? Respeitoso? Justo? E os equipamentos de som. São adequados?
Sou sempre muito bem recebido aqui na região, o que é motivo de muita alegria para mim. As casas, restaurantes e bares e contratantes são sempre muito atenciosos no trato e no planejamento das apresentações. De certa forma ainda há uma supervalorização do artista de fora, e em certos casos isso é usado como argumento em comparativos de preços, equipamentos, etc, mas acho que é algo que vamos desconstruir com o tempo, e com trabalho de qualidade, à altura dos artistas de fora, de dentro, de onde forem. 
As vezes há um certo “choro” em relação ao preço, mas em geral, é sempre possível chegar a um valor justo para ambas as partes, levando em consideração o tamanho da casa, o lucro previsto, e outros fatores. Afinal, há grandes shows para grandes contratantes, e grandes shows em pequenas casas, então, de certa forma, o músico tem que se adaptar, sem abrir mão da qualidade, e do valor justo, afinal, vivemos disso.
Em relação aos equipamentos, já tive diversas experiências ruins com isso, mas todas serviram para meu crescimento como profissional, e a solução que eu vi com o passar do tempo, foi levar uma boa parte do mínimo para uma apresentação de qualidade, como microfones, amplificadores, prés, transmissores, e fazer um input list versátil e acessível aos contratantes da região.

13 – E o público? Tem um comportamento respeitoso e interativo com o artista? Ainda pintam aqueles sujeitos que gritam “ Toca Raul” depois de cada música?
Tem sim, já são sagrados os pedidos, geralmente em apresentações menores, sou 100% levado pelo público do dia, que em certas ocasiões esta mais MPB, em outras mais Rock, assim vamos variando o repertório também, e nos aventurando em diversos estilos. Valorizo muito essa proximidade que o público tem ao pedir, sugerir músicas, e interagir comigo durante as apresentações.
“Toca Raul” continua sendo um mantra na noite, mas ultimamente de forma mais controlada, ainda escuto umas duas vezes por show, mas sempre toco com prazer os sucessos do grande Raul Seixas.

14 – O que significa Rio Piracicaba na sua vida. Santo de Casa faz milagre em RP?
Rio Piracicaba sempre será minha cidade do coração, cidade tranquila que teve e tem grande influência no meu desenvolvimento como músico e compositor.
Percebo pelo carinho dos Rio Piracicabenses que Santo de Casa faz sim milagres por lá, mas ao mesmo tempo, é difícil focar mais na cidade, visto que hoje em dia, há pouco espaço para apresentações, e como o músico vive de show, me sinto um pouco “fora de casa”, por me apresentar poucas vezes no ano em minha cidade natal, mas espero que com o tempo esse cenário mude, e “o santo possa ficar mais em casa” também.
15 – Deixa seus contatos – endereços eletrônicos – mídias sociais – youtube- etc...
www.mikesantos.com.br          


sexta-feira, 27 de maio de 2016

1º FESTIVAL DE INVERNO DE JOÃO MONLEVADE

Se tem uma cidade da região que tem tudo para fazer um ótimo FESTIVAL DE INVERNO é João Monlevade. Primeiro por ser uma espécie de capital regional, que recebe gente de toda a região há várias décadas. E pra reforçar ainda mais essa vocação cosmopolita, João Monlevade acabou se tornando um grande polo educacional, recebendo mais uma expressiva leva de estudantes que vem de diversas partes do pais. Só faltava iniciativa pra juntar essas pontas. Pois não falta mais. O Coletivo 7 faces( sempre ele) resolveu realizar o 1º FESTIVAL DE INVERNO DE JOÃO MONLEVADE que pode ser em pouco tempo o principal evento de João Monlevade, dado o seu potencial de crescimento e sustentabilidade. 
Serão 15 dias de festival, com uma programação bem recheada: intervenções, oficinas de teatro e artesanato, sarau, debates, palestras, luau, apresentações de dança e teatro, feira de artesanato e da gratidão, além de shows.
Em sua primeira edição, a organização conseguiu o básico para lançar a ideia e mostrar pras pessoas que é possível e vale à pena.
A escolha do tema da primeira edição do Festival é “Santo de casa faz Milagres”. Segundo a organização, num momento inicial a ideia é de valorizar e PRIORIZAR artistas da região, como já vem fazendo o 7 faces nos últimos 3 anos (além de valorizar a cena autoral e independente), O importante agora é somar forças com o maior número de entidades e instituições na construção do festival, sugerindo e/ou inserindo suas atividades na programação do festival.
O 1º Festival de Inverno de João Monlevade acontece entre os dias 18 de junho a 02 de julho, em diversos espaços da cidade (Praça do Povo, Praça 7 de Setembro, Praça do Lindinho, Câmara Municipal, Uemg, etc), e os únicos dias que em a programação não será 100% com artistas da região são os dias 18 de junho e 02 de julho (abertura e encerramento). No dia 18 de junho acontece o Dia da Música, inspirado pela “Fête de la Musique”, que surgiu na França há mais de três décadas e está presente em mais de 700 cidades em todo o mundo, o Dia da Música estimula o circuito de música independente no Brasil. O festival irá realizar shows de novos artistas em palcos de rua no Rio de Janeiro e em São Paulo e apoia uma rede de espaços e grupos dedicados à promoção de música autoral em todo o Brasil, e João Monlevade recebe pela primeira vez o Palco Dia da Música, abrindo a programação do Festival de Inverno com as seguintes atrações já confirmadas: Djambê (Belo Horizonte/MG), Letto (Rio de Janeiro), Ganga Bruta + Congadar (Sete Lagoas/MG) e o duo instrumental Confeitaria (Belo Horizonte).  O festival tem parceria da Quality Comunicação, UEMG, Prefeitura Municipal e Casa de Cultura e Câmara Municipal de João Monlevade. A programação completa do festival bem como parceiros e patrocinadores, serão divulgados nos próximos dias.

Para mais informações, acessem o blog do festival www.festivaldeinvernojm.blogspot.com, ou pelo facebook https://www.facebook.com/festivaldeinvernojm/ na página do festival.

sábado, 21 de maio de 2016

ENTREVISTA - NOVO DVD DO SOULDUSAMBA - EXCLUSIVA PARA O MEDIOPIRA


Esses caras resolveram misturar a energia do rock com o swing do samba e a mistura deu super certo. Depois de muita estrada, vão partir para a produção do segundo DVD. O mediopira conversou com o porta voz da banda. Vamos à entrevista.

1. Marquinhos, ficamos sabendo que o Souldusamba está preparando seu mais ousado empreendimento. O que vem por aí?

Rsrsr. até me arrepio em falar desse novo trabalho. Estamos juntando dinheiro desde outubro para fazer dessa vez algo que sempre sonhamos. Um dvd sem limites p sonhar nas ideias . Estamos preparando um novo dvd que ate agora tem o nome de soul du samba sunset! O nome pode mudar rsrs, mas tem tudo a ver com a nossa ideia que é gravar de dia e pegar o por do sol em um local muito bonito e um palco todo aberto sem teto para aproveitar ao máximo a belezura do local! O show de gravação será só para convidados , amigos , fas, familiares e contratantes. portanto vc que curte nosso trabalho dê seu jeito de curtir nossa fage, porque lá vamos sortear muitos convites.

2. O que vai ter de diferente nessa produção? O que dá pra adiantar pra galera?

O diferente é que os dois primeiros dvds foram gravados à noite em casas noturnas , com pouquíssimo orçamento e apenas com nossas ideias musicais. Este trabalho será gravado de dia , ao ar livre e a parte musical pela primeira vez teremos a assinatura de um produtor musical fera.

3. Esse DVD será gravado onde?

O local ainda não posso dizer , tem um local 97% fechado. Mas ainda não posso dizer porque o diretor de filmagem do dvd virá a joao monlevade visitar o local p dar o aval, pra ver se realmente cabe na nossa ideia Mas fica de suspense para as pessoas ficarem viajando onde diabos esses moleques vão fazer isto ....

4. Quem estará envolvido com a produção?

A produção musical que esta dando uma nova cara ao soul du samba e ao nosso show é o Luadson , tecladista e tb produtor musical da dupla Relber e Allan. O cara é fera . Conseguiu em poucas reuniões entender o que era o soul du samba e reunir as ideias para deixar o trabalho mais comercial e com uma cara própria. Estamos no inicio da produção. Algumas musicas já prontas , mas posso dizer que vai ficar foda e a galera vai se surpreender! Nesse trabalho teremos uma pequena banda de apoio com ele nos teclados , um baixista e uma percussão p pressão ficar mais pesada kkkkkkk

5. Vai ter diretor de vídeo, roteirista?

O responsável pela direção de imagens é a empresa Cambalache filmes, que vem se destacando em BH com grandes trabalhos musicais. A galera é fera e tem as características que estávamos procurando p este trabalho. Ontem mesmo lançaram um clip lindo do cantor sertanejo Thiago di Melo chamado “Pra sempre”- vale a pena conferir! Tem ate global na parada rapaz ! Rsrs muito bom

6. Quando vocês vão gravar?

Marcamos a gravação para o dia 08 de outubro ! Se nada mudar será este será um dia mega especial p nos

7. Vai ter músicas próprias ou só covers?

O repertório foi algo difícil de escolher viu puxa vida! Na primeira reunião tinha mais de 100 musicas kkkkkkkk. A sorte que o Luadson entrou no meio e pelas características do show que queríamos ele soube organizar as ideias. E sim , claro temos essa divida conosco mesmo de ter no minimo 3 ou 4 próprias. já que os outros dois trabalhos não tinham! Mas o que podemos dizer que a energia da primeira turne estará de volta nesta terceira ! Queremos um show bem radio hit onde vamos abrir a boca e o resto deixa pra galera cantar que fica mais bonito. Kkk Depois de 2 cds e dvds e mais de 200 shows acreditamos que sabemos realmente agora como fazer um show bem marcante ! E é isso que vamos fazer!

8. Vai ter participações especiais no DVD?


As participações são segredos kkkk mas sim terão! E serão muito especiais mesmo rsrs!

sexta-feira, 13 de maio de 2016

MARÇAL FILHO DE ITABIRA

O MEDIOPIRA desta semana traz o Itabirano Marçal Filho. Marçal é multi pra caramba, poeta, compositor, produtor cultural, militante da causa artística, mais um quixote para a nossa legião. Ah...ele também é homem de mídia, apresentador de um programa de TV na cidade de Drummond. Mas vamos à entrevista...

1) - O fantasma de Drummond assombra vocês?

Na verdade, não posso falar por todos, mas no meu caso, considero o fantasma de Drummond bonzinho, mesmo porque, seu estar no mundo, seu postar frente à vida era de uma simplicidade a toda prova e sendo o monstro sagrado que foi e é, certamente não seria um fantasma pentelho porque se o dito cujo assim o fosse ou se comportasse, o poeta, sem dúvida o repreenderia.

2)– É difícil fazer poesia, fazer arte na terra do poeta maior?

Não diria que é difícil, mas certamente é de uma responsabilidade absurda, a poesia de Drummond é incomparável, mas acho que cada um tem seu livre arbítrio de criar e alguns leitores agradarão e outros não. Com Drummond, não foi diferente.

3)- O que constitui a sua poética? Quais as suas influências?

Apesar de muita gente me considerar um poeta, até hoje sinceramente não acho que sou. O que sou mesmo é um rabiscador de versos. Leio muita gente admiro muitos poetas, assim como tem muitos que não me agradam, mas procuro dentro da medida do possível rabiscar minhas coisas do meu jeito, tento ser livre das influências para ser o mais verdadeiro possível.


4)– Como é que foi esse casamento da poesia com a música?  As duas coisas vieram juntas?

Não. A música veio primeiro, aprendi os primeiros acordes tocando cavaquinho, meu pai ensinou-me os primeiros acordes aos quatro anos de idade, sou péssimo instrumentista até hoje, nunca consegui aprender, mas tocar um pouquinho ajudou-me na criação das canções, a poesia surgiu na adolescência, mas é como falei, são coisas simples que traço no papel, mas como nem todas as pessoas são perfeitas (risos) consigo encontrar algumas que gostam.

5)–Como está o cenário da literatura em Itabira nos dias de hoje? Quem você citaria como expoentes, além de você mesmo.

Itabira é realmente um celeiro artístico. Tem muita gente envolvida com a arte de maneira geral e no campo da Literatura, temos alguns escritores e poetas dos quais gosto muito. Para citar alguns: Saulo de Oliveira Campos, Marcos Henrique Camilo (Gacê), José Eustáquio Lage Moreira, José João de Brito e Rosemary Penido de Alvarenga.

6)–E o cenário musical? Tem belas revelações?

Sim, tem uma rapaziada nova aí fazendo bonito, o pessoal da Banda Curva de Gauss, Igor Venal, Karlo Cabeça, além dos veteranos que continuam na ativa.

7)– Como está a fruição musical de Itabira hoje? Tem belas vitrines? Belos espaços para a moçada mostrar seus trabalhos?

Temos espaços perfeitos e de sobra, no entanto, pouco explorados, entende?
A previsão é de que a partir de 2017, as coisas fluirão melhor. Estamos trabalhando incansavelmente para isso.


8)  – Os itabiranos preferem trabalhos autorais ou se comportam como na maioria das cidades, preferindo os covers que os trabalhos autorais?

Parece que isso é regra geral, diria que aqui não difere do contexto, acho que a proporção é de 90 contra 10% infelizmente.

9) – Você também tem destacado trabalho de militância cultural. Conte um pouco desse trabalho pra gente.

Rapaz essa é uma luta de alguns aqui e é datada de muitos anos. Só para você ter uma ideia há 20 anos a gente vem discutindo sistematicamente com o poder público a necessidade de maior apoio à classe artística, ajudamos a criar a AMITA “Associação dos Músicos de Itabira”, também ajudamos na fundação da ASPI “Associação dos Poetas e Escritores Itabiranos” e mais recentemente a AILE “Academia Itabirana de Letras” depois de muita insistência e vários nãos pela frente, os horizontes a partir de 2013 começaram a clarear e temos boas perspectivas futuras.

10)– Como a prefeitura e a fundação cultural de Itabira tem se relacionado com a classe. Tem sido uma relação tranquila e fértil?

Tranquila acredito que sempre foi, mas fértil, nem tanto, a que se fazer muito ainda, mas uma coisa é certa continuaremos mais firmes que nunca.
  
11)– Quais as conquistas do movimento de vocês em termos de benefícios duradouros para a classe?

Recentemente Fundamos a Frente Popular da Cultura Itabirana e graças a ela foi instituído pelo prefeito atual o Sistema Municipal de Cultura, bem como a criação do Conselho Municipal de Políticas Culturais e o Fundo Municipal de Cultura, sem dúvida, são instrumentos fortes e ferramentas que muito nos ajudarão de agora em diante.
  
12)–Quais são os principais projetos em que você está envolvido hoje?

Do ponto de vista pessoal estou envolvido com a criação de um projeto chamado Poemas & Piano nas Escolas do Brasil, também estou escrevendo 4 romances ao mesmo tempo,coisa de maluco, (risos) e pretendo gravar ainda esse ano um CD autoral chamado: “Nossa Majestade o Samba”.
Do ponto de vista coletivo pretendemos voltar com o projeto Samba, Viola e Poesia, Tarde MPB, Rebelião Cultural e com o FEMAM “Festival de Música da AMITA”

13)– Você vive da arte ou tem outra profissão pra garantir o pão de cada dia?

Devido ter começado minha vida profissional muito novo, estou aposentado há 18 anos e a arte para mim é tão necessária como o ar que respiro, por isso apesar dos percalços, sou insistente. (risos)


14) - Ficamos sabendo que seu filho também é músico e dos bons. Como é que você se sente como boa sementeira, trazendo ao  mundo um filho artista, que também tem alma e vocação artísticas?

Sinto-me um privilegiado, um felizardo de verdade, a musicalidade do Marcelo é algo inexplicável e perto dele sou apenas um mero aprendiz.

15)- Como você enxerga o atual panorama da música. Há espaço para a música de qualidade? O que o artista tem de fazer para procurar e encontrar sua turma?

Atualmente a coisa anda desanimadora (risos), mas espaço sempre houve e há, todo mundo tem seu público, acho que o advento da Internet facilitou muito as coisas. O que o artista tem que fazer é buscar esse nicho para a divulgação do seu trabalho, afinal a boa música nunca morre e na verdade de uns anos para cá, ela foi deixada meio de lado porque a grande mídia está pouco se lixando com a qualidade, só pensam mesmo em faturar, nada mais.



16) - Você hoje apresenta um programa de TV em Itabira. Fale um                  pouco sobre a experiência 

De fato há um ano e pouco fui convidado pela Prefeitura de Itabira a  apresentar o Programa Expressão Itabirana, na TV Cultura de Itabira, um programa de entrevistas, que na verdade é um Programa da AMITA, “Associação dos Músicos de Itabira” e tem por filosofia apresentar a arte e os artistas locais. Gosto muito do Programa e acredito que está agradando, pois os artistas e a comunidade itabirana tem prestigiado muito. É um programa muito simples, mas tem a cara de nossos artistas e de nossa gente.

17 – Conhecemos o Newton Baiandeira há muito tempo nos festivais, um compositor extraordinário. A cidade se preocupa com a preservação do trabalho dele? Tem preocupação com as memórias além do Drummond?

Infelizmente muito pouco se fez com relação à memória do grande Newtinho, fizeram uma estátua para ele e deram o nome de um coreto numa praça da nossa cidade, no entanto, a grandeza de sua obra merece bem mais que isso. Centenas de artigos, canções e poemas, muita gente sequer sabe que existe. A filha dele está desejando montar um Projeto de ampla divulgação do seu trabalho, nos procurou para que o façamos, estamos amadurecendo essa ideia. Acho que valerá a pena com certeza!

18. Movimento Trial, o que é? Fale-nos um pouco dele.

O Movimento Trial foi idealizado pelos artistas Marcos Gacê e Marcos Santos e hoje é constituído por um grupo de artistas itabiranos, poetas e compositores que se juntam de vez em quando para desenvolver um trabalho bem elaborado do ponto de vista poético/musical, não se trata de uma Banda, mas de um movimento livre onde todos podem participar desde que o façam baseado na tríade: Amizade, Idealismo e Arte e que essa arte realmente tenha o máximo de qualidade possível. Ganhamos alguns prêmios em festivais de MPB pelo país. Não temos nada gravado profissionalmente ainda, a proposta futura é a gravação profissional de um CD bem elaborado e desejamos realizar uma turnê pelos teatros do país e quem sabe internacional!
Deixe seus contatos, dos seus projetos, redes sociais, etc.

Quem desejar conhecer um pouco do nosso trabalho pode acessar o Blog:

Luz de Aldebarã.
josemarcalfilho.blogspot.com/

Site Recanto das Letras:

SoundCloud: de Marçal Filho ou Marcos Gacê

You Tube: TV Cultura de Itabira - Programa Expressão Itabirana
https://www.youtube.com/watch?v=nAREh1644Tw

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