segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

INOVANDO A TRADIÇÃO

Pelo segundo ano consecutivo vai acontecer o FESTIVAL MARCHINHAS DE MINAS.. Trata-se de um festival virtual que visa resgatar esse estilo tão popular na maioria das cidades de Minas e em especial do  Médio Piracicaba. O MEDIOPIRA entrevistou Angelo e Alessandro, dois dos idealizadores.

MEDIOPIRA - Como surgiu a ideia de se criar o FESTIVAL MARCHINHAS DE MINAS?

ANGELO EUGÊNIO - Somos de uma cidade que tem muita tradição na criação de Marchinhas. Em Alvinópolis, nossa terra natal, haviam compositores de marchinhas geniais,  marchinhas essas que se perpetuaram e são cantadas até hoje. Então pensamos num festival capaz de trazer de volta essa tradição. E de convocar os compositores de outras cidades também.

MEDIOPIRA - Vcs já estão no segundo ano. Como foi o ano passado.

ALESSANDRO MAGNO - Foi muito legal. Como previsto, tivemos participantes de vários locais do estado e ficamos muito satisfeitos com o resultado. Para esse ano estamos tentando aperfeiçoar o modelo.

MEDIOPIRA - No ano passado o Festival aconteceu tendo Alvinópolis como sede. Como será esse ano?

ANGELO EUGÊNIO - A experiência do ano passado nos ensinou que quando se promove alguma coisa tendo a internet como base, a gente não precisa ter uma sede. Os próprio site e as mídias sociais em conjunto já são as sedes. Site significa sítio. Então nesse ano será apenas virtual mesmo.

ALESSANDRO MAGNO - Mas esperamos que as pessoas mandem suas marchinhas. Nosso sonho é que chegue por exemplo uma marcha rancho.  Como eram lindas e melodiosas as marchas rancho. Mas é claro, que também venham brincadeiras, críticas políticas, sacanagem, tudo que faz parte do universo das marchinhas.

MEDIOPIRA - Mas não sentem falta de uma apresentação ao vivo, pra levar as marchinhas para o calor do público?

ALESSANDRO MÁGNO - Para isso teríamos de ter uma estrutura muito grande e consequentemente um custo enorme, não só para a organização, mas para os artistas.

ANGELO EUGÊNIO - A despesa seria grande mesmo. As pessoas teriam de se locomover de suas cidades pra tocar ao vivo. Sem muito dinheiro pra fazer, fica inviável.

MEDIOPIRA - Mas como será o FESTIVAL DE MARCHINHAS desse ano então?

ANGELO EUGÊNIO- Bom, as inscrições já estão abertas no site www.marchinhasdeminas.com.br. É só a pessoa gravar sua marchinha no suporte que tiver. Pode ser no estúdio, no celular, do jeito que conseguir. O importante é que dê pra entender. Deve enviar até o dia 09 de fevereiro, pagar uma taxa de 30 reais por marchinha inscrita e sua marchinha será publicada na página do youtube do FESTIVAL DE MARCHINHAS para votação da galera.

ALESSANDRO - Não vai ter um juri. A votação será pelos clicks no youtube. Os vencedores receberão prêmios em dinheiro e brindes dos patrocinadores.

MEDIOPIRA - Mas como será a votação pela internet?

A medida que as músicas forem publicadas, já podem ser votadas.  Cada pessoa terá direito a um voto apenas. As votações será encerradas no dia 11 de fevereiro as 23:59. Ai serão conhecidas as vencedoras.

MEDIOPIRA - Como será a premiação?

Do total apurado nas inscrições, 70% será destinado à premiação. Haverá ainda brindes oferecidos pelos patrocinadores e também para a audiência. Quem se inscrever no canal no youtube também vai concorrer a sorteio de prêmios. 

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

AGGEU MARQUES, DOUTOR NA MÚSICA E NA MEDICINA

O MEDIOPIRA dessa semana entrevista o cantor e compositor Aggeu Marques, um artista muito querido no meio musical Belorizontino. Aggeu participou de diversos projetos e fez uma legião de  amigos na capital mineira, sempre muito bem acompanhado por músicos da prateleira de cima. Fez fama como um dos maiores divulgadores da obra dos Beatles no Brasil, viajando para diversos países e conquistando prêmios e reconhecimento. Como compositor, tem músicas gravadas por ninguém menos que Flávio Venturini e também é muito ligado ao pessoal do 14 Bis e do Clube da Esquina. Hoje Aggeu reside em João Monlevade onde atua como médico.Sorte de Monlevade e do Médio Piracicaba por contar com seus serviços médicos e com sua arte iluminada.

MEDIOPIRA - Como foi a sua infância musicalmente? O que ouvia?

AGGEU MARQUES - OUVI DE TUDO ATÉ OS 12 ANOS. CRONOLOGICAMENTE. PRIMEIRO BIG BANDS DOS ANOS 40 DOS DISCOS ANTIGOS DE MINHA TIA. DEPOIS ANOS 50 CLÁSSICOS AMERICANOS E ELVIS. DEPOIS COISAS DO INÍCIO DOS ANOS 60, E JUNTO COM TUDO ISSO, MÚSICA POP DOS ANOS 70. DE REPENTE AOS 12 ANOS, BEATLES E AÍ TUDO MUDOU.

MEDIOPIRA - Como foi a sua iniciação musical?

AGGEU - EM CASA, PRINCIPALMENTE COM MINHA IRMÃ DE CRIAÇÃO. OUVÍAMOS DE TUDO, MENOS MÚSICA BREGA DAS AMs. COMECEI AULAS DE VIOLÃO AOS 10 ANOS. FUI PARA O CONSERVATÓRIO LORENZO FERNANDES EM MONTES CLAROS, MAS NÃO TINHA DISCIPLINA SUFICIENTE PRA ME DEDICAR.

MEDIOPIRA - Vc alguma vez pensou em largar a medicina e seguir apenas com a música?
AGGEU -CHEGUEI A FAZER ISSO POR 1 ANO E MEIO NO INÍCIO DOS ANOS 90. FOI UMA DAS PIORES FASES DE MINHA VIDA. FOI QUANDO DESCOBRI QUE SOU ESSENCIALMENTE MÉDICO. A MÚSICA FAZ PARTE DA MINHA VIDA, MAS TEM SEU LUGAR DETERMINADO. SOU MÉDICO ACIMA DE TUDO.

MEDIOPIRA - Vc já ganhou dinheiro com suas músicas? Recebeu direitos autorais significativos?

AGGEU -NADA DE MUITO SIGNIFICATIVO, MAS JÁ ENTROU ALGUMA COISA.

MEDIOPIRA -  Como se deu a sua aproximação com Flávio Venturini e com os ótimos músicos com os quais trabalha? Pode citar esses caras e pequenos currículos?

AGGEU -O FLÁVIO ME FOI APRESENTADO PELO PAULINHO CARVALHO, BAIXISTA, E QUE TEM UMA HISTÓRIA COM O CLUBE DA ESQUINA. GRAVOU E TOCOU COM TODOS ELES . ELE ESTAVA GRAVANDO MEU PRIMEIRO DISCO QUANDO LEVOU O FLÁVIO PARA DAR UMA CANJA. PÔXA, O FLÁVIO SEMPRE FOI O MEU MAIOR ÍDOLO DA MPB. IMAGINA A EMOÇÃO. O BETO GUEDES, EU JÁ CONHECIA DA MINHA TERRA, MONTES CLAROS. O LÔ BORGES  E O TONINHO HORTA CONHECI EM BH ATRAVÉS DE AMIGOS COMUNS. OS CARAS DO 14 BIS ATRAVÉS DO FLÁVIO, E ASSIM VAI. TODOS HOJE SÃO AMIGOS QUERIDOS, E NÃO DEIXARAM DE SER MEUS ÍDOLOS. TRABALHEI COM VÁRIOS MÚSICOS EM BH E NO RIO DE JANEIRO. GENTE DE ALTÍSIMO NÍVEL MUSICAL E PESSOAL.

MEDIOPIRA - Você tem um trabalho premiado e reconhecido no mundo inteiro tocando Beatles.Como se deu essa sua ligação com o maior quarteto pop de todos os tempos? Quais os prêmios conquistou e pra onde viajou tocando Beatles?

AGGEU - SOU BEATLEMANÍACO COMPULSIVO. OUÇO MUITO DESDE OS 12 ANOS. PRA COMEÇAR A TOCAR FOI NATURAL. COSTUMO DIZER QUE A MÚSICA DOS BEATLES TRAÇOU OS RUMOS DA MINHA VIDA. PERDI AS CONTAS DOS PRÊMIOS, MAS PRA CITAR UM SÓ, MENCIONO O HALL DA FAMA NA INTERNATIONAL BEATLEWEEK EM LIVERPOOL RECEBIDO EM 2016. VIAJEI O BRASIL TODO E NA INGLATERRA, LONDRES E LIVERPOOL.

MEDIOPIRA -  O que é mais legal:tentar tocar as músicas dos Beatles mais próximas do original ou fazer releituras, tocar no estilo da banda ou artista?

AGGEU - FIZ DE TUDO. ACHO QUE O PRAZER DE TOCAR É SEMPRE IGUAL, QUANDO É FEITO PELA PAIXÃO E NÃO PELO CACHÉ.

MEDIOPIRA - Você já lançou 2 discos com canções próprias. Algumas faixas tiveram excelente aceitação e reconhecimento da mídia.Tem outras inéditas no forno?Pode adiantar alguns projetos pra gente?

AGGEU - NA VERDADE GRAVEI 3 CDs E UM EP. AGORA LANÇANDO UM DVD E CD AO VIVO. DEVE VIR COISA NOVA ATÉO FIM DO ANO.

MEDIOPIRA - Você é de Montes Claros, formou-se em medicina e fez fama como músico em Belo Horizonte. Hoje reside em Monlevade, onde atua como médico. Por isso, vivencia o dia a dia e como observador que é, me diga uma coisa: como você enxerga o ambiente da música em João Monlevade e no Médio Piracicaba? Aproveite e emende sobre os cenários estadual, nacional, internet. Fique à vontade...
AGGEU - NA VERDADE NÃO TENHO MUITA INTIMIDADE COM O CENÁRIO CULTURAL DE JOÃO MONLEVADE. TRABALHO MUITO DURANTE A SEMANA E NOS FINS DE SEMANA, ESTOU EM BH OU DESCANSANDO. MAS PELO QUE CHEGA ATÉ MIM, ACHO QUE ESTÁ MUITO AQUÉM DO POTENCIAL DA CIDADE. UM ESPAÇO COMO O TEATRO DO CENTRO EDUCACIONAL DEVERIA ESTAR EM MELHORES CONDIÇÕES E SER MAIS BEM UTILIZADO. CENÁRIO CULTURAL NACIONAL ?  UM LIXÃO, COM PEQUENOS OÁSIS CULTURAIS.

MEDIOPIRA - Agora uma pergunta pro médico: música cura?

AGGEU - CURAR, NÃO. MAS AJUDA A ALIVIAR AS DORES, DO CORPO E DA ALMA.

MEDIOPIRA -  Deixe a mensagem que quiser para o público, deixe agenda de shows, contato, site, Insta, twitter, para quem quiser interagir ou mesmo contratar..

AGGEU -FACEBOOK É O PRINCIPAL MEIO DE COMUNICAÇÃO HOJE. O MEU SITE NOVO FICA PRONTO EM BREVE. A AGENDA DEVO DIVULGAR EM BREVE, MAS DEVE SER BEM MAIS TRANQUILA EM RELAÇÃO AO ANO PASSADO. NENHUMA MENSAGEM EM ESPECIAL, SÓ ACHO QUE TÁ NA HORA DO POVO DA REGIÃO COMEÇAR A SE INDIGNAR COM OS POLÍTICOS REGIONAIS E NACIONAIS.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

MÚSICA SELF SERVICE

Reclamações e lamúrias de nada adiantam. Reclamar que a juventude não está querendo saber do rock ou MPB é perda de tempo. A juventude de hoje é eclética. Vai frequentar as tribos que quiser, beber das fontes que quiser, sem intermediação de ninguém. É multiplataforma e não linear. A música de hoje não é mais "a la carte". É self-service. As pessoas podem escolher no imenso menu oferecido pelos youtubes e spoftys da vida. A turma do "antigamente é que era bom" vive dizendo que a turma de hoje não tem gosto. Que bobagem! Cada época tem suas músicas da moda. Quando o axé apareceu sensualizando tudo, muita gente torceu o nariz. Como pode uma música tão vulgar assim, com tantas bundas e peitos ocupando os espaços? O povo dizia: essa tal de axé não tem conteúdo, não tem poesia, só tem essa dança maliciosa e essas letras de baixo calão. Mas o povo caiu no swing e barbarizou geral. A turma do rock reclama, mas já houve um tempo em que juventude embarcou na onda do rock brasil, que era dançante, bom pras baladas da época e também tinha muito sexo e diversão. Houve uma primeira onda com Roberto Carlos e a jovem guarda. Depois veio o rock dos anos 80. As músicas dos titãs, paralamas e Legião tocavam nos bailes. O rock brasil foi muito popular.  Depois vieram o sertanejo, o pagode e mais recentemente o funk, gêneros ainda mais populares instantaneamente assimilados pela massa. Aí vem os puristas reclamar que das 100 músicas mais executadas no país 90 são sertanejas, 8 funks e duas são pop. E reclamam que a artista mais bem sucedida do país hoje é Anitta, que começou como funkeira, mas flerta com grandes artistas pop do planeta e transita em gêneros como reggaton, funk americano, zouk e claro, com o funk carioca. Seu clip recém lançado é um funk muito bem tramado sob o ponto de vista do marketing. Primeiro por que a ambientação é toda em cenários de periferia, uma realidade bem carioca, espelho das periferias do Brasil. 
Achei genial a jogada de celulite explícita no início do clipe. A auto estima da celuliteiras foi lá em cima. Isso vende. Quanto a música, nada demais. Na verdade, um lixo. Mas um lixinho rico. Nunca antes na história do país tivemos uma artista com tamanho apetite pop. Vai, malandra, para o topo das paradas... 
Sem falar no sucesso da cantora Pablo Vittar ( é muito engraçado chamá-lo de cantora, mas é assim que vem sendo tratada. Mas voltando ao assunto rock, há algum tempo publiquei que o estilo tinha ficado gagá,  caduca, uma músicapara velhos. O rock broxou. 

Do slogan "sexo, drogas e rock and roll" muito pouco sobrou. A galera que nova que faz rock parece que tem vergonha de ser pop e prefere falar de depressão e de política. Parece que encaretou. Nada de experiências sensoriais e de comportamento politicamente incorreto. Ficou tudo comportado, alternativo, pouco festivo. Por isso bandas como Rolling Stones, ACDC, Beatles continuam veneradas. Até pela turma mais nova, saudosa de um tempo que nem viveu. Com a MPB aconteceu algo semelhante. Foi o estilo preponderante principalmente durante a ditadura e no inicio da redemocratização do país. Mas a turma erigiu toda a sua obra naquela época e os que vieram depois não tiveram a mesma capacidade de popularização. Além do mais, é um gênero pouco interativo, feito pra fazer pensar, mas não pra dançar. É um estilo mais adequado para teatro e não para grandes bailes populares e shows ao ar livre. Aliás, talvez ai esteja o "ó do borogodó", o ponto de disrupção das fases anteriores da música e da vivenciada hoje: a interação. 
Num show sertanejo ou mesmo de funk, o público deixa de ser apenas platéia para se transformar em protagonista, dançando, participando e interagindo com os artistas. A atitude é outra. Bom, mas chega a hora de concluir o textão. Em alguns momentos fui  apocaliptico, falei da preocupação com a automatização e até sobre a inteligência artificial substituindo o músico. Mas...em 2018 vamos tentar ver o copo cheio. Que tal os artistas pararem de reclamar e dedicarem-se mais? Que tal mais profissionalismo, mais compromisso? Que tal shows roteirizados e ensaiados, com iluminação bacana, roupas adequadas, disposição pra divulgar nas mídias e finalmente gerar renda e qualidade de vida? Que tal as cigarras e formigas trabalhando juntas? Um respeitando o ofício do outro? Tomara que 2018 seja um ano de virada, em que consigamos re-significar a arte na vidas das pessoas.  E pra finalizar, agradeço a todos pela atenção ao longo do ano. Nas próximas edições retornaremos às entrevistas com artistas do Médio Piracicaba e repercutiremos os assuntos culturais da região. Felicidades para todos...

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

O FUTURO DA MÚSICA

Além de todos os problemas decorrentes da baixíssima curiosidade intelectual, da crescente alienação das massas, da quase eliminação da cultura da ordem do dia, da falta de interesse por conteúdos de relevância e de uma quase marginalização da arte, pelo seu viés questionador e reflexivo, temos um inimigo ainda mais poderoso. Assistimos a cada dia ao avanço das tecnologias, que substituem e tornam o homem obsoleto nos mais diversos setores.
O Jornalismo mudou radicalmente, assim como a publicidade. A advocacia vem sendo impactada, a medicina, a engenharia, a educação, tudo num processo de constante transformação e autofagia.
Os mais otimistas acham tudo maravilhoso e tratam de tirar o máximo das parafernálias da moda. Há quem diga que sempre foi assim, que a pólvora aposentou a espada, assim como a lâmpada aposentou a lamparina e por aí vai. O mercado de querosene caiu e os ferreiros que fabricavam espadas tiveram de mudar de ramo ou fabricar ferraduras.
Com relação à música, houve um tempo em que era tudo analógico, tudo no muque, sem metrônomo nem nada. Música humana, sem firulas.
Mas aí começaram a aparecer os teclados eletrônicos. Tivemos a oportunidade de acompanhar a evolução dos samplers, das baterias eletrônicas, dos teclados e pedais maravilhosos que turbinavam o som.
Depois vieram os softwares de edição, que nos permitiram transformar nossos computadores em "home studios" com relativa qualidade.
Só que até então o poder estava nas mãos do ser humano. O homem ainda era necessário para criar e programar os sons.
Mas aí chega uma notícia chocante: já existem computadores baseados na Inteligência Artificial que compõem músicas. São alimentados com conhecimentos quase infinitos, com sons de todos os tempos e timbres, com programação de algoritmos e sei lá mais o que criando, músicas para diversas finalidades.
É com isso que nós músicos e compositores humanos já estamos concorrendo. As máquinas já estão criando sinfonias funcionais e industriais. Músicas pra acordar, pra comer,  caminhar, malhar, transar, trabalhar, pra acelerar o trabalho, pra colheita no campo, cavalgadas, guerras, todas as ações e sentimentos humanos similares.
Essas músicas são executadas por programas que transformam a criação em sons utilizando samplers com todos os sons analógicos e sintéticos produzidos pelo homem.  
Atenção: não é ficção. É realidade! Quem quiser pode pesquisar na internet e conhecer algumas composições feitas por IA. Algumas não são muito diferentes das coleções de trilhas disponíveis por aí. Mas tem até jazz e composições clássicas com  qualidade relativa. 
Podemos até concorrer com os computadores ao oferecermos músicas orgânicas, puras, feitas em nossos cérebros cheios de imperfeições, verdadeiras quitandas.  Será como oferecer verduras e frutas orgânicas, sem agrotóxicos ou aditivos. 
Os pessimistas acham que com a IA a humanidade vai ficar obsoleta e pode até ser eliminada pela criatura. Os otimistas acham que a IA  vai ajudar a aprimorar a humanidade. Nós humanos  aprendemos com a natureza. As máquinas aprendem conosco.
Se terão lealdade ou piedade, só o tempo dirá.
Se der errado, vamos ver se alguém lembrou de criar um botão de on/off. 

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

APOCALIPSE CULTURAL


A tecnologia vem passando o rodo e mudando tudo na vida cotidiana e não seria diferente com a arte. A cultura como conhecíamos não existe mais. Virou outra coisa, desmaterializou-se, virou nuvem...

NOVILÍNGUA

Os novos tempos carregam um forte elogio à ignorância. A simplicidade tornou-se virtude hipervalorizada . As pessoas consomem mensagens a cada dia mais reduzidas. Muitos só lêem as fotos e legendas ( daí o sucesso do instagram). As pessoas passaram a ter preguiça de textos maiores, vídeos maiores, conteúdos densos. Há um certo enfastio da profundidade.

PIRATARIA SEM CONTROLE

Hoje em dia, com a facilidade de se copiar e colar qualquer coisa, como ganhar dinheiro? Se você compartilha, caiu na rede, não é seu mais. Temos templates de quase tudo e está só piorando.  Direitos autorais sobre fotos? Sobre música? Sobre textos? Esqueça! Se tiver dinheiro pra contratar advogados, vá em frente...



FIM DA MATERIALIDADE

De repente ficou tudo fluido, comprimido, evanescente. Quem consumia música há algumas décadas precisava de LPs, K7s, Mds, Cds, pendriveS. E hoje tá tudo na nuvem descomunal. Você paga um tikim e tem um tantão...quase um infinito de músicas e outros conteúdos.

TEM O LADO BOM

Tem quem defenda que os artistas nunca tiveram um meio tão democrático para atingir seus fãs. É só ter um canal no youtube, um facebook da hora, instagram com belas fotos e pá: tá resolvido.  Mas como conseguir audiência no meio de um barulho desses?

DÁ PRA GANHAR DINHEIRO COM MÚSICA?

Antes alguns artistas faturavam com direitos autorais. O ECAD arrecadava na execução em rádios e tvs, nos eventos, nos bares.  Havia a perversidade dos jabás. Hoje, nem isso tem mais. A internet vem mordendo o bolo das rádios continuamente e parece ser um caminho sem volta. Num cenário como este, poucos ganham com direitos autorais. A saída para os músicos é tocar ao vivo, vender shows. Mas como vender se a banda não for famosa?

DITADURA DO COVER

E pra completar o elenco de notícias cabulosas para a nova música, temos essa covermania. Os donos de bares não querem saber de artistas autorais, considerados chatos e alternativos. E dá-lhe bandas imitações tocando o set de alguma banda. E com isso, não há renovação. Nas artes práticas, as cópias ( artesanato) costumam dar mais lucro que os originais.

E COMO FICAM OS AUTORAIS?

Terão de cavar novos veios, procurar novos espaços de fruição e monetização do trabalho. Alguém vai querer pagar por originalidade. Por enquanto a situação está nebulosa. Mas tem gente por aí se dando bem. Tem gente ganhando dinheiro no spotfy, até mesmo no youtube.

SÓ O PROFISSIONALISMO PRA SALVAR...

Reclamar não adianta. Qualquer parceria precisa passar firmeza. Os artistas e seus empresários precisam se profissionalizar e somar no esforço de levar público, o que será bom pra quem contrata e para o contratado. Muitas bandas vão lá, levam um lero com o dono e esperam que as casas façam tudo e inclusive levem público.  E na hora do show, tocam como se estivessem nos ensaios, mal olham pra cara da platéia, não se comunicam, não oferecem uma experiência positiva. Muito pelo contrário: olham pro nada, não fazem questão de interagir, de causar algum impacto ou emoção. Alguns dizem que tocam pra agradar a eles mesmos. Bom, creio que para masturbação o palco não seja um espaço adequado.

A DIREITA NÃO TEM DISCURSO PARA A CULTURA

Eu vejo algumas pessoas xingando os artistas, que em sua maioria, nutrem simpatia pela esquerda. Isso é fácil de explicar.  Não se vê a direita abraçando nada em termos culturais. Nem a turma tucana. Enquanto isso, a esquerda abraça. Para a direita, a arte é um devaneio, coisa de cigarras num mundo de formigas. 

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

A MÚSICA DE RICARDO MONLEVADE

Sou fã demais desse cara. A primeira vez que o ouvi tocando fiquei muito impressionado. Eu era recém chegado a Monlevade. Saí do hotel à noite atraído por um som. Fui parar no Buffalo Bill. Tava lotado e não consegui lugar pra sentar. Mas o som valia à pena. Arrumei um cantinho e fiquei quietinho só ouvindo. O piano era impecável sem reparos, um swing de matar. Na hora dos solos, improvisação perfeita, sem notas na trave.  Poucas vezes vi um músico com tamanha destreza, senso de improvisação e domínio de diversos estilos. Tomei coragem e perguntei para uma pessoa que saia do Búfallo: - Por favor, quem é esse que está tocando teclado? E ele me disse: É Ricardo Monlevade. Pois é! Depois disso já me encontrei com o virtuoso músico  algumas vezes e até lhe disse que um dos meus sonhos, antes de passar dessa pra melhor é cantar com ele. Quem sabe qualquer dia? Mas vamos à entrevista...
MEDIOPIRA -  Ricardo, o que você ouviu em sua infância?
Ricardo Monlevade - Muito rádio, desde quando acordava com sertanejo até quando dormia !
MEDIOPIRA -  Qual foi o primeiro instrumento que você teve contato?
Ricardo Monlevade - Uma flautinha de brinquedo que uma tia me deu de presente de natal. Eu nunca a esqueci .
MEDIOPIRA -  Você chegou a estudar música com algum professor?
Ricardo Monlevade -  Estudei sim,  mas depois que já tocava na noite e em igrejas
MEDIOPIRA -  Chegou a tocar em banda de música também?
Ricardo Monlevade - Sim
MEDIOPIRA -  Por que você escolheu o teclado?

Ricardo Monlevade - Escolhi os teclados pela praticidade e por ser um instrumento mais completo , principalmente os teclados arranjadores pela autonomia .
MEDIOPIRA -  Já tocou em muitas bandas? Pode citar algumas?
Ricardo Monlevade - Sim com todo prazer .Ja toquei com excelentes cantores e cantoras como Wanderléia Souza ,Eliane Ribeiro , Eliane fonseca ,Vilma de Oliveira , Mauro Martins,Claudiney Godoi , Sérgio e Delson, Dudu Nunes, Maicon e Douglas. Também em Bandas com grandes amigos como:Flor de Minas,que depois passou a se chamar Metropolitan , Dablus big band, Expresso boiadeiro , Estampa de minas , Pop Minas banda show e participações diversas. Sempre adorei tocar ao lado de todos os citados .Tudo foi feito com muita alegria e uma satisfação imensa e aproveito o ensejo para agradecer a todos os meus antigos parceiros de palco pela alegria de ter aprendido muito com eles . Não poderia me esquecer da Banda Limão Verão com a qual tive o enorme prazer de fazer 2 grandes carnavais
MEDIOPIRA -  Você consegue tocar muito bem vários estilos. Mas qual é o seu preferido?
Ricardo Monlevade - O que me da mais prazer é o jazz
MEDIOPIRA -  Quais são as bandas famosas que lhe dão mais prazer tocar.
Ricardo Monlevade - Se eu pudesse eu viveria só de tocar jazz porém quando a gente casa e tem filhos o lado comercial fala mais alto .Gosto muito de tocar algumas internacionais mais clássicas. E nacional eu gosto muito da chamada MPB, aquelas clássicas que nunca ficam velhas. Vc sabe do que estou dizendo rsrsrsrs
MEDIOPIRA -  Você também toca sanfona ou é mais do teclado eletrônico convencional?
Ricardo Monlevade - Quando era criança conheci um moço que se chamava Mário que começou a me ensinar algumas coisas no acordeon. Mas infelizmente esse moço faleceu e eu como não tinha a mínima condição de pagar pra estudar o instrumento tive que abortar esse estudo que eu gostava muito
MEDIOPIRA -  E os pianos convencionais, de estojo ou de calda. Também executa com facilidade?
Ricardo Monlevade - Devido a não ter acesso aos pianos convencionais eu estranho muito as teclas. Mas se eu me esforçar sai alguma coisinha rsrsrsrsr
MEDIOPIRA -  Qual a sua opinião sobre a música de hoje. Acha que caiu o nível ou pensa diferente?
Ricardo Monlevade - Assim como sempre foi ,.a música tem coisa boa e coisa ruim .Mas como dizia um tio meu "Não existe música feia e nem mulher feia ,O que é feio pra uns é bonito pra outros " .Eu vejo da seguinte forma :Por um lado o que me agrada e por outro lado o que eu considero pelo lado profissional .Ex: Eu posso não gostar de uma música e as vezes não me soar muito bem ,mas posso ver muito profissionalismo nela .Acho que seria mais questão de ponto de vista !E uma questão de nível cultural e intelectual de quem ouve também. Em suma é um assunto muito complexo e ha que se ver por vários ângulos .
MEDIOPIRA -  Você vive apenas de música ou tem ofícios paralelos?
Ricardo Monlevade - Tenho muitas profissões mas atualmente vivo só do que está ligado a música. Além dos meus shows faço sonorização, iluminação,estruturas de palco ,montagens, desmontagens e transporte em geral,Tenho muitos parceiros nessa área de festas em geral .
MEDIOPIRA -  Acha que tá mais difícil viver de música hoje em dia?
Ricardo Monlevade - Acho que está bem mais difícil hoje em dia ,falando de uma maneira geral, por uma série de fatores, que vão desde a lei do silêncio "seletiva né... " até cachês que são oferecidos que não animam a gente nem a sair de casa,Quem dirá ensaiar ,investir em equipamentos caros e modernos e perder noites de sono .... rsrsrsrsr é rir pra não chorar ...No meu caso até não posso reclamar porque a gente vive bem ,devido a um nome já construído ao longo do tempo e que nos credencia a ser preferidos em muitos eventos. Mas vou lhe confessar: Se fosse pra eu largar a minha colher de pedreiro pra ser músico da noite como eu fiz a uns anos atrás eu jamais faria nos dias de hoje. Talvez tocaria só por Hobby mesmo.
MEDIOPIRA -  Você também compõe ou não é esse o seu forte?
Ricardo Monlevade - Talvez se eu tivesse mais tempo pra dedicar a composições sairia alguma coisinha e certamente me daria muito prazer. Mas não tive a coragem de tirar um tempo pra isso ainda.No momento prefiro curtir e admirar os bons compositores que temos 
MEDIOPIRA -  Você hoje se apresenta mais sozinho ou tem músicos parceiros e uma banda pronta pra apresentações?
Ricardo Monlevade - Mais sozinho devido a praticidade .Mas com certeza se a "maré" tivesse melhor um pouquinho eu estaria no mínimo com um baterista, um baixista e um bom guitarrista comigo .
MEDIOPIRA -  O que você recomenda a quem está ingressando na música?
Ricardo Monlevade - Recomendo que faça tão somente por amor e prazer e se vier alguma coisa em troca amém ! Não ficar criando expectativas e nem ficar sonhando muito .Como diz a bíblia " o amanhã não nos pertence e sim a Deus " .Se a pessoa tem a sua realização pessoal com a música, Amém.
MEDIOPIRA -  Deixe seus contatos para shows, face, site, etc

Ricardo Monlevade - Ricardo monlevade (31)3851 0665 ou Zap 988060665 Desde já agradeço imensamente e me sinto honrado em poder participar desta tão nobre iniciativa do mediopira parabéns a vcs Saúde e muita paz ! 

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

JEAN E DRUMMOND

Algumas cidades valorizam seus notáveis. Itabira faz isso muito bem com Carlos Drummond de Andrade. Tudo em Itabira tem Drummond no meio.
Alguns intelectuais locais até criticam a drummomania, mas não tem jeito!
Tem estátuas pra todo lado, frases, outdoors, placas de inauguração, bonecos, esculturas, tudo tem Drummond.
Recentemente o Brasil inteiro comemorou 115 anos do poeta e como não poderia deixar de ser, Itabira festejou Drummond a semana inteira, com muita poesia e arte. E comemoram todos os anos, todos os dias, a todo minuto.
Itabira tem orgulho do seu filho mais ilustre e não se cansa de homenageá-lo. E isso é lindo, pois numa terra onde surgiu a Vale do Rio Doce, o principal produto de exportação é a poesia, a palavra.
E João Monlevade? Parece que a cidade não dá a mesma importância ao legado do pioneiro fundador, o francês Jean Monlevade.
Ele não é nativo como Drummond, mas foi  tão importante que até emprestou nome à cidade. Como disse o jornalista e escritor Erivelton Braz, "aqui Jean virou João".
Num ano em que completaram-se 200 anos da sua chegada à região, muitas coisas foram projetadas, mas por enquanto foram tímidas as ações.
Houve o lançamento de um selo comemorativo e reuniões com intelectuais e autoridades públicas para criação de uma agenda. Ficou definido o biênio 2017/2018 para diversas atividades. Mas para o ano do bicentenário foram poucas as ações. Tá certo que 2017 ainda não acabou, mas fica difícil rivalizar com Papai Noel e revellion em atenção.  
O jornalista Erivelton Braz, apaixonado pela saga do desbravador é fez algo pra marcar os 200 anos. Escreveu um belo poema sobre o Jean, que tive a honra de musicar. A música acabou nos inspirando um vídeo-clip comemorativo, que teve mais de 20 mil visualizações no facebook. O Erivelton aproveitou pra lançar NAS TERRAS PESADAS DE METAIS E ESPANTOS, um ebook com história romanceada do grande pioneiro, disponibilizado gratuitamente na internet. Para a execução do projeto, tivemos as parcerias da Arcelor Mittal, SICOOB CREDIMEPI, HIPER COMERCIAL MONLEVADE, CDL, PROHETEL, REAL CLUBE E RÁDIO ALTERNATIVA.
O poeta Geraldo Magela Ferreira, o Magelinha, também lançou belíssimo poema em homenagem ao bicentenário.
E foi só.
O francês foi um gigante, sonhador e realizador poderoso. Moveu céus e terras, trouxe uma indústria inteira  transportada através dos rios e montanhas, em balsas e lombos de burro, da costa brasileira até onde hoje está localizada a Fazenda Solar. Criou uma indústria monumental num lugar quase selvagem e ao derredor nasceu uma das cidades mais importantes de Minas. Mas...engraçado! Parece que o João não gosta do Jean.
Fiquei sabendo de umas maledicências históricas. A primeira de que Jean foi um capitalista cujo único objetivo era enriquecer, que não teve nenhuma atitude altruísta ou amor à terra e sua gente. Outra história é de que foi um mal patrão.Tem gente que não gosta dos patrões. Acham que são todos exploradores desalmados. Ah...e também tem aqueles que dizem que foi  feitor de escravos e se aproveitava das mulheres. E a mais surreal de todas: de que ele era um forasteiro como tantos que só vem pra explorar.
E o empreendedor nato? Onde fica? E o gestor com visão excepcional e grande capacidade de realização? Parece vir de muito tempo essa tendência em diminuir os pares, esses espíritos de língua ferina prontos pra difamar quem tenta fazer alguma coisa ao invés de enlevar, de glorificar seus notáveis.
Se foi vilão ou herói, depende de como a história é contada.
Stalin matou milhões, mas é herói pra muita gente, assim como Fidel, Hitler, Lampião, Kennedy e outras personas.
Jean não foi poeta nem ergueu castelos de palavras.
Também não transformou chumbo em ouro, mas minério de ferro em aço, uma região selvagem em um fabuloso complexo siderúrgico...e a minha vida, a sua e a de todos no Médio Piracicaba.

(Além do ebook do Erivelton, sugiro as leituras dos livros de Jairo Martins e de Afonso Jr.  Os livros do Jairo são fantásticos e do Erivelton também. O Livro do Afonso ainda não li, mas quero fazê-lo assim que possível. São visões diferentes sobre o mesmo tema que ajudam a compreender o mito. Jacqueline Silvério deve ter na República Literária).