sexta-feira, 6 de outubro de 2017

DUCA FURTADO e o SAMBA NA SOLA

Conheci Duca Furtado no FESTIAÇO, Festival da Música que aconteceu em João Monlevade há alguns anos ( que falta fazem os festivais). Naquela ocasião  já a achei diferente, muito educada e consciente de sua condição e sobre a dinâmica de um festival. Na época, a maioria dos artistas locais se interessava por rock ou pela MPB mais contemporânea. Mas ela não ! Ela gostava é de samba e deixava isso claro. Articulada e racional, ela me surpreendeu ao não reclamar do resultado daquele festival, pois vários que perderam criticavam e questionavam o resultado. Ela foi super cordata e humilde. Mesmo tendo qualidade, soube reconhecer que tinha muita gente boa e o importante era o pessoal tocar e mostrar seu som. Pensei comigo:  menina diferenciada!  Fiquei um tempo sem vê-la, ela  casou-se e  junto com o marido montou o projeto SAMBA NA SOLA,  um trabalho quase sagrado de amor a esse ritmo brasileiro que tem tantas histórias pra contar...e cantar. Mas vamos à entrevista...

1) - O que você ouvia na infância?

A minha mãe.(risos). Eu ouvia a minha mãe cantando Paulinho da Viola e Pedra Azul,  Chico Buarque, Cartola, Milton Nascimento , João Gilberto e Nogueira... Juntas antávamos todos esses e muitos outros. Também ouvia meu avô e seus companheiros da seresta e choro. Lupicínio, Sérgio Bittencourt, Mário Reis, Dalva de Oliveira, Heitor dos prazeres.

2) - Quando é que você começou a sentir que tinha talento para a música?

Nas mesmas rodas de choro e seresta na casa do meu avô. Mas durante a infância e  Adolescência fui muito criticada pelos colegas por cantar músicas “de velho” e enquanto isso não me incomodava quando criança, acabou por me inibir durante a adolescência. Foi meu marido e parceiro de samba, Daniel, quem me encorajou a assumir o canto como profissão e nos embrenhamos os dois na seara do samba, nossa maior paixão.


3) - A sua paixão pelo samba como matriz sonora vem da infância ou é mais recente?

Ela teve origem na infância. Minha mãe e avô tinham um repertório vasto de sambas, e nas rodas, me recordo que eram os sambas que mais me emocionavam. Mais tarde, já adolescente, frequentei muito o Reciclo e o Cartolas em Belo Horizonte, passei a ouvir samba em mp3(risos) e um universo novo se abriu. Mas quando conheci o Daniel e comecei a mostrar esse universo pra ele, percebemos juntos que aquilo era apenas um pedacinho da riqueza gigante que o samba tem. Pesquisar e descobrir mais sobre toda essa riqueza se transformou em nosso lazer, nosso prazer e mais tarde nosso trabalho. Então acho que vale dizer que o samba é uma paixão da minha vida inteira.

4) - Como é que nasceu o samba na sola?



Desse prazer, rs. A gente ouvia samba todos os dias, mas apenas em casa. Nada nos bares, nas festas de amigos, nas festas públicas nas praças. A gente morava no meio da Região dos Lagos no Rio de Janeiro e só ouvia nas ruas o sertanejo, pagode, funk e aquela MPB lado A. O Samba na Sola nasceu da vontade de ouvir o samba na rua. Daniel já era músico há muitos anos e eu tinha boa vontade, RS. Tomou coragem, mas estamos aí há quase 10 anos.

5) - Vocês tem banda de apoio ou apresentam-se apenas em dupla?


Sim. Fazemos os shows maiores com 5 ou 6 músicos, geralmente free-lancers. Mas vem novidade por aí... temos um novo integrante que queremos apresentar ao vivo no Facebook em breve. O trabalho em dupla nasceu da necessidade. Nem todos os bares tem estrutura ou grana pra arcar com o grupo completo. Como amamos o que fazemos e vivemos em parte da renda da musica tivemos que nos adaptar com o projeto Duca Furtado & Dan Soares. 

6) - O que vocês apresentam no repertório hoje em dia? Clássicos do samba?


Não só clássicos. Tentamos inserir alguns menos conhecidos e diversificar abrangendo diferentes vertentes do samba como o samba de roda, afro-sambas, partido alto,  Sambalanço e samba de enredo. 

7) - Vcs tem músicas próprias? Planos de lançá-las?


Sim e a intenção é compor cada vez mais. Em breve estaremos lançando algumas no nosso canal no YouTube.

8) -  Vcs residiam no Rio de Janeiro. Sentem muita diferença com relação ao ambiente artístico de lá e aqui de Minas?


A gente morava próximo à capital e por isso tínhamos acesso freqüente a shows e rodas de samba e choro. É claro que o samba no Rio é bem mais presente que em BH. Sentimos falta disso. Mas no litoral o pagode e o sertanejo reinavam, como reinam aqui. E BH tem hoje ótimos eventos de samba. Acabamos de voltar do show do Moacyr Luz no Quintal da

Divina Luz no bairro São Marcos, por exemplo. Foi incrível.

9) - Como vem sendo a receptividade do trabalho de vcs na região?

Maravilhosa. As pessoas se encantam e cantam conosco. É legal ver que o “tem que tocar de tudo” é ilusão. 

10) - Ultimamente temos o estilo sertanejo e o funk dominando quase tudo.Vocês abraçaram o Samba como ritmo e estilo de vida. Isso pra você é um diferencial ou ...problema?


Um diferencial. Primeiro que pra nós só é válido cantar o que vem da nossa alma, o que toca a gente. Quando pedem sertanejo explicamos com carinho a nossa filosofia. As pessoas geralmente entendem. Um dia desses fui inclusive aplaudida por isso(risos). Desde que surgiu, o samba raiz sempre foi um movimento cultural de resistência (mesmo que nem sempre consciente disso) que não cede aos modismos. Achamos que talvez por isso ele “agoniza, mas não morre” nunca.

11) - Onde serão as próximas apresentações de vcs?

Dia 07/10 estaremos em quarteto na primeira Oktoberfest de João Monlevade às 15h e, no mesmo dia, às 21h no Bar na Lage 67 em Alvinópolis em dupla. 
Dia 08/10 no Bar do Paulo em Bela Vista.
dia 21 no cabritim a partir das 15h, 

Contato para shows : (31) 98926-2752
(22) 99938-8996 (Whatsapp)
Website: 
samba-na-sola.webnod.com
e-mail: 
sambanasola@outlook.com
página facebook : Samba na Sola oficial

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

MARCOS MARTINO ENTREVISTADO PELO MEDIOPIRA

O MEDIOPIRA dessa semana conversou com o compositor, músico e jinglista multitarefas Marcos Martino. Ele já viveu um monte de aventuras. Foi integrante do Grupo Verde Terra, que ganhou muitos festivais em sua época. Depois integrou a banda de Rock República dos Anjos. Hoje transita entre a arte e a publicidade. Produz jingles e spots, trilhas, textos publicitários, é promotor cultural, roteirista e produtor de vídeos. Já foi também assessor de comunicação e Presidente da Fundação Casa de Cultura de João Monlevade. Mas o pessoal deve estar perguntando: - Como assim  entrevistando a si mesmo? Uai ! fiquei com inveja dos entrevistados e resolvi me auto-entrevistar. Espero que gostem...

MEDIOPIRA - Você já viveu uma época em que havia mais valorização da arte e cultura. O que aconteceu pra mudar tão radicalmente?


Marcos Martino - Eu acho que foi por causa da política. Desde o governo Collor começou a haver um esforço em valorizar tudo que fosse extremamente popular, uma simplificação de tudo. Cunhou-se uma cultura do povão. Newton Cardoso seguiu a cartilha em Minas. Pra começar, transformou a rádio Brasileiríssima em Popularíssima e na época tirou a MPB do ar e colocou só pagode e sertanejo. Mas não foi um fenômeno isolado. A tendência foi se espalhando até tomar conta de tudo e virar um padrão.

MEDIOPIRA - Mas essa opção não foi do povo, das pessoas?

Marcos Martino - Não sei. Há quem diga que o nosso congresso espelha o nosso povo. Eu acho que é o contrário. As pessoas seguem os modelos. Se os políticos roubam lá em cima, o povo acha que também pode roubar cá embaixo. Os políticos são modelos de comportamento e um vai espelhando o outro. A mídia, as novelas, também ajudam. O que os governos e a mídia disseminam viram comportamentos. E nos últimos anos tivemos uma espécie de elogio à ignorância. Tem mais valor o tipo  simples e bronco sem sensibilidade para a arte. 

MEDIOPIRA - Não faz tanto tempo assim, tínhamos festivais de música pra todo lado. O que aconteceu para que quase acabassem?

Marcos Martino - Talvez por causa dessa "popularização" da cultura. As prefeituras e empresas  preferiram direcionar suas verbas para eventos de massa, principalmente rodeios e exposições agropecuários. Ainda existem eventos de resistência, mas que vem tendo problemas para atrair público . Será que o povo só quer os popularescos? Mas aí é que tá: existem os nichos ... 

MEDIOPIRA - Mas você fala sobre de forma depreciativa dos eventos agropecuários. Não estaria de implicância com a música sertaneja?

Marcos Martino - De modo algum. Não tenho nada contra o estilo, nem contra a indústria que nasceu em torno. Até gosto bastante de algumas músicas. Ruim mesmo é a monocultura. Mas já teve o tempo do axé, do pagode, do funk, do Rock Brasil...até da MPB. Mas nada tão duradouro como a música sertaneja.

MEDIOPIRA - Como foi a sua experiência tendo banda de rock e de festivais?


Marcos Martino - O Verde Terra foi um grupo festivaleiro clássico. Havia um circuito interessante. O República dos Anjos também foi uma fase bárbara. Conseguimos tocar em centenas de rádios e fizemos muitos shows.

MEDIOPIRA - E não tem mais lugar mais pra música autoral?

Marcos Martino - Lugar sempre tem. Mas apesar dos avanços tecnológicos e de estarmos online 24 horas,  ficou mais difícil fazer com que as músicas cheguem até as pessoas. Isso por causa da quantidade e até pela qualidade que ficou acessível a todos. Hoje vc pode criar um canal no youtube, fazer  uma TV, uma rádio própria. E tem muita gente fazendo música boa. Mas ... convencer as pessoas a assistirem e se inscreverem em seu canal é outra história. E na internet as pessoas visualizam mas não retém. Nas rádios as músicas ficavam nas memórias por causa da repetição.

MEDIOPIRA - E as rádios? Estão se atualizando ou ainda estão na idade das cavernas?


Marcos Martino - As que insistirem em fórmulas arcaicas vão ter dificuldades. A maioria tá partindo para o conceito das talk radios. São rádios faladas, conversadas, de interação com o ouvinte. A música deixou de ser o principal produto. Além do mais, todo mundo pode ouvir a música favorita seja baixando, seja ouvindo no spotfy e outros canais on line.

MEDIOPIRA - E você está parado ou compondo?


Marcos Martino - Eu nunca estou parado. Tô sempre realizando alguma coisa, quase sempre envolvendo música e vídeo. Continuo compondo, pois compor é quase uma seção de desencapetamento. A gente coloca pra fora o que nos perturba.

MEDIOPIRA - Mas não tem planos para apresentações?

Marcos Martino - Tenho  projetos sim que estou pensando em realizar, um de uma nova banda de rock. Tenho um bocado de composições novas, bem no espírito rockeiro. E outros projetos de singles também. Vamos ver se a vida me dá tempo pra realizar.

MEDIOPIRA - Mas não se acha velho pra isso?

Marcos Martino - Velho é um conceito. A essa altura do campeonato não vou tentar ficar fazendo música pros "novinhos". Se fosse fazer isso, talvez me dedicasse ao funk. É o que a galera nova tá ouvindo.

MEDIOPIRA - Por falar nisso, o que acha do funk?

Marcos Martino - Um ritmo como qualquer outro. Acho engraçado os rockeiros que já quiseram mudar o mundo ficarem nessa de criticar os funkeiros. O slogan do rock era SEXO, DROGAS E ROCK AND ROLL.   O Funk é o ritmo que tá fazendo a cabeça da galera, queiramos ou não.

MEDIOPIRA - Pra onde vai a música?

Marcos Martino - Vai pra nuvem. Aliás, já está lá. As memórias musicais de todo o planeta deve estar na nuvem hoje. Da cultura Esquimó à Aborígene.  Não tem outro caminho. Todos precisam aprender a se virar na nuvem.

MEDIOPIRA - Fora a música, que outros projetos você pretende tocar no médio prazo?

Marcos Martino - Ah...pois é. Estou lançando um canal no youtube chamado NAVTRINE, em que vou trabalhar pra divulgar trabalhos novos, uma coisa que me motiva muito. Mas tenho vários projetos em andamento. Projetos ambientais,  produção musical, produção de festivais e de vídeos.

MEDIOPIRA - E o que vc aconselha pro pessoal da música de hoje?

Marcos Martino - Meu conselho é simples: PROFISSIONALISMO EM TUDO. Se vc for fazer um play list de repertório, pense no quando vai entreter as pessoas, no bem que pode fazer com a sua música. Mentalize e mande bala. Quando for gravar um clip, a mesma coisa. Mesmo que for gravar com celular, preocupe-se com a imagem. É muita gente que vai ver. Então capriche. Fale pro pessoal da banda também ter comportamento profissional, conversar com a câmera.

MEDIOPIRA - Covers ou autorais?


Os Morcegos, ótima banda cover da Jovem Guarda.
Marcos Martino - Por que não os dois? Algumas pessoas ficam impacientes quando só ouvem músicas novas num show. Então, se a banda entremear pode ser melhor pra estabelecer um link  rápido com a platéia. Mas, se o artista for capaz de segurar a onda só com próprias, se suas músicas  forem de fácil assimilação apesar de autorais, por que não? O artista tem de ter bom senso. Quanto aos covers, funciona assim desde o início do pop. Nos anos 60 e 70 toda cidade tinha seu conjuntinho de igreja ou colégio que se dedicava a fazer cover dos beatles e da jovem guarda. Eram valorizados os músicos que fizessem igualzinho o original.                                                                
Deixe seus contatos.

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31 988151041 (zap)

marcos.martino@gmail.com

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

QUALQUER SEMELHANÇA COM A COINCIDÊNCIA É PURA REALIDADE...


O MEDIOPIRA dessa semana foi conversar com o produtor JOÃO BARRETOS, criador de alguns dos maiores eventos agropecuários do país. João é autodidata, começou a fazer pequenos rodeios em Barretos, sua cidade natal, até tornar-se um dos empresários mais bem sucedidos do showbusiness nacional. De uns tempos pra cá diversificou e tornou-se próspero produtor de Nelore e plantador de soja. Recentemente também criou um selo musical dedicado ao sertanejo, funk e pagode. Mas vamos à entrevista...

VOCÊ SE CONSIDERA UM PRODUTOR CULTURAL?

Não! Eu sou produtor de entretenimento. Os chamados produtores culturais se empenham em produzir e direcionar conteúdos por eles considerados  interessantes para o público. Eu já faço diferente. Ofereço ao povo o que o povo quer. Por isso, meus eventos são sempre lotados.   

MAS NÃO ACHA PERIGOSO OFERECER AO POVO UM CONTEÚDO TÃO RUIM?

Perigoso é você oferecer o que o povo não quer e o povo não comparecer. Veja só.Desde que o mundo é mundo o povo tem suas necessidades naturais. A música sempre serviu pra fazer fundo musical para as atividades humanas. Então, se você faz eventos que oferecem promessas de sexo, de namoro, de bebida e comida e músicas pro povo dançar e cantar junto, certamente ganhará dinheiro e gerará emprego pra muita gente.

MAS POR QUE O POVO ESTÁ TÃO AVESSO AOS EVENTOS CHAMADOS CULTURAIS?

O povo nunca teve paciência com essa conversa de arte e cultura. Acha chato e vai só se for modinha. Já não tem paciência com escola, com conteúdos mais elaborados. Vc acha que alguém vai sair de casa pra ver pessoas recitando poesias? Cantando letras cheias de metáforas e poesia? Mas não vai mesmo!

MAS ENTÃO, QUAL VOCÊ CONSIDERA SER O CAMINHO PARA A CULTURA

As leis de incentivo foram invenções interessantes. Durante um tempo até sustentaram a produção alternativa, a chamada arte genuína. Mas os produtores de entretenimento também enxergaram o potencial econômico e com pouco tempo dominaram as grandes verbas. Por sua vez as empresas também preferem se associar a projetos de artistas conhecidos e populares.A arte e a cultura ficaram com as migalhas. As secretarias municipais de cultura são uma piada. Tem esse nome, mas os prefeitos as utilizam pra fazer os eventos do povão que dão voto, que são exatamente os tipos de eventos que eu faço. O restinho da verba que sobrar eles usam para uma coisinha aqui e outra ali e fingem que fazem cultura.

MAS NÃO CONSIDERA A ARTE IMPORTANTE PARA A HUMANIDADE
Já foi mais importante no passado. Havia os grandes pintores, escultores geniais, grandes músicos. Mas hoje em dia, com os computadores, artes perfeitas são feitas instantaneamente e tem templates pra tudo. Orquestras inteiras podem ser simuladas por um teclado eletrônico. De modo que a arte tá perdendo gradativamente a sua utilidade.


POR QUE AS MASSAS SE AFASTARAM TANTO DA ARTE?

As massas na verdade nunca gostaram. Lembra-se de umas camisesas do Casseta e Planeta? "Vá ao teatro mas não me chame?". É assim que o povo pensa. Não tem a mínima paciência. Gosta é de novela, de seriados americanos, de futebol e de sacanagem. É isso que eu ofereço.

MAS O NÍVEL GERAL NÃO ESTÁ CAINDO? O POVO NÃO TÁ FICANDO MUITO BURRO?

Eu não acho não. Quando o sujeito entra na faculdade vai ter de estudar filosofia, química, física e essas chatices todas. Você ainda vai querer que o sujeito ainda seja intelectualoide? Que discuta Freud e Lacan durante a diversão? Ele quer saber é de encher a cara e encontrar alguém pra dar uns amassos.

A INTERNET PREJUDICA OS SEUS NEGÓCIOS OU É ALIADA?

Num primeiro momento achei que fosse me atrapalhar muito. Eu invistia em duplas sertanejas e faturava com vendas de CDs, administrava os direitos autorais e até os shows. A internet acabou com a venda de CDs. Por isso eu peguei o dinheiro e comecei a investir em fazendas e e Nelore. Agora, cds pararam de vender, mas os shows tem vendido bem. Principalmente os sertanejos. Eu criei um selo musical pra segurar alguns talentos. Estou investindo agora no funk que tá bombando pra todo lado.

MAS QUE CONSELHO VOCÊ DARIA PARA OS PRODUTORES CULTURAIS?

Olha, eu tenho até algumas amigas românticas, que acreditam que vão mudar o mundo através da arte. Coitadas. São maltrapilhas, não tem dinheiro nem pra ir a Guarapari. O conselho que eu daria é...se querem escrever livros, escrevam livros pornôs, por que dão dinheiro. Se querem fazer eventos de música, não coloquem aqueles artistas alternativos com músicas autorais chatas. Saraus de poesia e exposições de quadros, nem pensar. Isso não dá dinheiro.

ENTÃO VOCÊ ACHA QUE A ARTE E A CULTURA ESTÃO MORRENDO?

Morrendo eu não sei.  Mas não conseguem empolgar nem ser compreendidas num mundo tão polifônico. As mensagens não decodificadas são ignoradas e jogadas no lixo da história. Olha,  se você colocar dois eventos, um do lado do outro, sendo um pago de música sertaneja com cerveja e churrasco. E o outro gratuito com música autoral alternativa, com sarau de poesias e performances teatrais, pode ter certeza que o primeiro vai lotar e o segundo fracassar.

MAS O QUE A ARTE E CULTURA DEVERIAM FAZER PARA SE POPULARIZAR?

Interagir mais com as pessoas comuns, ir onde o povo está. A turma da cultura além de tudo é cheia de teimosias. Ao invés de aproveitar os locais já frequentados pelo público, cismam de criar espaços alternativos e fazer eventos onde as pessoas não frequentam usualmente. Tentem também fazer os eventos mais interativos com músicas pro povo dançar, chacoalhar. Se misturar cultura com diversão, pode colar. Se insistir na chatura, não vai...

QUE MENSAGEM VOCÊ DEIXARIA PRA QUEM PRETENDE TRABALHAR COM PROMOÇÃO DE EVENTOS?

Que escolha rapidamente se quer ganhar dinheiro ou reputação cultural. Se quer ganhar dinheiro pra pagar as contas e ter um bom nível de vida, preocupe-se em dar ao povo o que o povo quer. Faça eventos populares, sertanejos, essas coisas. Eventos de gastronomia também são bons pois o povo adora comer. Se quer teimar na devoção quase religiosa à Deusa arte, á tal relevância de conteúdos,  tá bom também. É só levar uma vida desapegada, pois dinheiro não vai entrar...


O ENTREVISTADO É PATROCINADO PELA CERVEJA SAFADA, VERSÃO FUNK DA DEVASSA. 

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

PROCLAMADA A REPÚBLICA LITERÁRIA...

O MEDIOPIRA da semana foi conversar com a Jacqueline Silvério,  sócia da República Literária, um dos maiores centros de difusão da literatura e do conhecimento na região. Conheço Jacque desde que ela se expressava artisticamente nos festivais de musica. Depois que montou a Republica Literária ela encontrou sua "cachaça". A literatura preencheu a sua vida e juntamente com a Nádia, construiu uma loja que é quase uma instituição monlevadense, dada a sua importância para leitores, estudantes, professores, escritores, promotores de eventos e afins. Mas vamos a entrevista...


MEDIOPIRA - Quantos anos tem a República Literária?

Completamos 29 anos. A Republica Literária foi fundada em 10 de junho de 1988

MEDIOPIRA - A República literária virou uma espécie de templo da cultura e dos eventos na cidade. Vocês estão sempre trabalhando em parceria com os promotores culturais, servindo como bases para vendas de ingressos e convites. Como é essa relação com a cidade?

Por iniciativa própria, sempre divulgamos todas as iniciativas culturais. Sempre disponibilizamos nossos espaços internos e externos para divulgações de eventos educacionais, sociais, culturais e literários, e, na medida do possível, buscamos, por meios próprios,divulgar, com a antecedência necessária, todo material disponibilizado por pessoas, entidades e empresas, convidando nossos clientes e amigos a tomarem conhecimento da atividade e dela participarem.

MEDIOPIRA - Como você avalia o mercado de livros. As pessoas continuam lendo muito?

Com toda a certeza, posso afirmar que o MERCADO DE LIVROS expandiu-se vertiginosamente. Entretanto, não significa, exatamente, que houve um crescimento paralelo de venda de livros. Os novos leitores, utilizam-se de e-books como nova plataforma de conhecimento do teor dos livros. A facilidade em baixar os livros para o computador, tablet, notebook, celular e outros meios, criou um novo jeito de ler.

MEDIOPIRA - Além de livros, vocês comercializam uma série de produtos. O que tem mais saída hoje em dia?

Realmente, para manter o sonho de oferecermos livros aos nossos clientes, tivemos que ampliar nossas atividades comerciais. Atualmente, os produtos mais vendáveis são os vintage (retrôs), canecas e taças, chinelos, imãs e relógios.

MEDIOPIRA - Você acha que o livro impresso tem vida longa ou será engolido pelas plataformas virtuais?

Acredito que sempre existirão os fieis amantes do livro impressos. Mas, já na atualidade, dada a comodidade, principalmente, e ao imediatismo dos novos leitores, as opções virtuais têm crescido bastante.

MEDIOPIRA - Quais você considera serem as vantagens da leitura do livro físico sobre a leitura virtual, nos tablets e celulares da vida?

Pessoalmente, e na opinião de diversos clientes, o prazer de "possuir" o livro físico se explica pelo prazer de poder toca-lo ou visualiza-lo nas prateleiras de uma estante, especialmente criada para sua admiração, de poder cheirar as suas folhas, marcar-lhe as partes mais interessantes, deixar nele anotações pessoais, e por aí vai... A relação com um livro físico é a de um amor incondicional.

MEDIOPIRA - Vocês estão promovendo a feira anual da República Literária. O que vai ter de novidade esse ano?

Nesta edição 2017, que será no dia 7 de outubro, além dos descontos especiais de 15 e 20% em todos os livros expostos dentro da livraria, teremos, na parte externa da loja, a presença de 2 escritores, que estarão autografando seus livros. O artista plástico e professor Mateus Xavier também irá prestigiar o nosso evento realizando desenhos livres de nossos clientes. A área musical ficará a cargo da dupla Heitor e Ronivaldo, apresentarão músicas de estilos variados, no melhor da MPB. E para finalizar, o mais especial da nossa feira anual de livros será oferecer excelentes títulos para as crianças, adolescentes e o público em geral, com promoções a partir de R$5,00 e centenas de livros ao preço fixo de R$9,90.

MEDIOPIRA - Os escritores locais tem saída? Existe algum tipo de promoção e interação com a livraria?
Escritor Monlevadense Wir Caetano lançando novo livro
Alguns poucos escritores locais têm uma saída mais expressiva de seus livros. Entretanto, no geral, a procura/ venda de um livro independente é muito rara, e perdem-se obras muito boas por desconhecimento de conteúdo. Em nossa livraria, atualmente, temos títulos de escritores locais, de Nova Era, Rio Piracicaba, Itabira, São Gonçalo do Rio Abaixo, São Domingos do Prata, Belo Horizonte, Brasília. Geralmente, os “escritores" deixam os seus exemplares, e somem. Alguns poucos aparecem para acompanhar a venda dos livros, ou interagirem conosco.

MEDIOPIRA - E como está a presença da República Literária na internet?



Ainda não criamos uma PLATAFORMA DE VENDA ATRAVÉS DA INTERNET. Entretanto, nossa presença é diária no FACEBOOK e WHATSAPP , e os clientes estão habituados a fazerem contato conosco através destes meios de comunicação. Temos buscado agilizar o processo de atendimento pessoal e virtual , aprimorando , diariamente , a nossa logística de vendas

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

DEIXEM O FUNK EM PAZ

Anitta desce até o chão. Maior artista brasileira do momento.
ENQUANTO ISSO NAQUELA ACADEMIA

- O que você está ouvindo?

- Ahn? Ah...estou ouvindo funk.

- Nossa. Eu deteeesto funk.

- É mesmo? Eu não tenho nada contra!

- Ih...ninguém merece.  Isso pra mim não é musica

- Uai...tem compasso, tem melodia, harmonia. E é bom de dançar.

- Ah...pelo amor de Deus. Vai me desculpar, mas funk não é música.

- Baita preconceito seu.

- O que é isso. Funk não tem raíz...não tem história.

- Aí é que vc se engana. Tem história, tem vida, tem arte ali.

- Arte? Com essas letras indecentes, cheias de erros de português?

- Besteira. Os Manonas também eram indecentes. Falavam de suruba e
cabelo do saco e todo mundo achava engraçado.

- Ah...mas não dá pra comparar. Os Mamonas eram...

- Eram brancos né? Eram de classe média alta. Preconceito puro!

- Espere aí. Não é nada disso. Não tenho nada contra os negros. Não
tenho preconceito de cor.

- Olha só. Quando apareceu o samba, a elite da época queria proibir.
Com o Rock aconteceu a mesma coisa. Fizeram passeata contra a guitarra
elétrica. Agora é a vez do funk.

- Ah...mas o funk eu sou a favor de proibir...não aguento esse pessoal
que passa com som alto de madrugada tocando funk.

- E sertanejo pode? Por que eu vi uma turma passando tocando Eduardo
Costa e eu odeio Eduardo Costa. Vamos proibir o sertanejo também por
causa disso?

- Mas o funk é música do capeta. O Pastor falou lá na igreja. Não é
coisa de Deus.

- Que bobagem.  O Funk é apenas um ritmo. E é meio de vida pra muita
gente. Abriu oportunidade pra turma da periferia se expressar,
juntamente com o Rap e o Hiphop.  Custo a acreditar que alguém pode
querer proibir uma cultura.

- Mas funk não é música de gente normal. É só de traficante e de favelado.

- Mais um engano seu. Não tem uma festa hoje em que a galera não peça
funks no repertório. E a turma solta as frangas pra valer. As morenas,
as loirinhas, todo mundo descendo até o chão.

- Tá vendo? Só sexo, sensualidade, banalização do corpo feminino.

- E era diferente com o Axé? As meninas e até os homens desciam na
boquinha da garrafa sem medo de qualquer juízo de valor.

- Engraçado. Achei que você fosse rockeiro.

- Continuo  gostando de rock. Mas quer saber? Acho que o funk ocupou a
cabeça do jovem e o rock virou música de velho. O funk tem
apresentado mais ousadia e inovações do que o rock, que continua
vivendo dos ídolos do passado. O funk oferece a promessa do sexo
livre, da dança, da liberdade que os jovens buscam. O rock ficou gagá.

- Por essa eu não esperava.

- O que?

- Eu gosto de rock. Você me chamou de velha.

- De jeito nenhum. Vc é novinha. Só precisa relaxar um pouco...

- E o que eu tenho de fazer?

- É simples...só aprender a quicar, a sentar e descer até o chão.

- Que indecência, meu Deus...

- E vai dizer que não gosta?

- Gostar eu gosto...quer dizer...eu gosto mas tenho de resistir né?
Senão o pastor me xinga.

- Ah... então mande esse pastor pro inferno.

- Eu não. Deus castiga!

- O que castiga é o tempo. Se não aproveitar enquanto tá tudo em cima,
quando cair fica mais difícil.

- Tá bom. Vc me convenceu. Preconceito deletado...

- Nossa, novinha! Você me serve...