quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

PERSPECTIVAS 2017 # 01



Apesar das crises e das crases, tem coisas boas pra acontecer. O ano de 2016 foi muito complicado e 2017 pode ser pior se ficarmos sentados com a boca cheia de dentes esperando a morte. Mas vamos às notícias...

LIKE TV em MONLEVADE

Monlevade vai ter uma WEBTV. Pelas informações que obtive vai se chamar LIKE TV. Para quem não sabe,  WEB TV é uma "TV" transmitida  pela internet. Os programas serão apresentados por profissionais de diversas áreas em Monlevade, entre eles o jornalista e produtor de eventos Thiago Moreira Gonçalves. O pessoal da Like TV está preparando tudo com muito cuidado e enfim Monlevade vai realizar o sonho de ter um canal de tv ...quer dizer, de WEBTV. O legal é que os conteúdos poderão ser acessados na hora que o internauta desejar...e ainda pode ter transmissões ao vivo.

COTONIGHT SHOW!

De Itabira vem uma experiência muito interessante. A galera de lá tem uma postura do “Faça Você Mesmo” que é bem do espírito artístico. Em Belo Horizonte montaram uma gravadora em um apartamento, onde passaram a gravar CDs DVS e vídeos com produção baratíssima , quando não gratuita. E agora o pessoal da banda Itabirana “Curva de Gaus” montou um programa de entrevistas dentro de seu canal de internet, o “COTONIGHT SHOW”. A produção é tosca, ambientada no quarto de um dos integrantes da banda. O próprio Cotonete vocalista da banda é o apresentador, toca com os convidados, toma uma cerveja e cai na prosa. 
O cenário é um velho sofá, tendo ao fundo uma simulação de parede de tijolos. A entrevista é viajandona e despojada, bem no estilo dos caras. Eles parecem não se ater a roteiros ou fórmulas. É o que rolar na hora. Na tora! E o resultado é passar de forma espontânea o universo dessa nova galera da música. A primeira entrevista foi com IGOR VENAL, nome emergente da música itabirana. https://www.youtube.com/watch?v=SnGMZiGxm4g O bacana é que os músicos tem um canal eficiente para conversar com seu público e com públicos afins. Um divulga o outro e está estabelecida uma rede. Sabem o que isso significa? Que ninguém mais precisa suplicar para nenhum canal de mídia tocar ou divulgar seu trabalho. É só você montar seu próprio canal e mandar ver. A internet tá dando mais asas que a red bull. E estamos todos nas nuvens.

TV CULTURA DE ITABIRA NA BERLINDA

Vem sendo feita uma campanha por parte de um jornalista para fechar a TV Cultura local. O argumento é que a TV doméstica era doméstica demais. Só servia para promoção dos prefeitos no poder. Eu não conheço um caso de tv cultural bem sucedida em cidades de porte pequeno ou médio ( até imagino que existam).A manutenção dos equipamentos, da equipe, geram altos custos. No caso das tvs públicas ainda tem o drama de não poder captar comercias convencionais. Já uma webtv fica barata e pode-se fazer uma TV de nichos. A se considerar a baixa qualidade da internet em diversos locais do interior de Minas. No meio rural então...

AGENDA CULTURAL 2017

Ainda tá cedo para fixar qualquer agenda. As novas administrações municipais estão se organizando, novos secretários assumindo e o ano começa depois do carnaval...

CULTURA INDEPENDENTE

Há anos que ouço uma frase: a cultura precisa ser independente do poder público. Será? Independente eu não diria. Quando for bom pros dois lados, por que não? É sabido que os gestores municipais(políticos) investem mais na chamada  cultura popularesca. Gastam 300 mil para fazer mega-eventos sertanejos, mas não gastam 8 mil em eventos culturais, que não atraem as massas e não dão votos. Quando as prefeituras tem departamentos de cultura e pessoas sensíveis em seus staffs sai alguma coisa. O público por sua vez adora ser massa. Quer gostar do que tá todo mundo gostando, vestir as mesmas roupas, falar as mesmas gírias. Mas...existem os nichos, meus amigos. É por eles que as coisas acontecem. Vamos nessa?

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

AS PAISAGENS DE MAÍRA BALDAIA

Jenfs Fotografia.
O primeiro MEDIOPIRA DE 2017 traz uma entrevista muito especial com uma das artistas mais promissoras dos últimos anos: a itabirana Maíra Baldaia. Embora jovem, Maíra se preparou como ninguém, fez teatro, estudou muito, interagiu com meio mundo e seu CD de estreia lançado no final de 2016 figura certamente entre os melhores lançamentos dos últimos anos.  Quem me vê falando assim pensa que estou exagerando, mas não estou mesmo.  As letras, as músicas, os arranjos , tudo é cativante no som dessa itabirana. Portanto, meus amigos: fiquem atentos. Se ela se apresentar perto de vocês, não percam.  Vocês podem estar diante da próxima estrela da MPB. Bagagem pra isso ela tem. Mas vamos à entrevista...

MEDIOPIRA - Quais são as suas influencias primordiais, os sons que ouvia na infância?

MAÍRA BALDAIA - Tenho muitas influências, pois desde muito nova estive em contato com diversos sons por incentivo dos meus pais. Voltando um pouco na memória chego aos discos que mais ouvi quando pequena, entre eles o álbum Circuladô Vivo do Caetano Veloso, ao álbum Monjolear do Dércio Marques e Doroty Marques, ao Sá Rainha da Titane, ao Bisnetos da Família Alcântara Coral Afro. E daí em diante vão se somando várias influências sonoras sejam artísticas ou despertadas por vivências no candomblé/ umbanda, vivências em uma cidade do interior repleta de poesia e ludicidade ou na capital repleta de informações e diversidades. Tudo está à nossa volta, a natureza é uma grande inspiração, as paisagens, as estradas, as fases do sol e da lua. Há música em tudo!

MEDIOPIRA - Como foi a sua trajetória na musica?

MAÍRA BALDAIA - Minha trajetória artística sempre veio traçando um paralelo entre a música e o teatro. Fiz minha primeira participação na música ainda criança gravando no CD Nem Tudo É Verdade do Tony Primo em 1994, lembro que fizemos shows no Rio de janeiro e em Itabira por ocasião do lançamento. Na infância a minha brincadeira preferida era compor, eu tinha um gravador de fitas e ficava criando músicas para depois ouvir. Aos 12 entrei para o teatro, onde redescobri o canto junto a um trabalho cênico e corporal. Mais tarde aos 14 anos eu tive a minha primeira banda de rock autoral ao lado dos amigos João Jardel, Rodrigo e Marina. Foi muito bacana essa fase e o exercício da composição estava presente mais uma vez.  Aos 16 fui estudar teatro no Galpão Cine Horto e depois com o Grupo Ponto de Partida. Também aos 16 integrava o projeto Mineirada e fiz shows em Minas Gerais e Portugal. Comecei a trabalhar aos 17 no projeto Meninos de Minas que foi uma grande influência na minha música, trazendo os ritmos afro mineiros e me aproximando de Maurício Tizumba com quem passei a trabalhar no Grupo Tambor Mineiro e em espetáculos como “Galanga, Chico Rei” de Paulo César Pinheiro com direção de João das Neves e direção musical de Titane. Em 2010 comecei a apresentar em shows o meu trabalho autoral com os shows Flor do Dia e Prosa de Gangas. Em 2012 participei como cantora e compositora do show “Sins – Brasil e Portugal” com direção musical e participação do maestro Jaime Alem. Me formei em Canto na Bituca – Universidade de Música Popular em 2011 e em Teatro na Escola de Belas Artes da UFMG em 2016. De 2006 a 2016, me apresento no meio do ano em Portugal seja com projetos de Cleber Camargo ou com o meu trabalho autoral. Atualmente integro o Grupo Dingoma, o Grupo Tambor Mineiro, faço parte da enRede – Rede Internacional de Municípios pela Cultura  e estou em circulação com meu primeiro disco “POENTE e outras paisagens” lançando em dezembro de 2016.

MEDIOPIRA - O seu nome é Maíra Baldaia mesmo ou é codinome artístico? Qual o significado?

MAÍRA BALDAIA Baldaia não é meu nome de registro, mas pertence à minha família. A minha Bisavó se chamava Maria da Rocha Baldaia e eu quis trazer essa raiz para mais perto de mim adotando seu sobrenome.

MEDIOPIRA - Você começou meio moleca, cabelão meio sarará e hoje exibe um visual mais enxuto, de cabelos curtos, realçando o rosto. Você compõe os personagens (alma camaleoa) ou esses personagens emergem de forma natural?


Crédito foto: Isabela Guerra
MAÍRA BALDAIA - Risos! Sim, tenho a alma camaleoa mesmo! Gosto de mudanças, sempre que algo muda dentro de mim também muda no meu visual e isso reflete diretamente na minha arte, pois trago no meu trabalho a minha verdade. Meu cabelo não era meio sarará, era totalmente sarará, amo meu cabelo crespo e volumoso seja solto ou trançado e em breve vou voltar a usá-lo. Assumir esse cabelo natural faz parte de todo um processo de identidade, de representatividade, de aceitação das raízes afro brasileiras e entendimento de que as belezas fora dos ditos “padrões” são belas. Algo que aprendi é que quanto mais você se ama mais bonito e autêntico você é, não é questão de estética, é questão de amor-próprio e até de política. Hoje estou careca e platinada e já tive com o cabelo azul também. O cabelo curto traz uma liberdade e praticidade que gosto muito. Gosto de me transformar, faz parte da minha essência.


Créditos foto: Paulo Abreu
MEDIOPIRA - É claro que a gente percebe no seu som a ancestralidade dos tambores negros , mas também senti uma coisa mais contemporânea meio blues urbano. Estou enganado?

MAÍRA BALDAIA - Sim, meu trabalho mistura várias referências. É uma profusão de cores por assim dizer, tem congado, tem jazz, tem blues, tem samba. Acaba sendo definido como música popular brasileira, mas sobretudo como uma música do mundo.

MEDIOPIRA - No seu novo CD, você demonstra que é bem mais que uma cantora bonita. Poente é uma letra muito boa. Seu disco tem outras letras também cheias de achados poéticos. Você acha que letra de música é poesia?

MAÍRA BALDAIA - Sim, pelo menos pra mim a música e a poesia estão totalmente ligadas. Gosto muito de escrever, algumas das músicas nascem primeiramente na poesia e só depois ganham melodias. As minhas músicas trazem o lugar de enunciação da mulher, sobretudo da mulher negra. Falam do nosso cotidiano, das alegrias, das tristezas, dos amores, das lutas, dos olhares sobre o mundo. que Eu não estou sozinha nessa estrada, tem diversas mulheres na composição mostrando suas vozes, quebrando padrões e mostrando através de suas canções que temos trabalhos potentes e de qualidade.

MEDIOPIRA - Você saiu de Itabira e mudou-se pra BH. O que você levou de Itabira pra BH e o que leva de BH pra Itabira?

MAÍRA BALDAIA - Me mudei de Itabira com 16 para 17 anos para buscar em Belo Horizonte estudo, trabalhos, contatos na arte. Nisso acabei ganhando grandes parcerias de arte e de vida. De Itabira veio toda poesia que corre em minhas veias, todas as minhas primeiras experiências na arte e, principalmente, um olhar sensível ao entorno. Isso me acompanha sempre. Em BH desenvolvi esse olhar sensível, me formei e comecei de fato a viver de arte, um caminho difícil, mas do qual não consigo me ver sem. Os aprendizados vividos nas duas cidades permanecem comigo em trânsito, estou sempre nessa ponte entre a capital e a cidade natal.
Foto: Pedro Viotti.

MEDIOPIRA - Pesquisei um pouco e vi que vc tem uma forte ligação com os movimentos negros, principalmente com a religiosidade. Isso continua fazendo parte da sua vida?

MAÍRA BALDAIA - Sim, isso está totalmente ligado à minha vida. Acredito na força da coletividade que aprendemos com nossos ancestrais.Eu caminho para ser melhor dentro de um todo. Eu luto através da arte e do amor para que sejamos todos iguais, cada um com suas particularidades, mas com direitos na mesma medida. E quanto à religiosidade, está tudo aí na natureza, as forças que precisamos estão a nossa volta, a proteção que acredito vem de algo maior e ancestral.

MEDIOPIRA - Seu CD faz uma ponte entre o passado e o presente, promove o diálogo do tambor com a guitarra elétrica e o som ficou bem orgânico. Foi você quem produziu, escolheu repertório e roteiro?

MAÍRA BALDAIA -Esse paralelo entre o ancestral e contemporâneo é presente no meu disco por ser também presente na minha vida. Está tudo ligado, eu como ser que vive as questões de uma sociedade pós-moderna conto com um olhar aprofundado nas raízes e nas tradições orais. Trago aprendizados que vem das mulheres matriarcas da minha família e também que vem da minha irmã mais nova. Tudo é uma coisa só e reflete no meu trabalho enquanto estética, conceito, estilo. Sim, eu assino a direção artística desse disco, eu produzi e escolhi o roteiro que traça uma dramaturgia que vai do amanhecer ao anoitecer, mas tive a direção musical generosa e extremamente necessária do Clayton Neri. Além da direção do Clayton, tenho ao meu lado as musicistas Débora Costa, Larissa Horta e Verônica Zanella que dividem comigo esse fazer, pensando, se envolvendo e criando juntas esse filho chamado “POENTE e outras paisagens”.  Os arranjos são assinados por Verônica Zanella, Clayton Neri e Alysson Salvador.

MEDIOPIRA - No disco vc teve a presença de músicos especialmente convidados. E tem os músicos parceiros habituais que lhe acompanham nos shows. Quem seriam esses músicos?

(Créditos da foto: Tásia d'Paula)
MAÍRA BALDAIA - Sempre me acompanham nos shows e também gravam o disco ao meu lado as musicistas Débora Costa (percussão e bateria), Larissa Horta (contrabaixo e vocais) e Verônica Zanella (violão, guitarra e vocais). Esse trabalho é fruto de uma parceria muito forte e sensível com essas três musicistas, um processo com muito amor envolvido. No álbum, que foi gravado no Estúdio Engenho em Belo Horizonte e foi gravado, mixado e masterizado por Andre Cabelo, eu tenho as participações especiais de Alysson Salvador (guitarra em Espelho D'água e violão em Negra Rima), Bia Nogueira (vocais em Negra Rima), Caetano Brasil (clarinete em Ensaio sobre o amanhecer e Pororoca), Maurício Tizumba (vocais em De chegada em canto), Nath Rodrigues (violino em Insubmissa e Só por um instante). São todos artistas negros que admiro e com os quais compartilho afinidades musicais na cena artística mineira. Dentre eles, Tizumba, que abre o CD com sua participação, foi um dos mestres que tive na música e no teatro e Alysson, Bia, Caetano e Nath são artistas que abraçam meu disco com profunda generosidade e que são referências pra mim no que tange ao fazer musical que une técnica e alma. Além desses artistas, o nosso diretor musical Clayton Neri, que é músico/ professor/ diretor/ arranjador virtuoso e que ama profundamente o que faz na arte, nos presenteia com duas participações nas faixas “Ensaio sobre o amanhecer” e “Axé”.


MEDIOPIRA - Principalmente na música “Ensaio sobre o amanhecer” o clarinete tem uma importância enorme, assim como a cuíca,  não só pela  execução mas pela presença. O que inspirou essa música?

Foto: Larissa Horta
MAÍRA BALDAIA - O clarinete é participação especial do músico Caetano Brasil. e a cuíca é executada com maestria pela minha parceira de caminhada a percussionista Débora Costa. Caetano é um músico que mistura em seu trabalho tanto a virtuosidade da técnica quanto a sensibilidade da prática. Ele toca com a alma e foi mto especial contar com a sua participação. Débora é integrante da banda que me acompanha a mais tempo. Está comigo desde o início. nos entendemos musicalmente só pelo olhar. Há uma interação muito forte entre nós. A cuíca e o clarinete em "Ensaio sobre o amanhecer" dialogam com a voz de forma marcante. É um encontro de timbres! Essa é uma música que fiz na estrada entre Lisboa e Porto em Portugal. A estrada é grande inspiração pra mim.  


MEDIOPIRA - As fotos para o CD foram capítulos à parte. De quem foi a concepção visual? Onde foram feitas as fotos? 


MAÍRA BALDAIA -As fotos foram pensadas por mim e pela fotógrafa Jenfs Martins, que é uma profissional com um dos olhares mais sensíveis que já vi. Na arte gráfica tenho o trabalho belíssimo de Gabriela Brasileiro e Matheus Fleming. Essa equipe é responsável pela concepção visual do meu disco, fui muito feliz na parceria com esses profissionais que entenderam na medida certa a identidade das minhas canções. O local foi indicação da musicista e parceira de composição Isabela Guerra, é um pequeno paraíso escondido em Belo Horizonte no bairro Belvedere de onde se tem uma vista maravilhosa para o pôr-do-sol.

MEDIOPIRA - Você lança seu CD num momento em que o mercado anda meio avesso aos trabalhos autorais. Os promotores de shows e até de espaços culturais e bares dão preferência a música cover, principalmente do gênero sertanejo. Como você pretende fazer pra driblar essa preguiça mental e essa resistência ao novo?

MAÍRA BALDAIA - Bom, não pretendo driblar o mercado, pretendo continuar espalhando a minha arte por onde for. Não sei se o percebo tão avesso assim ao trabalho autoral, apesar de ter noção de que o meu disco não está necessariamente inserido em determinados padrões, mas tem um cenário muito interessante da música independente que cresce cada vez mais no Brasil. A resistência e as dificuldades sempre estarão postas à nossa frente, nos resta caminhar e trabalhar para que nossa música chegue às pessoas. Apresento um trabalho com muita verdade, um trabalho autoral, um trabalho independente que fala por si, aonde chegarei com ele ainda não sei, mas se eu conseguir tocar as pessoas que ouvirem ao ponto delas também desejarem “espalhar essa palavra” para outras pessoas já está iniciada a rede. Acredito nas conexões.

MEDIOPIRA - Além do seu projeto do CD, você tem trabalhos paralelos. Fale um pouco sobre esses projetos e parcerias.

MAÍRA BALDAIA - Além do meu trabalho autoral, eu toco nos grupos Tambor Mineiro e Dingoma, sendo também atriz e arte educadora. Também dialogo de forma mais intimista com a poesia, com o cinema e com a pintura.

MEDIOPIRA - Quem quiser contratar o seu show tem de falar com quem? Deixe seus contatos pro pessoal.

Foto: Carol Reis
MAÍRA BALDAIA - Quem quiser contratar o show pode entrar em contato com a nossa produção através do e-mail contatomairabaldaia@gmail.com . Será um prazer levar esse pôr-do-sol para outros cantos.






Foto: Larissa Horta
MEDIOPIRA - Quem quiser adquirir o seu belíssimo CD tem de fazer o que? Onde tem pro pessoal que não puder adquirir poder conhecer seu trabalho?

MAÍRA BALDAIA - Para adquirir o CD físico basta entrar no site www.mairabaldaia.wixsite.com/baldaia e na aba POENTE encontrará todas as orientações. Também pode nos enviar mensagem na página do facebook (facebook.com/mairabaldaiafanpage). Além disso, o disco está disponível no meu canal no YouTube https://www.youtube.com/watch?v=VLAF0OZfwLI  e no Soundcloud, se inscreva no nosso canal e acompanhe todas as novidades. 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

RETROSPECTIVA 2016

Na edição de retrospectiva, procuramos pinçar uma pergunta interessante de cada entrevistado, compondo um mosaico do cenário atual. Agradecemos a generosidade de todos. Que o mediopira continue produzindo muito aço, muito minério e principalmente arte e cultura. Muito obrigado pela atenção de todos. E continuem com a gente em 2017...
MEDIOPIRA: O que te move a abraçar a arte e cultura com tanta força?
CARLA LISBOA - Amor. Parece simples, mas infelizmente são raríssimas as pessoas que realmente colocam PAIXÃO no que fazem, digo isso não apenas na área cultural. E se tratando de cultura especificamente, que é tão pouco valorizada principalmente em nossa região, se não amar o que faz, você não vai muito longe. A arte pra mim é como um órgão vital, como o coração, aliás, como o pulmão, sem ela eu não conseguiria nem respirar.

MEDIOPIRA -  Você também toca música popular, cantando ou acompanhando outros artistas ou foca apenas no violão clássico?

AULUS RODRIGUES - É quase impossível encontrar um violonista clássico que não toque ao menos um pouco de música popular, especialmente em um país como o Brasil, que tem uma cultura popular tão rica.

MEDIOPIRA - Como as pessoas tem reagido aos shows de vocês?
Souldusamba - O segredo é sermos extremamente interativos, é darmos o tom e deixarmos a galera cantar. Se colocarmos uma musica e o povo não cantar, se não funcionar, tá fora.

MEDIOPIRA - Vocês integram uma banda de rock pesado que foi na contramão das outras bandas do gênero ao compor suas músicas em português. Até que ponto isso prejudica ou beneficia vocês?
BANDA CONCRETO : É muito difícil cantar rock pesado em português sem soar piegas, mas é o que sai da gente. Não direcionamos nada, apenas deixamos fluir sem amarras. Mas cantarmos praticamente só em português acredito que nos torna diferentes.
    MEDIOPIRA - Você já se apresentou em todo tipo de espaços. Conte um pouco dessa história pra gente.

SYLVANNA MARTINS - Já cantei em feiras agropecuárias de grande porte, abrindo shows de sertanejos famosos, também em caminhão ou palanques caindo aos pedaços, churrascarias, clubes ou em barzinhos onde muitas vezes não tem nem palco, mas canto junto das pessoas. É muito gratificante pois, pela proximidade percebo muito mais o carinho das pessoas com o meu trabalho


MEDIOPIRA - Você fez parte daquela geração de cantores como Agnaldo Rayol, Odair José, Antônio Marcos, Fernando Mendes. Você se considera brega? Tem algum problema com o rótulo?

MARCIO GREYCK -Aprendi a não crer nos rótulos e a deixar que o próprio público defina o que é ser brega ou não. Não tenho preconceito algum com esse estigma e parto do principio de que é popular!

MEDIOPIRA - Que conselhos você daria aos artistas de hoje? Popularesco ou arte pela arte?
CHICO FRANCO - Arte pela arte. Popularesco já temos muitos que figuram ai  em duplas, que estão todos os dias nas telas da televisão, que atormentam nossos ouvidos nos carros de som, enfim, precisamos é de novos  Grande Otelo, Paulo Autran, Bibi Ferreira, Tom Jobim e outros tantos para purificarem esses ares que estamos respirando ultimamente.


MEDIOPIRA - Os itabiranos preferem trabalhos cover ou autorais? 
Marçal JR- Aqui não difere do contexto. Acho que a proporção é de 90% de covers contra 10% autoral. Infelizmente.   
MEDIOPIRA- Muitos encaram a arte como hobby, não como profissão. O que você tem a dizer sobre isso? 
Alesandra Alves -Como profissão, como hobby, como terapia, para embelezar, para encantar, para não enlouquecer. Não importa o motivo, causa ou razão. O importante é fazer Arte.

MEDIOPIRA - O Raphael poeta briga muito com o Raphael pessoa?

RAPHAEL GODOY - A gente já brigou mais, mas recentemente temos andado bem um com o outro. Por mais que eu me aproveite de histórias, verdades e sentimentos de outras pessoas, quem lê, acredita que aquele é o sentimento do Raphael e não daquele personagem inventado para escrever aquele soneto..



MEDIOPIRA -Você acha que a internet ajuda ou atrapalha o artista?

IGOR VENAL - Sem a internet sequer teríamos lançado nosso Single. Devemos tudo à mídia virtual.

     
     

MEDIOPIRA - Já vi vocês cantando temas filosóficos, espirituais, políticos. O que o Djambé quer gritar pro mundo?

BANDA DJAMBÉ - Cada um de nós tem um papel fundamental pro mundo ser um lugar melhor, de paz, ou o inverso.  E pra isso precisamos reconhecer quem somos na essência e o que nos foi imposto culturalmente e romper com isso. Você importa! Revolucione-se!

MEDIOPIRA. Ainda pintam aqueles sujeitos que gritam “ Toca Raul” depois de cada música?
MIKE SANTOS - “Toca Raul” continua sendo um mantra na noite, que toco com prazer. São sagrados os pedidos. Geralmente em apresentações menores, sou 100% levado pelo público do dia.


MEDIOPIRA – Você trabalha hoje mais com a música sertaneja, que domina o mercado. O que acha da MPB?

MARY EVENTOS - A MPB  é uma mistura de vários estilos e tem público específico. É sem dúvida uma escola para os demais ritmos.



MEDIOPIRA - Quando foi que você chegou a conclusão de que seria cantora, que seu dom iria virar profissão?
CAMILA CALAIS - Desde o primeiro momento já me sentia como se as musicas que eu interpretava precisassem de mim da mesma forma como que eu necessitava delas.

MEDIOPIRA – O que você projeta para a arte e cultura em tempos de Trumps e outros bichos?

WIR CAETANO -A arte já respondeu com vigor à muitos tempos duros, e acho que continuará a responder como se deve. Sempre é possível surgirem entraves à livre expressão, mas resistência também sempre acontece, com maior ou menor intensidade.

MEDIOPIRA- Percebi no NA LAJE 67 uma coisa que extrapola as preocupações normais da maioria dos bares, de oferecer climas, atmosferas, música diferente. É viagem minha?

NA LAJE - De forma alguma. Nossa maior preocupação é de criar um clima único, e para isso utilizamos da decoração, luzes, música, para despertar sensações diferentes nas pessoas. A ideia é personalizar o ambiente, trocando os móveis de lugar de acordo com as reservas realizadas, alterar a decoração de acordo com a temática da noite. 

MEDIOPIRA -Você certa vez sugeriu a “baianização” da música itabirana, tentando juntar a turma pra criar uma cena poderosa e focada. Deu certo?
CLEBER CAMARGO - Com os baianos e com os ipoemenses, precisamos aprender a arte da união e da generosidade em torno de um ideal que seja coletivo. Há muita semente pra plantar. Há mais frutos pra colher do que a gente possa imaginar.
MEDIOPIRA – Já tive oportunidade de vê-lo em ação. Você é paizão, mas rigoroso. Como é que é isso?

Mestre Junei - Sou apaixonado pela música e gosto muito de ensinar. Sou muito, muito, muito rigoroso porque acredito que sem disciplina não tem aprendizado. Mas sou coração mole, rs.

 
MEDIOPIRA – Há alguns anos  a meninada quando chegava à adolescência queria tocar numa banda de rock ou jogar num time de futebol. O que a galera nova quer hoje?


Lutécia Espeschit- Iphone, rsrsrsrsrs.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

LUTÉCIA, A ONIPRESENTE

O MEDIOPIRA dessa semana entrevista a fotógrafa, rockeira, agente cultural e política, poetisa e bancária Lutécia Espeschit, testemunha sensorial de quase tudo que aconteceu em sua João Monlevade e no MEDIO PIRACICABA nas últimas décadas. Lembro-me de uma fase em que apareciam fotografias Lutecianas de três eventos diferentes no mesmo dia e me perguntava: como ela consegue? Alias, as irmãs Espechit  são um caso lindo de amor ao rock. Não perdem um grande show das grandes bandas que desembarcam no país. Mas vamos então à entrevista com a Lutécia,  uma das pessoas mais “pau pra toda obra” que conheço, participando de tudo que diga respeito à arte e a cultura.

MEDIOPIRA –Você desde sempre esteve conectada aos movimentos artísticos e culturais de Monlevade. Como foi o seu despertar para esse olhar? Quais foram suas influências?


Lutécia - Minha mãe era poetisa, piadista, pintora, artesã, cantora e, desde menina, acompanhava os ensaios que aconteciam em minha casa, na Monlevade dos Anos Dourados, quando ela cantava acompanhada por um Regional, em festas, jantares e acontecimentos sociais, e nos ensaios do Coral Monlevade, na década de 70. Além disso, ela abria a nossa casa para vários músicos, como Eustáquio Ambrósio, Weber Costa, Severino Miguel, Vilminha, que se reuniam ora para ensaiar, ora para transformar a nossa vida numa constante festa. E era.


MEDIOPIRA – Sua paixão pela fotografia é recente? Você é contemporânea dos processos produtivos analógicos, de revelar fotografias, das técnicas clássicas ou totalmente digital?

Lutécia - Sempre fui uma amante das imagens, dos reflexos e até das sombras que são projetadas por corpos em movimento. A fotografia veio para “materializar” o meu olhar, quando ganhei, aos 16 anos de idade, uma Kodak, daquela de filmes de cartucho. Fotografava pouco, por causa do custo das revelações, e ainda tenho muitos filmes a serem revelados, perdidos em muitos guardados. Mas quando as máquinas digitais se popularizaram, no início desse Milênio, comecei a fotografar quase que diariamente e, de alguns anos pra cá, compulsivamente. Posso dizer que sou formada por quatro partes: cabeça, tronco, membros e câmera fotográfica.

MEDIOPIRA – Vejo que em sua fotografia tem um lado muito forte de capturar paisagens.  Nesse tipo de enfoque a fotógrafa torna-se quase uma poetisa visual, uma caçadora de acasos revelando a alma das coisas. Você se sente um pouco poetisa também quando fotografa?

Lutécia - Troquei os meus poemas caligrafados no passado, pelos fotografados na atualidade, rsrsrsrs. Meu olhar, naturalmente, enquadra tudo o que vejo, e vejo que estamos cercados de belezas que passam despercebidas para a maioria das pessoas, ocupadas demais, preocupadas demais em como viver e até sobreviver nesse mundo de tantas mazelas. No instante em que fotografo paisagens, ou pássaros e aves, que são os meus motivos preferidos, sinto que aquele belo e único momento precisa ser mostrado, admirado,  e as redes sociais são a melhor ferramenta para compartilha-lo com todos. Não comercializo fotos e raramente as imprimo. Elas são feitas pelo puro prazer de registrar e distribuir toda a beleza que o Universo nos presenteia a cada dia, a todos que eu puder alcançar.

MEDIOPIRA – Na sua fotografia tem um lado forte também de jornalismo cultural. A sua cobertura de eventos era marcante, independente, quase onipresente. Parece que você diminuiu bastante essa presença nos últimos tempos. Por que?

Lutécia - Porque os eventos culturais também diminuíram, tornando-se quase uma raridade. De um lado, o Poder Público, que nada realiza. Do outro, a iniciativa privada, que não diversifica. Outro motivo é que precisei sair de Monlevade para dar prosseguimento à minha carreira de bancária, cuja oportunidade de promoção veio quando fui emprestada para a agência de Dom Silvério por um mês, e aqui estou desde janeiro de 2013.

MEDIOPIRA – Você sempre foi uma roqueira fanática, quase torcedora (rs). Como avalia a atual situação do rock? Acha que rock virou música para coroas ou que a coroa continuará sendo do rock como estilo mais popular do planeta?

Lutécia - O Rock sempre terá o seu espaço e tenho percebido que nos últimos dois, três anos, tem tido presença garantida e concorrida no cenário musical brasileiro. A alma do rock é inquieta, rebelde, revolucionária, e o Brasil tem oferecido muita “matéria-prima” para o surgimento de novas composições e novas bandas roqueiras, que aos poucos vem retomando o seu lugar no trono dos mais apreciados estilos musicais por todo o mundo.

MEDIOPIRA – E em termos de ROCK BRASIL? Tem visto alguma coisa digna de nota? Apontaria algum trabalho novo que tenha te balançado?

Lutécia - Se dermos uma voltinha pela internet, pelo YouTube por exemplo, veremos centenas de bandas independentes de Rock, da melhor qualidade, em todos os cantos desse nosso Brasil. Mas vou citar duas que me impressionaram: Carne Doce, uma banda goiana, quase lírica e Amazon, de Valinhos-SP, que esteve no 1º Festival Marmotas em Monlevade, em 2014. Fugindo um pouco do Rock, mas indo na sua origem, a que mais curto na atualidade é Alexandre da Mata & The Black Dogs, de Belo Horizonte.

MEDIOPIRA – E em João Monlevade? Já houve um tempo de muita efervecência da cena roqueira. Vc conseguiria citar algum trabalho em especial ou são os mesmos de sempre? E no Médio Piracicaba? Citaria algum trabalho novo interessante?

Lutécia - Sou fã incondicional da Derramasters, cujo trabalho autoral, em Monlevade, é insuperável, mas por força de trabalho e estudo de seus integrantes, está em stand-by.  A Dizarm também tem feito um trabalho autoral bem interessante. Mas sem estímulo, sem apoio e sem palco, várias bandas surgem do nada e desaparecem da mesma forma.  

MEDIOPIRA – Há alguns anos  a meninada quando chegava à adolescência queria tocar numa banda de rock ou jogar num time de futebol. O que a galera nova quer hoje?

Lutécia - Iphone, rsrsrsrsrs.



MEDIOPIRA – Você hoje vive entre Monlevade e Dom Silvério. Como foi essa transição entre o movimento frenético de Monlevade e a tranquilidade de DS?

Lutécia - Vivo muito bem integrada a esses dois mundos. Em Dom Silvério, levo uma vida de trabalho e enriqueço minha alma com as “saidinhas de banco” para a Área Rural, onde faço minhas fotos. Em Monlevade, vida noturna, sempre onde tem boa música, não necessariamente só Rock, e estar com a família, novos e velhos amigos e boas companhias. Sou uma pessoa de fácil adaptação, acostumada na estrada desde 1978, quando saí de Monlevade para estudar em Porto Alegre, e nunca mais parei de rodar por aí.

MEDIOPIRA – Existe um grande pessimismo no meio cultural com relação ao futuro. Há uma percepção de que a arte vem perdendo importância na lista de prioridade das pessoas. Como você acha que a arte vai sobreviver nesse clima de “apocalipse now”?


Lutécia - Nada sobreviverá à insensibilidade das pessoas para o que realmente tem valor: a beleza da vida.